terça-feira, 15 de julho de 2014

A Curta Carreira de Ian Curtis, dos Joy Division

Se fosse vivo, neste dia 15 de julho, Ian Curtis, o vocalista dos Joy Division, completaria 58 anos.
Ian nasceu em Manchester, Inglaterra, em 1956. Aos 20 anos, após assistir a uma apresentação dos Sex Pistols, resolveu que queria estar no palco e não no meio do público. Junto com Bernard Summer, Peter Hook e Stephen Morris formaram os Joy Division, em 1976.
Ian Curtis sofria de epilepsia e por causa disso desenvolveu um estilo de dança que deixava em dúvida o público que assistia aos concertos dos Joy, se ele dançava ou se estaria a ter um ataque epiléptico. Ele era também uma pessoa depressiva e as músicas dos Joy Division reflectiam isso mesmo. Temas como dor emocional, morte, violência e alienação, entre outros eram recorrentes nas canções do grupo. O primeiro single dos Joy Division foi “Transmission”, de 1979.
Ian Curtis suicidou-se no dia 18 de maio de 1980, aos 23 anos, após assistir ao filme "Stroszek", de Werner Herzog , enforcando-se na sua cozinha.
Meses antes da sua morte, já tinha tentado suicidar-se com uma overdose, ao tomar vários medicamentos para controle da epilepsia. Na lápide de Ian Curtis está a inscrição "Love will tears us apart" (O amor vai-nos separar), título da música mais conhecida da banda.

Após a morte de Ian Curtis, os membros remanescentes criaram os New Order, mas com um estilo musical totalmente diferente dos Joy...
Em 2007, foi lançado o filme "Control", inspirado no livro de Deborah Curtis, ex-esposa de Ian Curtis, e que conta a história do ex-líder e vocalista dos Joy Division.
Como curiosidade, o nome Joy Division foi insipirado no livro "House of Dolls". Segundo o livro, Joy Division (Divisão de Alegria) era o nome da área onde as mulheres judias eram mantidas prisioneiras e "oferecidas" sexualmente aos oficiais nazis.
Há quem especule que além de todas estas prováveis razões, ainda a ideia romântica de "morrer jovem e entrar para a história" o seduzisse. Considerando os seus problemas de saúde, o seu caso extra-conjugal que aparentemente o perturbara, a depressão que se evidenciava, não só nas suas letras, mas também no seu comportamento, é razoável imaginar que se tivesse permitido deixar a vida legando para nós a sua arte, o seu melhor.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Paul McCartney completou 72 anos

São poucos os músicos que merecem algumas considerações escritas sobre um novo ano de longevidade. Lembro-me, por exemplo, de um Bob Dylan, o velho bardo que mantém intactas todas as suas faculdades criativas.
Paul McCartney insere-se facilmente na categoria de artista relevante e que conseguiu ultrapassar a barreira de co-compositor de sucesso para o retomar na sua caminhada a solo. É certo que detém o melhor catálogo de canções do mundo, mas os seus registos individuais também merecem destaque. Recordo-me da brilhante ode apressada, Got To Get You Into My Life, a elegância de For No One e, claro, daquele assombroso lado B do álbum Abbey Road. Individualmente existem outros bons momentos: a comovente Maybe I´m Amazed, a bondiana Live and Let Die e, permitam-me, a subvalorizada No More Lonely Nights.
Para todos os efeitos, Paul é um sobrevivente e, conjuntamente com Ringo Starr, é o representante de um grande pedaço da nossa mais querida memória musical. Esperemos que a sua próxima (derradeira ?) digressão mundial contemple Portugal com uma data no seu itinerário. Até lá, muitos parabéns James Paul McCartney!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Faz hoje 30 anos que António Variações partiu...

