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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Beatles lançaram "White Album" há 50 anos.

"White Album" foi editado a 22 de novembro de 1968.

"White Album", considerado o disco menos 'disciplinado' dos Beatles, foi lançado a 22 de novembro de 1968, há exatamente 50 anos. O álbum foi gravado entre maio e outubro e conta com canções compostas depois de "Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band" (1967).
Originalmente, o álbum da banda britânica não se chamava  "White Album", mas apenas "The Beatles". Ao contrário dos discos anteriores, que mostravam os membros do grupo na fotografia, a capa deste álbum era apenas um fundo branco com um título em letras pequenas, passando a ser conhecido como "o álbum branco".
“The White Album” foi o primeiro álbum dos Beatles lançado pela própria editora do grupo, a Apple Records. O registo duplo tornou-se um êxito, que entrou diretamente para o primeiro lugar do top de vendas do Reino Unido, mantendo-se durante oito semanas na liderança.
O disco também entrou para o número um da tabela de vendas dos Estados Unidos, onde se manteve durante nove semanas. Nos EUA, o álbum conquistou 19 Galardões de Platina e no ano 2000 entrou para o Hall of Fame dos Grammys.
"Back in the U.S.A.", " Ob-La-Di, Ob-La-Da", canção escrita por Paul McCartney que se tornou num dos sucessos da banda, "Happiness is a Warm Gun", "Martha My Dear" e "Blackbird" são algumas das 30 canções que fazem parte de "White Album".
Uma das críticas frequentes ao disco é que seria demasiado longo. George Martin, falecido produtor e diretor musical dos Beatles, revelou que tentou agradar à banda. "Fiz uma seleção das melhores canções. Queria colocá-las num LP único, mas eles não quiseram saber", contou.
John Lennon, por exemplo, insistiu em incluir “Revolution 9”, uma colagem de ruídos e efeitos sonoros que o músico elaborou ao lado da sua companheira, Yoko Ono.
"Durante 50 anos, o 'The White Album' convidou os ouvintes a aventurarem-se e a explorar a amplitude e a ambição da sua música, deliciando e inspirando novas gerações', frisa a Universal Music, que lançou este mês uma  reedição especial do disco.
"Os 30 temas do álbum foram novamente misturados pelo produtor Giles Martin e pelo engenheiro de som Sam Okell em stereo e 5.1 surround áudio, juntamente com 27 maquetes acústicas e 50 sessões de estúdio, a maioria delas nunca editadas até hoje", explica a editora.

domingo, 26 de agosto de 2018

"Hey Jude" faz hoje 50 anos...

É uma das mais conhecidas canções dos Beatles e uma das melhores composições de Paul McCartney. Esta é a sua história e como Lennon admitiu ser a melhor canção de Paul.
"Nahnahnahnahnahnahnahnahnah, hey Jude". Faz este domingo 50 anos que os Beatles lançaram Hey Jude, uma das suas canções mais reconhecíveis e um dos primeiros hinos de estádio da história.
Saída da cabeça de Paul McCartney – nesta altura já eram raras as composições que juntavam os esforços de John Lennon e Paul McCartney desde o início -, a canção serve inúmeros propósitos, desde canções no final de festas académicas, canções escolhidas em karaokes, viagens de carro e para acabar noites em discotecas onde o saudosismo é rei. Ah! E para ouvir apenas e simplesmente porque sim.
Mas olhemos para o carácter inovador de Hey Jude. Milhões de pessoas desde o século XIX conseguem trautear a melodia do quarto movimento da nona sinfonia de Beethoven (comummente apelidado de Hino da Alegria). Mas não serão assim tantos aqueles que sabem as palavras do poema cantado pelo coro de cor. E mesmo temas mais recentes como "We Are The Champions" ou "We Will Rock You" (ambos dos Queen) são mundialmente conhecidos e entoados em eventos que juntam milhares. Mas também não serão todos os que sabem de cor a letra destas canções. Os Beatles aliaram a simples melodia do Hey Jude com um factor diferenciador: os "nananananas". Esta sílaba facilmente pode ser repetida por pessoas do mundo inteiro, o que torna mais fácil entoar o tema dos Fab Four. Mas daí advém uma ironia. Embora seja provavelmente a mais fácil canção dos Beatles de entoar por milhares de fãs em uníssono, nunca foi tocada ao vivo. Composta em 1968, a canção foi editada nesse mesmo ano, já depois dos Beatles se terem retirado dos concertos ao vivo, alegadamente, por não se conseguirem ouvir a eles mesmos devido aos gritos dos fãs.

