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quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Derek and the Dominos - Layla and Other Assorted Love Songs (publicado a 9 de novembro de 1970)

Se há álbum de amor, coração partido e respetivo carpir de mágoas, então, a escolher um, seria Layla and Other Assorted Love Songs sem pensar muito, se calhar nem duas vezes…

Layla, pseudónimo para Pattie Harrison, mulher do Beatle George, inspirou um disco composto na sua maioria por Eric Clapton, numa das piores fases da sua vida. Eric sempre fora um músico que não gostava de ficar parado. As suas incursões por várias bandas ao longo da sua carreira foram disso exemplo, senão vejamos: Yardbirds, John Mayall’s Bluesbreakers, Cream, Blind Faith e ainda a perninha na banda de Delaney & Bonnie. Todas estas participações fizeram que fosse considerado um dos melhores guitarristas da sua geração, no entanto, continuava a preferir esconder-se no meio de uma banda do que lançar-se às feras a solo.

Derek and the Dominos começa a germinar em meados de 1969 com o ruir dos Blind Faith, formado por Clapton, Steve Windwood, Ginger Baker e Ric Grech e com a ajuda dos novos amigos Delaney e Bonnie que contava com os músicos Bobby Whitlock, teclista, Carl Radle no baixo e o baterista Jim Gordon. A Clapton, Whitlock, Radle e Gordon associou-se o guitarrista dos Allman Brothers, Duane.

Delaney incentivou Clapton a começar a acreditar nele próprio e a cantar as suas próprias canções. O primeiro resultado saiu no Verão de 1970 com o disco homónimo, contando com uma grande colaboração de Delaney. No entanto, Eric ainda não se sentia confortável a solo pelo que voltou a pedir o “anonimato” e pedir ajuda.

Não sendo um disco quase a solo como muitas pessoas o referenciam, Layla and Other Assorted Love Songs é uma extensa carta de amor e dor de Clapton, em parceria com os restantes elementos da banda.

O disco é essencialmente marcado pelos blues. Algumas músicas mais melódicas: “Bell Bottom Blues”, “I Am Yours”, outras mais puro blues: “Nobody Knows You When You’re Down and Out”, “Have You Ever Loved a Woman?” e ainda outras mais rock: “Keep on Growing”, “Anyday”, “Why Does Love Got to be So Sad?”, mas nunca fugindo ao mesmo tom e tema do álbum.

A cereja em cima do bolo chega com a versão de “It’s Too Late” de Chuck Willis, tocada de forma tão emocional por parte de Clapton que é impossível ficar indiferente e Layla, o clímax do disco.

No entanto, é um disco/grupo que fica marcado por tragédias, abuso de drogas e desilusões, vindo a terminar ao fim de pouco tempo.

Durante as gravações do disco, Clapton ficou atordoado com a morte do seu “rival” Jimi Hendrix, decidindo incluir a versão de “Little Wing” que tinham gravado uns dias antes, acabando por tornar-se numa das melhores músicas do disco.

Após alguns concertos pelos EUA recheados de drogas e álcool, a banda preparava-se para a sua primeira tour a sério, quando mais uma tragédia se abateu. Duane Allman morre num acidente de moto. A estas tragédias juntou-se o facto de o álbum não ter sido um êxito. Clapton levou este facto a peito e decidiu que estava na altura de se assumir, sair da zona segura escondido atrás de bandas. Derek sempre fora Eric Clapton e Layla era Pattie Harrison.

Nunca chegou a haver segundo disco, a banda simplesmente dissolveu-se entre sessões de gravação. Carl Radle viria a falecer em 1980 devido a problemas no fígado, potenciados pelo abuso de drogas e álcool.

Jim Gordon, sofredor de esquizofrenia não diagnosticada matou a sua mãe com um martelo em 1983, vindo, no ano seguinte, a ser internado numa instituição mental onde ainda hoje permanece.

Bobby Whitlock lançou, pouco tempo depois do fim da banda, um álbum a solo com algum sucesso e tem tido uma carreira decente.