Faz hoje 30 anos que António Variações partiu...
1944 -1984

António Variações faleceu no dia de Santo António faz hoje 23 anos. Se ainda fosse vivo teria 62 anos, mais o menos a idade de Mick Jagger, David Bowie ou Freddie Mercury. Esta precoce partida acabaria por deixar um enorme vazio na música popular portuguesa, infelizmente pouco reconhecido nos anos que se seguiram à sua morte. Mas a curta carreira de Variações não diminui a sua importância e qualidade enquanto artista e a prova disso é que, com apenas dois álbuns, conseguiu o que muitos só conseguiriam com mais álbuns e anos de carreira. Daí que não me pareça injusto considerar Variações como um dos nomes maiores da música portuguesa do último quarto do século XX.
Este especial sobre a vida e obra de Variações está dividido em cinco partes, que cobrem os aspectos mais importantes do percurso do autor/cantor desde as suas origens até ao legado que deixou na música portuguesa. Temos assim Origens e chegada a Lisboa; Principais influências e viagens; Espectáculos, discos e fama; A força da diferença e Legado. Escolhi algumas músicas que, pelo seu significado, melhor se enquadravam com cada uma das partes.

1 – Origens e chegada a LisboaA 3 de Dezembro de 1944 nasce António Joaquim Rodrigues Ribeiro na Freguesia de Fiscal - Amares, Braga, filho de camponeses. Terminada a escola primária e depois de recusar a profissão de carpinteiro, imposta pelos pais, ruma a Lisboa, onde já se encontravam dois irmãos e alguns familiares. Trabalha com empregado de balcão, empregado de escritório e barbeiro. Esta última profissão irá aperfeiçoar, tornando-se mais tarde cabeleireiro. Estuda de noite. A ideia de um dia vir a ser um fadista famoso acompanha-o de pequeno, quando cantava no quintal da casa de família. Sem nunca renegar às suas origens, a chegada a Lisboa abre-lhe os horizontes, mas por pouco tempo, já que cedo se apercebe da pobreza social e cultural da capital. Olhei para trás, Linha – vida e Anjinho da guarda são os temas que mais retratam esta etapa da sua vida.

2 – Principais influências e viagens
A procura de novas realidades leva-o até Londres em 1975 onde fica cerca de um ano. Parte depois para Amesterdão onde vive cerca de três anos e aprende a profissão de cabeleireiro. Nesta cidade faz amizades que mais tarde visita com regularidade. De volta a Lisboa, estabelece-se como o primeiro cabeleireiro unisexo do país, abrindo mais tarde uma barbearia na Rua de S. José. Terá afirmado um dia que apesar de gostar da sua profissão, não a considerava uma paixão e que o mais importante era ter rendimentos para viver e gozar férias no mês de Agosto. Visita Nova Iorque e regressa à Holanda. O espírito aberto e de cidadão do mundo estão presentes nos temas Estou além e Minha cara sem fronteiras.
As figuras da Mãe, Amália e Fernando Pessoa constituem as suas principais referências e fonte de inspiração para algumas das suas músicas, tais como Deolinda de Jesus, Povo que lavas no rio, Voz – Amália – de nós e Canção.
Apesar de influenciado por outras realidades culturais, facilmente encontra um equilíbrio entre o que se poderá denominar vanguarda e tradicional. É neste contexto que terá ficado célebre a expressão “ entre Nova Iorque e a Sé de Braga “, que mais não significava do que fazer a fusão entre a música moderna que se fazia lá fora (ao nível da sonoridade) e a música popular portuguesa (mais presente na letra), sem esquecer a música tradicional (Fado), pela maneira como o próprio António cantava.
1º LP Anjo da Guarda (1983)