Composição a três
A canção "surgiu" a McCartney  como aconteceu com tantas outras dezenas. Uma melodia simples, com um tom luminoso. Acordes ao piano e a voz do músico para começar um tema que era dedicado ao filho de John Lennon, Julian Lennon. O pai tinha deixado Cynthia para se juntar a Yoko Ono e McCartney brincava muito com a criança.
Como lembra o jornal The Guardian, o facto de ir a conduzir obrigou McCartney a manter o tema simples, sem complicar demasiado a melodia, que acabaria por ficar, apesar do nome original da canção ter sofrido alterações: de Hey Jules para Hey Jude.
Embora já não compusessem juntos, Lennon e McCartney depositavam ainda um no outro a confiança para mostrar os temas. Se Lennon compunha algo, mostrava a Paul e vice-versa. E curiosidade, quando Hey Jude foi tocada pela primeira vez a Lennon, este terá afirmado de imediato: "É sobre mim!", ao que McCartney terá respondido: "Não, é sobre mim!". Afinal a canção já não era apenas para Julien.
Foi já depois de a canção ter passado pelo crivo de Lennon que foi mostrada aos restantes Beatles e, em vez de uma simples melodia ao piano passara a ser uma longa canção (com mais de sete minutos, um dos temas mais longos da carreira dos Beatles) com um crescendo instrumental e vocal, bateria e instrumentos musicais.
O produtor George Martin – o quinto Beatle por excelência – mostrou preocupações pela duração da canção, argumentando que os radialistas não a iriam passar até ao fim. "Passam se formos nós", respondeu Lennon. E estava certo, como provou a história.
Mas Martin não se iria calar e acabou mesmo por introduzir as suas ideias no tema: contratou uma orquestra e transformou uma canção "simples" num tema onde participaram mais de 40 pessoas (quatro Beatles e 36 membros de orquestra).
Será Hey Jude a melhor canção dos Beatles? É impossível afirmá-lo, numa banda que tem temas tão icónicos como Yesterday, In My Life, Tomorrow Never Knows ou Let it Be.
No Spotify, a canção mais ouvida da banda no dia 26 de Agosto de 2018 era Here Comes the Sun (tema de Harrison). O mesmo acontece no Apple Music. Mas a canção Hey Jude (duas vezes maior do que o tema de Harrison) aparece em quarto e quinto lugar, respectivamente, mostrando que é apreciada muito mais que QB. Já no YouTube, Here Comes the Sun soma mais de 14 milhões de visualizações no vídeo mais visto da gravação feita pela banda – a versão de Nina Simone tem 17 milhões -, enquanto Hey Jude tem mais de 119 milhões de visualizações.
Mas tomando como certa a opinião de um dos melhores compositores populares do século XX – John Lennon -, Hey Jude é a melhor canção de Paul McCartney. E isso não é dizer pouco.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

THE BEATLES editaram "Abbey Road" há 48 anos.

Entre aspirantes a músicos é comum dizer-se que a prova de fogo advém de se saber interpretar um tema dos Beatles. Normalmente, a escolha recai em "Help" ou "Revolution" assumindo-se, e bem, que a partir daí não serão necessários muitos acordes para obter resultados artísticos satisfatórios. O meu contacto inicial com os Fab Four aconteceu com a colectânea "20 Greatest Hits", de 1982. Os primeiros afloramentos do mito vieram ao som de "She Loves You" e "A Hard Day´s Night", mas ainda não eram suficientes para um chamamento total.
 Seriam precisos sete anos e a descoberta do LP "Abbey Road", para entender o que eram os Beatles e o porquê da sua longevidade. À partida, o álbum de 1969 representava a derradeira gravação do conjunto, embora "Let It Be" fosse o último trabalho a ser editado. O acontecimento, por si só, conferia um estatuto especial ao disco da famosa passadeira londrina e lançava uma questão pertinente: Seria possível repetir a magia dos álbuns anteriores ?
A ideia inicial do produtor George Martin, mas também de Paul McCartney, consistia em fazer com que a banda pensasse em termos sinfónicos e numa combinação de uma ou mais músicas tocadas em conjunto, visando a obtenção de uma peça musical única. Para John Lennon, tudo se resumia a uma série de temas lineares e a condensação em diferentes vinhetas era pouco satisfatória. Tudo se resolveria e a solução de compromisso seria adoptada, contemplando as duas linhas de pensamento.
A edição ocorreu a 26 de Setembro de 1969 e o produto final era convincente. As honras de abertura caberiam a Lennon com o excelente blues rock de "Come Together", que incluía uma notável linha de baixo de McCartney e um elegante refrão pop. Por seu turno, George Harrison fazia progressos assinaláveis, compondo uma das mais belas baladas de sempre, "Something", encontrando a inspiração na sua mulher Pattie Boyd. A alternância às várias canções Lennon/McCartney e às duas de Harrison seria quebrada pelo único tema de Ringo Starr, "Octopus´s Garden". Nele, encontramos um agradável exercício country com um solo de guitarra encantador. Um dos pontos altos de um trabalho que não tem pontos baixos é "Because". A inspiração de Lennon para compor o tema foi a Moonlight Sonata de Beethoven, tocada ao contrário por Yoko Ono. Realce para a belíssima harmonia vocal e letras simples, abrilhantadas por um sintetizador moog.
A parte de leão do outrora lado B caberia a McCartney com o seu medley, juntando pequenas melodias conjugadas entre si. Dentro desse notável segmento da arte popular do século XX, não há como escapar a "You Never Give Me Your Money" e a "Golden Slumbers". A primeira peça representava a tradução musical de uma separação eminente e de negociações sem vista à vista: "You never give me your money / You only send me your funny papers". O fundo musical consisitia numa balada ao piano a que se juntariam harmonias vocais, para irromper numa torrente de guitarras.
Para compor "Golden Slumbers", McCartney inspirou-se numa canção de embalar do século XVII, de Thomas Dekker, criando uma melodia original e intemporal. É impossível ficar indiferente a "Abbey Road" e aos seus momentos de pura beleza, vide o solo de guitarra de Harrison em "Carry That Weight". Na realidade, os Beatles nunca tocaram ou cantaram juntos com tanto brilhantismo e coesão depois de "Revolver". As diferentes sensibilidades e as circunstâncias que o envolveram fazem dele o mais apropriado canto do cisne da melhor banda de sempre.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Há 50 anos os Beatles fizeram “Revolver” e mudaram o mundo