Clapton, esse, viria a tornar-se num recluso, entregue às drogas e, ainda, sem Pattie (viria a conquistar o seu amor apenas em 1974, escrevendo “Wonderful Tonight”, anos mais tarde, em sua autoria), apenas aparecendo, ainda que uma sombra de si próprio, durante o concerto para Bangladesh, organizado por Harrison e no Rainbow Concert, organizado por Pete Townshend para ajudar Clapton a reconstruir a sua vida.

Anos mais tarde, a história viria a dar valor e a colocar Layla and Other Assorted Love Songs num pedestal como um dos discos mais importantes da história da música.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Porque é que amamos tanto o rock?

 

O rock. Aquele estilo musical que nos mete aos pulos, que nos causa arrepios, que nos faz vibrar, que aumenta o nosso ritmo cardíaco e que enche os nossos dias de cor. Será então por isso que gostamos tanto dele? Ou haverá uma explicação mais profunda e filosófica que possa explicar tais efeitos? Estas são questões sem resposta imediata porque nos levam a refletir um pouco sobre a nossa cultura musical que, apesar de ser constituída por uma série de outros estilos musicais, acaba sempre por ser bastante influenciada por este. A música rock é uma das nossas grandes paixões, mas poucos sabem explicar o porquê. Trata-se de algo intrínseco que parece que vem logo agarrado a nós desde que nascemos e que tende a aumentar de tamanho, incorporando novas formas à medida que os anos passam. Ninguém sabe como surge tal interesse que acaba por ser uma paixão que facilmente se torna num amor constante sem fim. Ouvimos algo e procuramos sempre mais músicas rock novas para além daquelas que já conhecemos. Provavelmente tudo começa quando ainda em crianças ou na juventude começamos por ouvir subitamente na rádio por mero acaso ou somos incentivados pelos nossos pais ou familiares mais velhos, também eles apreciadores, ou então pelos nossos amigos de escola que nos mostram algum rock que também tenha passado por eles. Este é quase um testemunho que vai passando de geração em geração, de pessoa para pessoa, criando assim novos estilos e géneros nunca antes experimentados. Provavelmente o maior poder que a música rock tem é mesmo este, o poder de conseguir conjugar gerações distintas e até pessoas de diferentes classes, culturas ou religiões.

A música rock em si tem uma série de poderes visíveis sobre nós. Só o dedilhar de uma guitarra eléctrica faz com que tenhamos um dia mais alegre enquanto vamos para o trabalho, faz com que haja algo mais caloroso dentro nós, estimulando assim uma boa disposição contagiante. Claro que o rock também consegue libertar um lado mais animalesco que há em cada um de nós, fazendo uma dissecação aos sentimentos negativos, até mesmos quando temos um dia mau ou tenhamos passado por um mau bocado. A verdade é que ficamos sempre a pensar no mesmo cada vez que ouvimos uma bela melodia rock: “Aquele riff inicial de guitarra causa-me arrepios” ou “O compasso daquele baixo é fascinante”, ou ainda “O ritmo violento daquela bateria faz com que consiga abstrair-me de muita coisa”. Conseguimos sempre arranjar adjetivação para descrever as emoções que a música rock nos proporciona, tais como arrepios, prazeres duradouros ou sensações delirantes. O rock continua a crescer e tem um histórico enormíssimo: desde as suas origens no blues, na música country, no jazz e noutros tantos estilos musicais onde pioneiros como Elvis Presley ou Chuck Berry começavam a dar cartas, passando pelos diversos estilos e modificações sofridas ao longo de mais de seis décadas, até chegar ao nosso vizinho de 14 anos que depois de regressar das aulas permanece o resto da tarde no seu quarto a tocar a sua guitarra elétrica, produzindo o mais ensurdecedor dos ruídos. A verdade é que foi com esse ruído inicial que grande parte dos músicos rock que hoje conhecemos começaram a sua carreira. Foi com experiências bastante preliminares que deram os primeiros passos e que assim progrediram até conseguirem chegar àquele patamar que é vulgarmente designado por estatuto de “estrela do rock”.
No fundo pode-se considerar que o rock funciona como uma ciência ou um engenho, como se fosse até uma fábrica. E de facto é mesmo pois o rock é também uma indústria potentíssima. Tudo começa nos laboratórios musicais numa garagem ou numa casa, passando pelos estúdios onde a produção musical se eleva para uma escala maior. Depois surge um impulso para os discos e para os concertos, saindo-se do laboratório para uma escala industrial. Todo este processo de se fazer bom rock é algo complexo, só sabe e só sente e quem o faz, só entende e sente os desafios quem o explora. Mas quando esse processo atinge os objetivos faz com que aqueles que o vêem a ser feito fiquem boquiabertos e deslumbrados com o resultado final. E claro está, acima de tudo, o rock é provavelmente o estilo musical que mais une as pessoas, e cada vez mais une diferentes gerações. É possível um pai ou um avô gostar do rock dos Foo Fighters ou dos Queen of The Stone Age como é possível um filho ou um neto gostar do rock do Jimi Hendrix ou dos Led Zeppelin. Nos concertos encontramos cada vez mais gerações distintas, nomeadamente pais que vão com os filhos, para além dos grupos de amigos que podem ascender às dezenas, dos casais de namorados que procuram conhecer um pouco mais do rock que o seu parceiro gosta, e ainda aventureiros que vão sozinhos em busca de outros aventureiros que sejam loucos por este estilo musical. Os espetáculos são vividos de maneira sentida e emocional: rimos, gritamos, saltamos, abraçamo-nos, choramos, cantamos, sentimos tudo como se fosse um momento único nas nossas vidas. Amamos o rock porque para além de ser feito para ser dançado e cantado, vivido e convivido, foi acima de tudo feito para ser amado.