3 – Espectáculos, discos e fama
Para António a grande paixão era mesmo a música e tudo havia de fazer para concretizar o seu sonho. Mas de início as coisas não foram fáceis e pelo meio foi coleccionando algumas frustrações. Por exemplo, quando concorre para vocalista dos Corpo Diplomático (banda antecessora dos Heróis do Mar), chumba na audição. Mas nem tudo se perde, já que se torna cabeleireiro da banda. Em 1977 assina finalmente contrato com a Valentim de Carvalho, depois de apresentar uma maqueta com alguns temas. Foi para estúdio mas os resultados ficaram aquém das expectativas, dado não ter sido encontrado o registo certo.
Sabendo que a melhor forma de dar-se a conhecer era fazer espectáculos e esperar por uma nova oportunidade da editora, apresenta-se ao mundo artístico como António e Variações, nome da orquestra/grupo que pretendia criar. Daí o nome definitivo António Variações.
Em Março de 1981, sob o nome António (autor/intérprete), faz o primeiro espectáculo na discoteca Trumps que, devido ao ruído, provoca alguns problemas com a vizinhança. Não tendo as coisas corrido da melhor forma, regressa ao Trumps para um segundo espectáculo melhor organizado, e canta a música Toma o comprimido. Mais confiante depois de uma actuação bem sucedida convence Júlio Isidro (cliente da barbearia) a ouvir uma cassete com músicas suas. Não demorou muito até ser convidado, ainda nesse ano, a actuar, no programa O Passeio dos Alegres, onde cantou os temas Toma o comprimido e Não me consumas. O primeiro acabaria por se editado apenas em 2006 na colectânea A História de António Variações. Já o segundo seria editado pelo projecto Humanos em 2004.
Sem novidades da parte da Valentim de Carvalho e com um contrato assinado vai para quatro anos, no qual existia o compromisso para a gravação de um disco, fala com o irmão Jaime Ribeiro(advogado) no sentido de pressionar a editora. Em Julho de 1982 é finalmente chamado para entrar em estúdio e iniciar os ensaios para a gravação do primeiro maxi-single Povo que lavas no rio/Estou além. A admiração por Amália era tal que António chegou a fazer a primeira parte de um dos espectáculos da fadista, na Aula Magna, como forma de a homenagear.
Para além de O Passeio dos Alegres em 1981, actua também nos programas da RTP Musicaqui e Retrato de Família em 1982 e Frut`ó Chocolate e Ora Bem em 1983. Os seus videos passam no programa Vivamúsica em 1983.
Ainda neste ano é editado o primeiro LP Anjo da Guarda, com elementos dos GNR como músicos de apoio. O resultado supera todas as expectativas e temas como O corpo é que paga, É p`rá amanhã e Quando fala um português, tornam-se grandes êxitos. No Verão seguinte António Variações é muito solicitado para espectáculos ao vivo por todo o país.
No ano seguinte, durante as gravações do segundo LP Dar e Receber, António começa a evidenciar alguns problemas de saúde. Músicos e técnicos com quem trabalhava julgam tratarem-se de sintomas de fadiga devido ao número excessivo de espectáculos. Ainda assim consegue terminar o álbum que, desta vez, contou com o apoio dos Heróis do Mar. Ainda que bem sucedido, o êxito de Dar e Receber ficou aquém de Anjo da Guarda devido ao falecimento do músico a 13 de Junho de 1984, no Hospital da Cruz Vermelha. Com a sua morte, toda a promoção do álbum teve de ser cancelada. Ainda assim perduraram temas como Perdi a memória, Quem feio ama e Dar e receber. Sobre a sua morte entendo não ser tema que deva aprofundar, abstendo-me de qualquer comentário ou explicação.
2º LP Dar e Receber (1984)

4 – A força da diferença
Apesar de não possuir quaisquer conhecimentos técnicos de música, António sabia muito bem o que pretendia fazer. A célebre frase “ entre Nova Iorque e a Sé de Braga “ é disso o exemplo. O processo criativo era muito “ naif “. Tinha uma ideia e tomava nota (escrevia a letra). Por vezes trauteava e depois gravava em cassete que apresentava à banda para tentar fazer a música. O principal problema era conciliar as letras com as músicas, uma vez que não tinha a noção do tempo musical.
Apesar da sua extravagância (actuava em estúdio como se ao vivo se tratasse), quem com ele trabalhou considerou-o bastante flexível, acabando por aceitar a sua forma de estar. Só assim poderia deitar para fora tudo o que sentia. Como referiu um dos engenheiros de som, António era um “ verdadeiro artista “. A este estilo muito próprio, Carlos Maria Trindade dos Heróis do Mar e Madredeus terá definido como “ estilo António Variações “.
Apesar da imagem excêntrica (roupa colorida e barbas compridas), essa imagem apenas expressava um dos lados da sua personalidade. Segundo testemunhos de pessoas que com ele privaram, António era uma pessoa simples e divertida, embora reservada.
A maneira muito própria de ser e estar na vida não o incomodava, assumindo perante a sociedade a pessoa diferente que era. Muito independente, preservava o seu espaço, sendo o seu invulgar lar o espelho da sua personalidade. Definido por muitos como avançado no tempo, ambicionava por novas experiências o que o levou a viajar para ver mais do que Lisboa lhe podia dar. Destas viagens colheu as tendências que serviram para dar à música popular portuguesa uma roupagem moderna e tornar-se no que sempre quis ser, um artista reconhecido. Em Sempre ausente, Canção do engate e Erva daninha alastrar podemos ficar a conhecer melhor a sua personalidade.
Colectânea com o inédito Toma o comprimido (2006)