Nasceu no estúdio, nunca foi tocado ao vivo mas transformou-se num disco fundamental na história da pop. "Revolver" faz 50 anos e continua a motivar a pergunta: será este o melhor álbum dos Beatles?
Todos os discos dos Beatles são bons, mas Revolver é melhor do que os outros. A afirmação é certamente discutível, como são todas as considerações definitivas sobre eventuais “melhores de sempre” seja de quem for, quanto mais dos Beatles. Mas é verdade que Revolver é um dos discos mais importantes e arrojados da banda de Liverpool, uma obra de rutura e procura de nova identidade, tanto sónica como existencial. Foi lançado há 50 anos e continua a ser revolucionário.
A capa de “Revolver” foi desenhada pelo alemão Klaus Voormann
O processo já tinha começado no álbum anterior, Rubber Soul, editado em 1965, menos de um ano antes, mas foi com Revolver que os Beatles começaram de facto a ter outra pele. Em 1966, os quatro de Liverpool estavam numa situação difícil. Cada vez menos confortáveis em palco, onde a sua presença era constantemente exigida mas raras vezes ouvida (tal era o ruído provocado pelas fãs histéricas durante os espetáculos), não conseguiam escapar à fama e aos hits de sempre. O facto daquele momento, em meados dos anos 60, ser um globalmente inspirador em várias esferas artísticas, com uma geração de criadores à procura de novos desafios, ajudou os Beatles a libertarem-se do estigma de rapazes aprumadinhos com canções pop infalíveis. O psicadelismo emergia e tanto George Harrison como John Lennon estavam muito interessados nas portas da perceção que isso poderia abrir-lhes. E enquanto McCartney se interessava por música clássica e apurava rigor e sofisticação na composição, os outros divergiam para territórios mais sujos. Com Revolver, os Beatles deixaram de ser uma banda de singles e passaram à fase adulta, discos com conceito, construídos em estúdio, usando os recursos técnicos à disposição e experimentando com eles.Revolver terá usado 300 horas de estúdio, algo perfeitamente megalómano para a época. Só “Yellow Submarine” (que Ray Davies, dos Kinks, na altura crítico de musica, considerou uma “porcaria” – “a load of rubbish”, nas palavras do artista) levou mais tempo a gravar que todo primeiro álbum do grupo e teve gente como Brian Jones e Marianne Faithfull nos coros.
Overdubs, fitas a andar ao contrário, ruído, repetição e saturação, mas também canções sem guitarras, o som dos Beatles ficou mais denso e desafiante e afastou-os definitivamente dos palcos. Nenhuma das canções de Revolver chegou a ser tocada ao vivo. Era demasiado complicado fazê-lo e o grupo deixou de dar concertos um mês depois da saída do disco.

Comecemos pelo fim. Em “Tomorrow Never Knows”, que alguns apelidam a canção mais influente de sempre (até os Chemical Brothers confessam ter sido marcados por ela), Lennon inspirou-se nos escritos de Timothy Leary sobre LSD e o Livro Tibetano Dos Mortos, usou guitarras e cítara a tocar ao contrário, sons de orquestra, vozes processadas, transformou o riso de McCartney no grito de uma gaivota e deu a Ringo espaço para fazer o break de bateria mais hipnótico da pop. Tudo isto pode parecer corriqueiro em 2016 mas, há 50 anos, estas explorações estavam reservadas à música concreta e à library music, não eram do universo pop.