O rock é isto. Não se consegue explicar, apenas se consegue sentir. Não se consegue entender, apenas se consegue saborear. Do mais melancólico e pausado até ao mais excêntrico e agressivo, foi feito para nós com todo o amor e carinho. Amamos o rock porque ele é assim, entrega-se a nós de uma maneira tão espontânea e natural como se nada fosse. É inocente. É simples. É puro. É romântico. É humano e faz de nós mais humanos ainda. Mantém o nosso espírito bem vivo e enaltece o melhor que há dentro de nós. É verdade que a vida no planeta já existia muito antes do rock ter sido inventado. Mas o espírito e a vertente poética no ser humano seriam muito mais diminutas se o rock nunca tivesse existido. E essas são as condições necessárias para que a verdadeira essência da alma humana nunca morra.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

AC/DC publicam "Back in Black" no dia 25 de julho de 1980.

AC/DC passados mais de 30 anos continuam na linha da frente, esgotam estádios e atingem os tops mundiais. Quantos exemplos de bandas temos como esta que para além de sobreviver á trágica morte do seu vocalista consegue ainda atingir novos patamares?Esse patamar chama-se Back in Black. Depois de Let There Be Rock, Powerage e Highway to Hell nada fazia prever o auge de vendas que este iria obter. Hoje é um dos álbuns mais vendidos de sempre a par de Dark Side of The Moon de Pink Floyd e do famoso Thriller do falecido Rei da Pop- Michael Jackson.Vamos esquecer os números. Back in Black é o ponto de viragem na carreira dos AC/DC. A trágica morte de Bon Scott deu lugar a Brian Johnson e as semelhanças vocais foram bem aceites. A irmandade Young mais uma vez fez o resto.A capa marca o luto, «Hells Bells» toma uma dimensão épica nunca dantes visível na banda. Assim se abrem as hostes dum álbum bem mais maduro que o anterior.Ao som de sinos se abre este incrível tema, ainda hoje celebrado ao vivo com o famoso sino da banda.

«Shoot to Thrill» tira as dúvidas do primeiro tema, não eles não ficaram frouxos dum dia para o outro, o Rock’n’Roll que os distingue e que nos dá vontade de fazer air-guitar ainda continua de pé! Sem piedade no “…Pull the Trigger..” Angus Young dá uso á sua Gibson criando uma mistura de Riffs que não deixa criar saudades dos tempos de T.N.T.! Parabéns, estamos ainda no segundo tema e temos mais dois clássicos!O solo final é simplesmente majestoso!

O que fazem por dinheiro estes rapazes? Por incrível que pareça fazem música de qualidade! É com a rima «What do You Do For Money, Honey?» que se faz o refrão deste mesmo tema.«Givin’ The Dog a Bone» dá continuidade. Isto é AC/DC! Rock’n’Roll no seu estado mais puro.