5 – Legado
Nos anos seguintes ao seu desaparecimento falar de Variações parecia ser assunto tabu. As circunstâncias que envolveram a sua morte e o atraso social e cultural do país na década de 80 fizeram com que um dos grandes nomes da música portuguesa caísse praticamente no esquecimento. Dificilmente algum músico assumia ter sido influenciado por Variações, ou mesmo o comum cidadão gostar das suas músicas. O pouco reconhecimento da sua obra foi pela primeira vez quebrado com o álbum Tu Aqui de Lena D`Água, editado em 1989, com cinco temas inéditos de Variações. Pelo meio ficaram algumas versões com destaque para Canção do engate dos Delfins. Por altura do décimo aniversário da sua morte foi editado um disco de tributo Variações – As canções de António, no qual participaram nomes como Mão Morta, Três Tristes Tigres, Resistência, Sitiados, Madredeus, Sérgio Godinho, Santos e Pecadores, Delfins, Isabel Silvestre e Ritual Tejo.
Nos anos 90 Fernando Pereira protagonizou uma das mais bens conseguidas homenagens com o espectáculo A Festa da Música de Variações. O filme/documentário Variações de Maria João Rocha, transmitido pela RTP 2 no programa Artes e Letras em 1996, revelou-nos muitas curiosidades e aspectos desconhecidos da vida do artista. No ano seguinte é editada colectânea O Melhor de António Variações e reeditados em CD os seus dois álbuns. De praticamente ignorada, a obra de Variações era finalmente reconhecida e com toda a justiça. Mas de todas as homenagens, a que teria maior impacto seria o projecto Humanos, no ano em que se assinalou os vinte anos da sua morte. Protagonizaram este super-grupo, nomes consagrados como David Fonseca e Manuela Azevedo (da área do rock) e Camané (Fado). Apesar de ter sido pensado em grande, este projecto excedeu em muito as expectativas mais optimistas. Os Humanos não se limitaram a ser meros intérpretes e assumiram-se como um projecto com vida própria e com todo o mérito. Não só acrescentaram valor às suas carreiras de músicos consagrados que já eram, como valorizaram a obra desconhecida de António Variações. Mudar de vida e Maria Albertina foram talvez as músicas mais ouvidas na rádio em 2005, Quero é viver foi um dos temas da novela Ninguém com tu, transmitida pela TVI e Rugas foi o tema escolhido para uma campanha publicitária de um conhecido banco. Passados vinte anos as músicas inéditas de Variações eram novamente cantadas por todos, prova da popularidade dos seus temas: situações comuns do dia a dia, preocupações e reflexões sobre o sentido da vida, com os quais qualquer cidadão se identifica, quando transpostos para refrões que facilmente ficavam no ouvido, garantiram a fórmula do sucesso.
Os números falam por si: mais de 100.000 discos vendidos e três concertos esgotados (dois no Coliseu de Lisboa e um no do Porto), mais a actuação no Sudoeste, um dos pontos altos deste festival. O projecto Humanos foi, sem dúvida, o maior acontecimento musical de 2005, em Portugal, a que se juntaram a edição de uma biografia António Variações - Entre Braga e Nova Iorque, de autoria da jornalista Maria Gonzada e de um CD duplo A História de António Variações, com algumas raridades entre as quais se destaca o inédito Toma o comprimido. Definitivamente estava colocada uma pedra em cima da injustiça e do preconceito que ainda pairavam sobre a vida e obra de António Variações.
Projecto Humanos (2004)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Da Vinci - Hiroxima (meu amor)