“I’m Only Sleeping”, também de Lennon, partilha do mesmo espirito lisérgico, usa gravações ao contrário e anuncia um novo universo de experimentação sónica. “She Said She Said”, não sendo das canções mais proeminentes, parece ter em si, ou no evento que lhe deu origem, as sementes da mudança. A canção surgiu das memórias de uma festa em Los Angeles, em que Lennon tomou LSD com Roger Mcguinn e David Crosby, dos Byrds, e expulsou Peter Fonda da mansão onde estavam porque tinha acabado de ver o novo filme de Jane Fonda (“Cat Ballou”) e não conseguia lidar com os dois irmãos em simultâneo. Esta festa tem contornos míticos e diz muito sobre o estado de espírito dos elementos da banda na altura. Lennon e Harrison tinham experimentado LSD uns meses antes (com o dentista de Harrison, supostamente a figura por detrás da canção “Doctor Robert”) e ambos queriam que Ringo e McCartney fizessem o mesmo, o que estava planeado para esse dia de folga.
Ringo terá concordado sem hesitação com o ritual “iniciático”. McCartney recusou e, segundo entrevista de Lennon à Rolling Stone, foi gozado por isso. Foi nesse dia, nessa festa, que Harrison descobriu Ravi Shankar, quando os Byrds tentaram reproduzir a sua música numa guitarra que passava de mão em mão (o que teve consequência em “Norwegian Wood”, de Rubber Soul, a primeira canção ocidental a usar cítara). A experiência terá sido determinante também para Lennon que, um ano depois escreveu “She Said She Said”. A gravação exigiu horas de ensaio antes de chegar ao ponto que Lennon queria, uma canção à beira do colapso, ritmicamente irregular, estranha e poderosa.
É verdade que, em Revolver, é a turbulência emocional e filosófica de Lennon que alimenta a mudança e o lado mais experimental dos Beatles, mas McCartney ganha cada vez mais protagonismo, não só contribuindo de forma decisiva em todo o disco, mas sobretudo assumindo a autoria de algumas das canções mais notáveis, como “Good Day Sunshine”, “For No One” ou “Here, There and Everywhere”, que lembra inevitavelmente Brian Wilson e é muitas vezes comparada a “God Only Knows” (convém lembrar que, na altura, Beatles e Beach Boys desafiavam-se mutuamente: Pet Sounds, a obra suprema dos Beach Boys, foi uma resposta a Rubber Soul e terá motivado Sgt Pepper’s… como uma espécie de contra ataque da banda de Liverpool aos surfistas californianos. Wilson por seu lado iria responder a Sgt Pepper’s… com Smile).
Já a “Yellow Submarine”, costumam ser apontadas semelhanças com Bob Dylan. “Eleanor Rigby”, canção de gestação caótica, também é creditada como sendo de McCartney mas é uma das poucas que teve contributo de todos os Beatles. Apesar de triste e desencantada (é sobre uma mulher que morre sozinha) chegou a número 1 do top, onde se manteve várias semanas, e continua a ser das canções mais conhecidas dos Beatles. Só tem cordas e voz e, na sua construção, George Martin inspirou-se nas bandas sonoras dos filmes de François Truffaut.
Revolver é também o disco que finalmente dá protagonismo a George Harrison. Toda a influência indiana vem dele, mas há mais que surge do mesmo génio. Harrison assina três canções: a faixa de abertura, “Taxman”, é uma canção de protesto nascida das preocupações com a carga fiscal em Inglaterra, tem algo de Staxx e Motown e há quem aponte ecos de “I Got You” de James Brown, um hit na altura. “I Want To Tell You” e “Love To You” (onde dá largas à paixão pela musica indiana respeitando as suas técnicas e instrumentação) são as outras canções dominadas por Harrison e confirmam-no como compositor de argumentos próprios, um feito difícil, tendo em conta a presença e a rivalidade crescente entre Lennon e McCartney.
Um ano depois, Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band veio exacerbar tudo e ganhou o consenso universal, mas é em Revolver, disco que quase se chamou Abracadabra, que de facto começou a transformação da banda de Liverpool. A música pop também nunca mais foi a mesma.

domingo, 8 de maio de 2016

THE BEATLES editaram "Let It Be" há 46 anos.

"Let It Be" - 08 de Maio de 1970

Apesar de ter saído em 1970, na verdade foi gravado no início de 1969. "Let It Be" foi mais uma ideia de McCartney, que sugeriu que a banda regressasse aos palcos. Os ensaios para os concertos seriam filmados e disso sairia um filme. 

Na teoria tudo muito bom, mas na prática a coisa foi diferente. Após anos só a tocarem em estúdio, os quatro já não tinham o mesmo entrosamento de antes. As filmagens deveriam ser feitas nos horários estabelecidos pelo sindicato da indústria cinematográfica, o que significava que deveriam começar logo pela manhã. 

A presença da nova namorada de John, Yoko Ono, também incomodava os outros e ficou logo claro que os tais concertos não iriam ocorrer. As discussões eram constantes e dessa vez foi George quem não aguentou mais e pediu para sair, cansado do feitio autoritário de McCartney (Harrison também reconsiderou rapidamente a sua decisão).

As coisas começaram a melhorar com a chegada do teclista Billy Preston e assim "Let It Be", "Across The Universe", "Get Back" e "Two of Us", foram tomando forma. Como eles precisavam de um clímax para o filme e os concertos tinham sido abortados, a decisão foi a de fazer uma apresentação surpresa no próprio telhado da Apple, no que seria a última aparição pública dos quatro.