O tema seguinte pede-nos algo desnecessário «Let Me Put My Love Into You» é algo que estes Australianos em 1980 já não precisavam! Um dos compassos mais conhecidos do mundo, par do Riff e da coreografia de Angus (Duck Walk), é sem dúvida o do tema que dá nome ao álbum. Como poderei descrevê-lo? – Como um dos temas mais marcantes da história do Rock! Sem sombra de dúvidas um dos melhores solos da carreira de Angus! Este que por sua vez é por vezes referenciado injustamente como o sr. dos três acordes, esquecendo o guitar hero dentro da farda colegial.

É impressionante como neste álbum os 7 minutos e 45 segundos da 6ª e 7ª música marcam toda uma geração! De «Back in Black» passamos para o grande êxito radiofónico dos anos 80- «You Shook Me All Night Long». Não há nada melhor do que fazer aquelas viagens pelas nacionais deste país, no meio do nada numa manhã de Verão, janela aberta, e AC/DC bem alto!Este é o tema que conquistou muitos corações á banda. Arrisco-me a dizer que era isto que faltava para completar o seu sucesso mediático.Dos metaleiros ás adolescentes com posters de Bon Jovi e Van Halen, AC/DC era uma referência. Hoje é um icon.

«Have a Drink on Me» não destoaria em nenhum bar de motards que se preze. «Shake A Leg» obriga o ouvinte a bater o pé. Sabem que mais? Aqui podemos encontrar diamante em bruto, o facto de temas como este ficarem para trás em concertos das banda só demonstra a fabulosa discografia da banda, é de facto um desperdício!Back in Black provou ser uma fábula, uma daquelas que nos transporta para um mundo de maravilhas. Mas fábula que se preze têm um final feliz seguido duma mensagem pedagógica- «Rock and Roll Ain’t Noise Pollution»- alguém quer melhor do que isto?
Fazendo trocadilho passo a explicar o sucesso de Back in Black :

AC/DC Ain’t Noise Pollution!!

terça-feira, 24 de julho de 2018

Pantera lançam "Cowboys From Hell" a 24 de julho de 1990.

Em 1990 o mundo do Rock estava mais do que abalado. Várias correntes musicais alternativas vinham ao de cima com especial para o movimento de Seattle – o grunge.
Será impossível fazer referência a este género sem passar pela formação de Kurt Cobain, Dave Grohl e Kris Novelic. Alguns anos mais tarde, um grupo de privilegiados podia-se gabar de ter assistido a um momento único no antigo Dramático de Cascais, o único concerto de Nirvana no nosso país. Outro grupo, possivelmente alguns coincidentes, pôde se gabar de ter assistido a outro marco da história do Rock. Nirvana estava para o movimento de rock alternativo como os Pantera estavam para o Metal - foram pioneiros e símbolos de culto, ainda hoje nos dias que correm.

No início da ultima década do Século XX, Phill Anselmo dava ao mundo uma das melhores vozes do heavy metal a par da oferta de riffs incríveis de Dimebag Darrel.
Cowboys From Hell , assim ficarão conhecidos na eternidade, e assim começava a sua caminhada, curta demais.
São casos raros os de bandas que conseguem um álbum de estreia completo ao nível da sua estrutura. Lembro-me de casos como Ten dos Pearl Jam e Appetite for Destrution dos Guns’n’Roses que ainda hoje fazem jus ao seu estatuto.
A minha introdução deixa uma ideia simples no ar, se Nirvana não tivesse existido, Pantera certamente não deixaria espaço em vazio para os adolescentes da altura, sedentos de Rock puro e sentido.
Vulgar Display of Power poderá ser o Nevermind dos Pantera, mas sem Cowboys From Hell nada disto seria possível.

Dimebag arrasa tudo e todos com um incrível riff em «Cowboys From Hell», energético e cheio de garra- “ here we go” avisavam.
Quem passa de Black Sabbath para Lamb of God certamente não encontrará uma ligação directa, pois bem, se temos de apontar o dedo estes serão certamente os culpados da maioria do metal que se faz hoje em dia.
Este tema faz-me recordar, a cada audição que faço, o momento único de Monsters of Rock em Moscovo onde se verifica a garra do conjunto em palco.