Os Da Vinci foram umas das mais interessantes bandas de música portuguesa dos anos 80. Alguém duvida? Os OMD (Orchestral Manouvers in the Dark) deram o mote em 1980, com "Enola Gay". A canção falava da bomba atómica largada sobre Hiroxima (ou Hiroshima), no final da II Guerra Mundial, transportada pelo bombardeiro B-29 chamado, precisamente, Enola Gay. Em 1982, os Da Vinci respondem aos OMD com este "Hiroxima (meu amor)".
Sim, porque a pop electrónica emergente dos anos 80 não passou ao lado de Portugal, e os Da Vinci, a par dos Heróis do Mar, mostravam à malta das guitarras quem percebia de sintetizadores em terras lusas. Se os Heróis do Mar ainda hoje transportam a bandeira da música portuguesa dos anos 80 (na verdade, um galhardete), os Da Vinci ficaram perdidos. Quer dizer, depois disso resolveram meter-se nos festivais e ficaram mais conhecidos pelo festivaleiro "Conquistador"... Mas antes disso, meus amigos, fizeram do que mais melódico há no início da década louca de 80. "Hiroxima (meu amor)" apetece ouvir. Portanto, façam favor de carregar no play do vídeo.







segunda-feira, 9 de junho de 2014

ROLLING STONES - "Some Girls", lançado há 36 anos

O ano de 1978 foi particularmente feliz para os Rolling Stones. Apaziguando o frenezim socialite de Mick Jagger e questões psicotrópicas com a autoridade de Keith Richards, os glimmer twins assinaram o seu primeiro grande disco desde "Exile On Main Street".
Nas rádios assistia-se ao domínio do disco sound e do punk e parecia que o mundo dos Stones tinha sido varrido, remetendo o grupo para o estatuto inexorável de old farts. Atentos às mudanças, construiram um disco coeso e com variados pontos de interesse.
As diversas correntes seriam abordadas em "Some Girls". Começando na abertura disco de "Miss You", abrilhantada pela harmónica de "Sugar Blue", o punk óbvio de "Respectable" e o country de "Far Away Eyes".  No "novo" disco dos Stones havia também espaço para uma grande balada: "Beast Of Burden".
Nas décadas seguintes, os Rolling Stones assinaram vários trabalhos de interesse: "Tattoo You", "Steel Wheels", "Voodoo Lounge" ou "A Bigger Bang", mas foi há 36 anos que provaram saber responder aos desafios das novas gerações musicais.

domingo, 18 de maio de 2014

Ian Curtis, o primeiro mártir dos anos 80 morreu há 34 anos

Ian Curtis, o vocalista dos Joy Division, morreu a 18 de Maio de 1980, na sua casa de Macclesfield.
O epitáfio de Ian Curtis, no cemitério de Macclesfield, Cheshire, nas imediações de Manchester, não poderia ser mais apropriado: "Love Will Tear Us Apart". A canção, que hoje é um clássico da iconografia pop-rock, perdura como registo autobiográfico de uma estrela tão ascendente quanto suicida.

Lançado postumamente, "Love Will Tear Us Apart" foi o tema mais funesto gravado pelos Joy Division e o "single" do grupo que mais subiu na tabela de vendas inglesa (um modesto 13.º lugar). A canção já conheceu várias versões (de Paul Young aos Nouvelle Vague) e foi nomeada para o prémio de melhor tema dos últimos 25 anos da música britânica (ganhou Robbie Williams...).

Juntamente com "Closer", segundo álbum de originais, o tema contribuiu para imortalizar uma banda cuja importância é inversamente proporcional à sua duração e transformar Curtis no primeiro mártir rock dos anos 80. Anos que não viveu de todo, mas que influenciou como ninguém.