O material resultante, que deveria sair num álbum chamado "Get Back", não se mostrou o bastante forte e o projecto foi encaixotado. 

Em 1970, com o filme para sair e com a banda já praticamente extinta, era preciso dar um jeito naquelas músicas. Para isso, o produtor Phil Spector, que reinou no início dos anos 60, foi chamado. Phil fez o que seria esperado dele: encheu as fitas originais com orquestras e overdubs, traindo assim o espírito original de "rock básico" do projecto. A decisão enfureceu McCartney, que nunca o perdoou pelo arranjo sentimental criado para "The Long And Winding Road". Foi com esse disco que o mundo "velou" o fim dos Beatles e por que não dizer, dos anos 60 como um todo.

Em 2003 foi lançado "Let It Be Naked", com algo mais próximo à ideia original do disco. O resultado dividiu fãs e críticos. No fim de contas, o melhor é ficarmos com a versão que saiu em 1970, mesmo com as suas falhas mais do que evidentes.

Tracklist do disco:
The Beatles - Let It Be

1. "Two of Us"
2. "Dig A Pony"
3. "Across The Universe"
4. "I Me Mine"
5. "Dig It"
6. "Let It Be"
7. "Maggie Mae"
8. "I've Got A Feeling" 
9. "One After 909"
10. "The Long And Winding Road"
11. "For You Blue"
12. "Get Back"

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

THE BEATLES editaram "Love Me Do" há 53 anos

THE BEATLES - ‘LOVE ME DO’

Parlophone, 1962

Foi há 53 anos. A 5 de outubro de 1962 um grupo de quatro rapazes de Liverpool editava um single, nascido depois de três sessões de gravação em estúdios de Londres. Animado pela presença da harmónica tocada por John Lennon, 'Love Me Do’ está longe de ser um dos maiores sucessos da obra dos Beatles, mas transporta aquela carga mítica de ter sido o primeiro. E começaram muito bem, convenhamos…

domingo, 14 de junho de 2015

‘Yesterday’ faz 50 anos

A canção de Paul McCartney para os Beatles é recordista em número de versões na história.
Tudo começou numa manhã de Maio de 1965. Paul McCartney ficou com uma melodia na cabeça após um sonho e já não conseguiu esquecê-la. O que parecia ser uma brincadeira da sua mente, transformou-se numa das melodias mais conhecidas da história da pop pelas mãos dos The Beatles. Segundo palavras do próprio, era como uma velha melodia de jazz, como as que o seu pai costumava cantar e que o fazia regressar ao passado.
Já a letra, foi outra história. Conta a lenda que o seu autor cantarolava como primeiro verso “scrambled eggs, oh baby, how I love your legs” (“Ovos mexidos; oh meu amor, como gosto das tuas pernas”). Repetiu esta frase durante dias, mas no final, durante uma viagem a Portugal com a sua namorada daquela altura, Jane Asher, compôs os versos certos.

A canção foi finalmente gravada a 14 de Junho de 1965. Depois de uma passagem com John Lennon no órgão Hammond, o produtor George Martin sugeriu a McCartney usar um quarteto de cordas. McCartney inicialmente resistiu e respondeu: “Não quero ser um Mantovani – em referência ao compositor de música instrumental italiano, que costumava tocar naquela época em auditórios de Londres –“. Mas o certo é que sem esses acertos, a canção não teria sido a mesma.

Yesterday foi lançada no álbum Help!. Tem a honra de ser a canção com mais versões da história, de acordo com o Livro Guinness dos recordes. Entre as suas mais de 1.500 versões, são famosas as cantadas por Frank Sinatra, Aretha Franklin, Elvis Presley e Willie Nelson. Esse monólogo interior de McCartney tem uma melancolia mágica. É quase impossível não ser seduzido por ela.

Estas são cinco das versões mais célebres de todos os tempos:

1. ELVIS PRESLEY

O Rei do rock nunca se entendeu com os Beatles, os quais via como o fruto de uma geração, a da contra-cultura, com a qual não sintonizava. De facto, o encontro entre os Fab Four e Presley não foi frutífero, nada parecido com o que tiveram com Bob Dylan. Presley, entretanto, gostava de criar versões de algumas das baladas dos Beatles, ideais para a sua garganta galáctica.

2. WILLIE NELSON

O pai dos fora-da-lei do country traz Yesterday ao seu campo, fazendo uma das versões mais emocionantes de todos os tempos. Com a sua voz profunda e pletórica, Nelson coloca jeans na balada de McCartney, substituindo as cordas por uma guitarra simples, mas efectiva, como se tivesse sido escrita para ser cantada numa cantina do Texas.

3. FRANK SINATRA

A Voz sempre renegou o rock e afirmava que este ritmo corrompia os jovens. Mas não pôde resistir a cantar uma canção que estava no topo de todo um movimento musical. Com a sua grande roupagem pop, Yesterday era uma balada intergeracional e Sinatra soube conservar a sua poderosa carga melancólica na sua proposta de jazz vocal. As cordas continuam a ter um papel essencial, mas, nesta ocasião, desdobram-se num sentido jazzístico mais sugestivo e lento.

4. ARETHA FRANKLIN

A mais espectacular voz feminina da soul e, possivelmente, de toda a história da música popular, não podia deixar de colocar o seu espírito nesta canção eterna. Com o seu timbre divino e penetrante, Aretha Franklin veste Yesterday com as suas roupas de gala vocais. Entre o jazz e a soul, a sua versão é talvez a mais nostálgica de todas as gravadas por qualquer outro artista.

5. RAY CHARLES

Um dos pilares da música afro-americana deu à música o seu essencial toque ao piano, ao qual acrescentou o seu modo particular de cantar, muito mais lento.

Uma canção eterna....

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A vitalidade do Álbum Branco

O ano de 1968 ficou marcado por várias convulsões políticas e sociais. No Vietname, a guerra entrava numa escalada que parecia adiar sine die a possibilidade de uma resolução pacífica do conflito. Internamente, os Estados Unidos da América assistiam a dois importantes assassinatos: Martin Luther King, o grande defensor da integração racial dos negros e Robert Kennedy, senador e candidato à investidura democrata nas eleições presidenciais desse ano. Em França, uma série de greves estudantis resultou numa das mais importantes afrontas aos valores da velha sociedade. O Maio de 68 teve implicações políticas muito vastas e para muitos filósofos e historiadores foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX. Os Beatles estavam atentos e o lado B do single "Hey Jude" reflectia as mudanças: "You say you want a revolution well, you know, we all want to change the world". Pouco tempo depois, os Fab Four começam a gravar aquele que seria o seu trabalho mais diversificado e um dos mais ecléticos de qualquer outra banda pop na história. À partida, o duplo Álbum Branco consagrava uma vontade de regresso às origens, expressa na sua capa de fundo branco. No entanto, os tempos também não estavam fáceis para os Beatles. Mal refeitos da morte do seu empresário, Brian Epstein, um ano antes, procuravam navegar contra a maré da desorientação. A tensão em estúdio era evidente: George Harrison e Paul McCartney discutiam frequentemente, a presença de Yoko Ono começava a fazer-se sentir, inúmeras reuniões de negócios e visitas demoradas completavam o rol de acontecimentos. Na ressaca do psicadelismo, as gravações do Álbum Branco foram definidas na perfeição por John Lennon: "Se olharmos para cada uma das canções, era apenas eu e uma banda de suporte, o Paul e uma banda de suporte. Eu gostei, mas acabámos pouco depois".
De qualquer modo, o resultado musical foi brilhante. Um maravilhoso caos espalhado em 30 canções. O tema de abertura, "Back in the U.S.S.R.", traduz a maior aproximação ao universo dos Beach Boys, com Paul McCartney aos comandos da bateria. "Dear Prudence" mostra um Lennon inspirado no episódio Maharishi, assinando uma das suas melhores baladas, com alguns laivos psicadélicos. Por seu lado, George Harrison estava cada vez mais prolífico: "Savoy Truffle", "Piggies", "Long Long Long", mas, principalmente, "While My Guitar Gently Weeps". Os progressos evidenciados na última faixa, denunciam um espírito que está pronto a libertar-se da bolha Lennon/McCartney. De referir que o famoso solo teve a assinatura de Eric Clapton. E o mais famoso baterista da história do rock também teria direito à sua primeira canção: "Don´t Pass Me By", com sabor country. Como na maioria dos discos dos Beatles, a parcela de leão dos temas tem a pena dos seus maiores compositores. Se "Bungallow Bill", "Glass Onion" ou "Honey Pie", por exemploparecem inofensivas, o mesmo já não se pode dizer da portentosa e pioneira aventura hard-rock de "Helter Skelter". A ideia partiu de Paul McCartney: "Li no Melody Maker que os The Who fizeram o tema mais ruídoso na história do rock n´roll e impus o desafio de fazermos algo parecido". Macca seria também o autor de "Martha My Dear", uma homenagem à sua cadela e que mereceu de Lloyd Cole o título de "melhor canção pop jamais feita". Outra das suas canções que supreende pela simplicidade desarmante é "I Will", mas é na roqueira "Birthday" que encontramos uma das últimas e genuínas parcerias Lennon/McCartney, abrilhantada pela presença nos coros de Yoko Ono e de Pattie Harrison. Por seu turno, John Lennon também fazia maravilhas. "Everybody´s Got Something To Hide..." e "Yer Blues" eram boas ofertas rock. Tal como era o excelente pastiche a la anos 50 de "Happiness is a Warm Gun". Para não falar de "Cry Baby Cry" e, principalmente "Sexy Sadie". O título desta canção funcionou como código para o famoso guru indiano, apresentando-o como um hipócrita. Em termos musicais, o piano mantém a tensão do tema, abrilhantada pelo falseto de Lennon. Na cabeça do produtor George Martin, o Álbum Branco deveria ter resultado num disco único, de 40 minutos e com as melhores canções. Mais tarde, Ringo Starr anuía com graça: "Sim, deviamos ter feito o Álbum Branco e o Álbum mais Branco".  Porém, e 47 anos depois, a vitalidade deste trabalho está à vista, assumindo aspectos de frescura e de pioneirismo intemporais. Na realidade, só uma banda como os Beatles poderia fazer uma obra-prima em tais condições. 