Ian Curtis suicidou-se na sua casa de Macclesfield a 18 de Maio de 1980, depois de assistir a um filme de Werner Herzog e de ouvir "The Idiot", de Iggy Pop. Morreu prestes a partir para uma digressão pelos EUA, de forma aparentemente premeditada, no auge da carreira do grupo e depois de concluído um dos seus sonhos: ser capa do "New Musical Express".

As suas últimas canções eram já bilhetes desesperados de despedida, resultado de uma vida amorosa tortuosa e de uma epilepsia que nunca quis assumir frontalmente. As duas últimas letras que escreveu, as de "Ceremony" e de "In a Lonely Place" (com que os sucessores New Order se estrearam), são esclarecedoras quanto às suas intenções lúgubres. Assim como as imagens de "Closer".

Punk ou post-punk?

Peter Saville, o "designer" das capas do grupo e da esmagadora maioria dos discos da defunta Factory Records, escolhera sem saber a mortalha ideal para o vocalista dos Joy Division: as fotografias do cemitério de Staglieno, em Génova, da autoria de Bernard Pierre Wolff. Vinte e cinco anos depois, Saville reconheceu, à "Mojo", que Curtis fizera da capa de "Closer" mais uma nota para o seu suicídio.

“Os Joy Division não eram punk, mas eram directamente inspirados pela sua energia”. Jon Savage, uma das vozes críticas essenciais dos anos 80, sabe o que diz. No início, o grupo chegou a chamar-se Warsaw, em homenagem a David Bowie (o primeiro tema do lado B de "Low" chamava-se "Warszawa"), quando pelo palco do Electric Circus passavam os The Buzzcocks, os The Fall e outras bandas que faziam de Manchester o pólo criativo que varreu o final da década de 70 e da década seguinte.

A proximidade fonética com o nome de uma banda que nunca deixou a obscuridade foi o argumento para a mudança de nome para Joy Division — a ala dos campos de concentração nazis destinada ao trabalho sexual forçado.

The Animals gravam “The House of The Rising Sun”

Há 50 anos… dia 18 de maio de 1964.

The Animals foi uma banda inglesa que apanhou boleia na British Invasion do início dos anos 60. A explosão e o auge aconteceram com a mítica “The House of The Rising Sun”, gravada há exactos 50 anos, em apenas um take.
A música tem uma história fascinante. Não se sabe quem a compôs e muito menos quando foi escrita. A letra fala de um lugar em New Orleans, a “Casa do Sol Nascente” (em tradução livre), onde pobres homens têm arruinado as próprias vidas em apostas e pecados. Impossível dizer se o local é um bordel ou uma prisão e se o narrador é uma prostituta, um(a) prisioneiro(a) ou um apostador. O americano Alan Lomax, historiador e pesquisador de música folk, foi atrás das origens da canção e registou versões de artistas de Kentucky, nos Estados Unidos, e de outros lugares no país. Segundo pesquisas, a melodia tem origens em baladas britânicas, mas também na tradição do folk americano. Também não se sabe quando e onde os Animals ouviram e se encantaram com “The House of The Rising Sun”. Cada integrante da banda na época contava uma história diferente. Eric Burdon, o vocalista, diz que ouviu a música num concerto em Newcastle, norte de Inglaterra, onde nasceu o grupo. Hilton Valentine, o guitarrista, garante que a conheceu na voz de Bob Dylan (a música está no primeiro álbum de Mr. Zimmerman, de 1962).
Versões e histórias à parte, o certo é que os Animals começaram a tocar a música quando estavam em digressão pelo Reino Unido com Chuck Berry, em 1964. O encerramento dos concertos com “The House of The Rising Sun” provocava furor na plateia, hipnotizada pelos riffs de Valentine e pelo teclado de Alan Lomax. Entre uma performance e outra, voltaram para Londres e entraram no estúdio. O baterista John Steel relembra que a banda se apresentou em Liverpool no dia 17 e viajou no dia seguinte para a capital, onde Mickie (Most, produtor da banda) tinha alugado um estúdio. Afinaram os instrumentos, tocaram alguns acordes para acertar o som e mandaram ouvir. Em apenas um take, a música estava gravada.
Lançada como single a 19 de Junho no Reino Unido e em Agosto nos EUA (em versão editada, de 2min58s), “The House of The Rising Sun” chegou ao top britânico em Julho e ao americano em Setembro. Os Animals quebravam, assim, a hegemonia dos Beatles, até então os únicos britânicos a chegarem ao #1. A música também foi sucesso absoluto na Suécia, no Canadá e na Finlândia.
“The House of The Rising Sun” foi gravada por outras bandas e artistas, mas nenhuma versão atingiu o sucesso dos Animals, que começaram a desintegrar-se em 1965.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