E a maior banda de sempre é...

Ao longo dos muitos anos em que tenho consciência musical, tomei contacto com inúmeras bandas de renome. Muito influenciado pelos anos 80, onde apreciei gente como os Duran Duran, U2 ou Police, entre tantos outros, percorri ainda assim um caminho que me levaria a fascinantes descobertas. Seria ao som de "Roadhouse Blues", que me iniciei nos The Doors. Banda fantástica, com um vocalista e letrista carismático, onde se incluíam ainda excelentes músicos. Outro grande feito na minha caminhada foi o conhecimento de um grupo chamado Led Zeppelin. Eles foram uma das maiores bandas de sempre. Pela noção de rock n´roll pesado, fundido com blues, misticismo e uma grande base instrumental. Os Rolling Stones também ocupariam grande parte do meu tempo. Nunca os confinei ao "Satisfaction", que reune consensos em críticos diletantes. Era a pujança em palco de Jagger, "Jumping Jack Flash", "You Can´t Always Get What You Want", "Start Me Up" e dois álbums ("Sticky Fingers" e "Exile On Main Street"), que faziam toda a diferença.
Recentemente, através de uma reflexão profunda, tentei perceber qual foi a melhor banda de sempre. Considerei todos os nomes atrás referidos, dei o devido valor à "durabilidade" dos Stones, U2, Pink Floyd e até AC/DC, acrescentei os Velvet Underground, Queen, algumas bandas da Britpop e os Radiohead. Tomei em conta vários factores: sucesso de vendas, concertos, impacto social e influência multigeracional. Embora as bandas que citei anteriormente preencham muitos requisitos, são os Beatles que ganham. Os quatro de Liverpool foram de facto melhores. Porquê ? Simplesmente bateram os recordes de vendas de discos na sua época e ainda estão nos melhores de sempre.
As apresentações estavam sempre esgotadas e é bom saber que o conceito de Tour ainda não estava bem desenvolvido: os estádios eram menores e as digressões não tinham a escala planetária a que nos habituámos. Nos discos, e principalmente a partir de 1965, procuravam não se repetir. É deles a obra-prima do psicadelismo, "Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band", bem como o álbum perfeito dos 60´s, "Revolver", o eclético "White Album", o despertar de consciências de "Rubber Soul" e a despedida em beleza de "Abbey Road". Em termos de impacto social a vitória também é deles. Cabeleiras, América parada para os ver no "Ed Sullivan Show", cenas de histeria das fãs onde quer que eles fossem e influência em variadíssimos conjuntos que apareceram na década de 60 e à posteriori.
Os Beatles são possuidores de uma influência transgeracional. Não só nos músicos que seguem as suas pisadas, influenciados pela evolução artística e pela adesão ao experimentalismo que trilharam, bem como nas gerações que cresceram e ainda crescem a ouvir a sua música. Mais ninguém o conseguiu.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Os 48 anos de “Revolver” dos Beatles

Hoje, dia 05 de agosto, completam-se 48 anos do lançamento de um dos maiores discos da história da música: o álbum "Revolver", dos Beatles. Uma verdadeira obra prima!
Lançado no ano de 1966, é um dos meus discos favoritos dos Beatles, pois o som da banda começou a ficar mais encorpado, saindo das maravilhosas canções do estilo “ie-ie-ie” da juventude, e ficando mais maduro.
"Revolver" é o sétimo álbum do quarteto de Liverpool e atingiu o primeiro lugar nas tabelas do Reino Unido e dos Estados Unidos. O disco marca a adesão oficial dos Beatles ao Psicadelismo. 
Para esta data especial, vou trinchar este álbum fantástico. Todas as músicas são óptimas! Três delas, têm a assinatura de George Harrison e as outras, da dupla Paul McCartney e John Lennon.

Começando por “Taxman”. Letra de George Harrison. A canção é uma grande crítica ao capitalismo exagerado. A letra mostra uma reclamação às pesadas taxas de impostos pagos pelos cidadãos britânicos.

A segunda música é um dos maiores clássicos dos Beatles, “Eleanor Rigby”. Fala sobre a solidão das pessoas mais velhas e que ninguém lhes dá atenção. A música começa assim: “Ah, look at all the lonely people”.

A próxima música é “I’m Only Sleeping”... Teria sido composta para descrever um estado de "viagem" por drogas. Além disso, a música dizia para não "me acordar", já que a pessoa estaria em estado de euforia.

“Love You To” é a quarta faixa do álbum. Mais uma letra de George Harrison e tem os sons de cítaras, incorporando um estilo bem indiano.

A quinta música é fantástica: “Here, There and Everywhere”, escrita por Paul McCartney. E o próprio Paul afirmou que a canção é uma das suas preferidas da banda, a mesma opinião do produtor dos Beatles, George Martin.

Outro hino dos Beatles: "Yellow Submarine"… Nesta viagem, a banda convida as pessoas a embarcarem no submarino amarelo da fantasia, num mundo perfeito, encontrando uma solução para tudo.

A música “She Said She Said”, teria sido escrita durante o uso de drogas… John Lennon, supostamente, inspirou-se na sua experiência com LSD. Há um trecho que diz "I know what it's like to be dead" ("Eu sei como é estar morto").

Em “Good Day Sunshine”, os Beatles dão um bom dia à luz do sol, à luz da vida!

“And Your Bird Can Sing” é outra canção que eu gosto muito. O solo de guitarra é demais.

A décima faixa do disco é “For No One”... Paul McCartney escreveu-a para a sua namorada na altura (Jane Asher).

Na seqüência, vem a música “Doctor Robert" ... mais uma supostamente escrita sobre a influência de drogas. Fala sobre um médico que receitava anfetaminas aos seus pacientes famosos. 

A faixa 12 tem "I Want To Tell You", é a terceira música deste álbum composta por George Harrison. Fala sobre a sua dificuldade em se expressar num momento em que ele vivia uma avalanche de pensamentos

A penúltima música é uma das minhas favoritas de toda a obra dos Beatles. “Got to Get You Into My Life”. Anos depois, o Paul McCartney reconheceria que a canção falava da sua experiência com a canabis e foi feita inspirada na soul music americana.

Para encerrar, a viagem de "Tomorrow Never Knows". Aliás, uma das primeiras do estilo psicadélico que faria sucesso nos anos seguintes com outras bandas. John Lennon disse que a sua fonte de inspiração foi a leitura do “Livro Tibetano dos Mortos”. Na época ele teria usado LSD.

São catorze músicas em 35 minutos neste disco de pura arte, produzidas há 48 anos, sem os recursos técnicos existentes actualmente... Mas nada actual se aproxima do som produzido pelos Beatles neste genial “Revolver”. Um álbum para quem realmente ama a boa música!!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Beatles gravam “Something”

Há 45 anos… dia 2 de maio de 1969.

“Something” já estava no forno. A 25 de Fevereiro, 26º aniversário de George, os primeiros takes foram gravados. Um mês e pouco depois, a 16 de Abril, a primeira gravação oficial, durante a segunda sessão de produção do álbum Abbey Road. A sessão do dia 2 de maio, no entanto, seria a decisiva, segundo consta nos livros dos beatlemaníacos. Naquele dia, “Something” ficaria como a conhecemos hoje: a mais bonita canção de amor deles. De George Harrison!
Das 7 da noite até às 4 da manhã, a banda gravou 36 takes. Com George e John nas guitarras, Paul no baixo, Ringo na bateria e Billy Preston no piano, “Something” tomou forma. O piano de Preston deu um toque melódico ímpar e a guitarra de George chorou o seu mais lindo solo.
Não sem algum atrito à mistura, claro. A certa altura, George reclamou da linha de baixo de Paul, dizendo ao amigo que estava muito frenética e pesada. Uma elegante desforra de George, que escutara calado as infindáveis “observações” de Paul sobre a sua guitarra, em gravações das composições de Macca. Discussões à parte, ao fim de 36 takes, “Something” estava pronta. Naquela versão, havia um bonito solo de piano de John, que acabou por não ficar. Ele aproveitou-o na abertura da canção “Remember”, do seu primeiro disco a solo.
No dia 5 de maio, Paul e George voltaram aos estúdios da Abbey Road para dobrarem baixo e guitarra. A 11 e 16 de julho, George fez os vocais novamente e Billy Preston acrescentou linhas de piano. George Martin, o produtor, acrescentou os belíssimos arranjos de acompanhamento em 15 de Agosto. Nesse dia, George gravou o solo de novo, ao vivo, junto com a orquestra, já que não havia canais disponíveis para registar. Foi a única canção de George lançada como single. Um single especial, com dois “Lado A”, com “Come Together”, de John, no mesmo single. Saiu no dia 6 de outubro nos EUA, no dia 31 no Reino Unido e alcançou o topo das tabelas em terras do Tio Sam (e o quarto lugar em Terras de Sua Majestade).
“Something” é a segunda música dos Beatles mais regravada, a seguir a “Yesterday”. A versão de James Brown era a que George mais gostava. Apesar dos boatos da época, reforçados pela própria Patty, George não compôs “Something” a pensar nela. Mas seja lá como for: será sempre uma canção de amor. Patty receberia homenagens musicais depois, do futuro marido Eric Clapton, que lhe dedicou “Layla” e “Wonderful Tonight”.