THE WATERBOYS - The Whole Of The Moon...

"The whole of the moon" dos The Waterboys de Mike Scott é uma grande música! Daquela que fica para a posteridade e é produzida sem uma data na pauta. "The whole of the moon" chega até nós com a mesma frescura com que foi editada nos anos 80, mais exatamente em 1985; nem se deu por ela, mas correu uma maratona de tempo e está pronta para correr outras mil. Quando chegarmos ao século XXII, ainda se ouvirá com todo o prazer.
"The Whole of the moon" é um portento melódico e poético. E como tudo o que é enorme, só se vê a alguma distância. Esta música foi originalmente publicada em 1985, como uma das faixas de "This is the sea", não tendo recebido grande atenção do público. Foi preciso esperar por 1991 para que "The whole of the moon" sofresse uma reedição e fosse ovacionada. E ainda hoje a ovacionamos.
The Waterboys continuam vivos e a dar música. E porque vale mesmo a pena, aqui fica o vídeo desta música intemporal!

THE CURE - Catch...

Robert Smith passou os anos 80 a tentar perceber como se usa o batom e não se saiu bem. Na música, no entanto, teve mais sucesso. "Kiss me, kiss me, kiss me", o álbum de 1987, catapultou os "The Cure" para a estratosfera das estrelas da música. "Catch", uma das mais discretas músicas deste álbum, acabou por ser escolhida para ser um dos singles, sem se perceber muito bem porquê. "The Catch" é uma música bonita, contida, melódica, bem educada e controlada, mas sem o arrojo e o desconserto habituais. Todavia, ouve-se muito bem e tem uma letra bonita. E por isso fica aqui registada. Prometo um dia destes voltar aos The Cure. Afinal, haveria música dos anos 80 sem os The Cure? Claro que sim, mas não era a mesma coisa

quarta-feira, 7 de maio de 2014

FRANKIE GOES TO HOLLYWOOD - The Power Of Love

Jennifer Rush não foi a única a ter sucesso com uma música, nos anos 80, chamada "The power of love". Na altura, o poder era sobejo e muitas bandas granjeavam sucesso à custa da invenção da maldição de Cupido. Na verdade, o amor vendeu mais na década de 80, do que outro tema qualquer (paradoxalmente, Madonna bradava aos sete ventos ser uma material girl). Cientes disto, os Frankie Goes to Hollywood, resolveram pegar no amor, falar de vampiros, e entraram directamente para o top "As músicas cujo título é The Power of Love e foram lançadas nos anos 80". Sim, porque há ainda outras com o mesmo título. E esta é particularmente melosa. Mas é boa música, muito boa. E com classe. Foi o terceiro single do álbum Welcome the de Pleasuredome, de 1984, e tornou felizes e elevados os espíritos natalícios. Dezembro de 1984 celebrou, provavelmente, o Natal mais quente da história dos 45 RPM. Por essa altura, desceu pela chaminé o single Do they know it's Christmas?, do colectivo Band Aid, o mais vendido da história dos singles nas terras de sua majestade - pelo menos até 1997, quando o tributo de Elton John à malograda princesa Diana de Gales o destronou. The Power of love também fica para a história: para mim, é a melhor música dos anos 80 chamada The Power of Love.