«Primal Concrete Sledge» dá um cheirinho de Hardcore á cena, o segredo está nos breaks de bateria, louvado seja o pedal duplo! “Oh Yeah!”- exclama repetidamente Anselmo. O público adere, hoje aos Down, mas Pantera na altura foram mais do que uma lufada de ar fresco! “ It’s time to set my demons free”, esta é uma das frase que descreve todo o sentimento de se ouvir estes temas com o volume alto a par do bass violento - «Phsyco Holiday» dá uma certa progressividade ao trash-metal directo e sem espinhas que os temas anteriores apresentavam. Dimebag não se demonstra nada humilde neste incrível solo, e nós? Nós agradecemos!A estrutura de guitarra de «Heresy» é a planta do hardcore e de algum metal que se pratica hoje, o riff é fantástico na sua simplicidade, Anselmo prova que rapazes como Corey Taylor ainda têm muito a provar ao mundo no que toca a puxar pelos cordõezitos vocais.
Todos sabemos que não é qualquer banda que se atreve a escrever power-balads, muito menos no álbum de estreia, muito menos com a carga emotiva de «Cemetary Gates»…
Certamente a crítica apontará para este tema com um momento incontornável no curriculum da banda, um tema para se cantar até as lágrimas escorrerem e as veias envolventes á traqueia rebentarem. Um dos temas mais «pesados» da banda em termos de letra, facilmente mal interpretado, mas sejamos realistas, neste mundo o que não falta é preconceito, relembro «A Tout le Monde» de Megadeth e «Fade To Black» de Metallica, temas lindíssimos associados a mensagens explicitas e incentivadoras ao suicido (“…pass the cemetary gates…”).Preparados para serem dominados? Até este sexto tema não consigo excluir um único duma compilação ao estilo antologia / Best-of. «Domination» não fica para trás na corrida, é impossível não deixar de fazer referencia a Dimebag a cada compasso! O mundo perdeu um guitarrista ícone, um verdadeiro Metal God (penso que os Judas Priest não se importarão que use a musica deles como caracterização). Do visual pesado, e sem as parolices que outras bandas se sujeitaram, ás guitarras com formatos únicos, e eternamente associados à banda que fazia sonhar a juventude mais alienada.
A primeira metade do álbum será para sempre o maior destaque de Cowboys From Hell, mas temas como «Shattered» não ficam atrás de «Heresy» mas com uma introdução de pedal duplo on-fire para ensurdecer qualquer fan do mundo mais pesado do Rock. Neste tema eu arriscaria em dizer que British Steel ou outros álbuns de Judas Priest andaram a rodar na aparelhagem da banda! As referencias vocais de Rob Halford são evidentes.

Machine Head nunca esconderam ao mundo a sua paixão pelos Pantera, seja feita justiça ao incrível tema de The Blackening «Aesthetics of Hate» dedicado ao falecido Dimebag. «Clash With Reality» poderia muito bem ser um tema dos candidatos ao estatuto de «novos Metallica» ( a par de projectos como Trivium e Mastodon onde muitos põem as esperanças).

«Medicine Man» demonstra um ar menos agressivo mas mais obscuro. É daqueles temas que funciona muito bem em álbum, mas que dificilmente não baixaria de nível ao vivo. O momento mais estável de um álbum cheio de pontos altos deixa o ouvinte repor o fôlego.
«Message in Blood» faz-me lembrar dos autores de Blood Mountain ao nível da guitarra na introdução, no entanto a estrutura musical tem semelhanças com o que hoje se faz no rock mais industrial como é o caso de Nine Inch Nails. Uma palavra descreve este solo- dramático!

Penso que a vontade de entrar num mosh-pit e fazer crowd surf é crescente, mas está na hora de «The Sleep», certamente um esboço da obra-prima que é «Cemetary Gates», este tema está feito para algum air-guitar. A harmonia da guitarra ritmo desta vez é tão ou mais importante na estrutura do tema, encaixam na perfeição. Premindo pelo instrumental acima do vocal, trata-se mais duma despedida da banda aos milhares de fans que rodam ainda hoje este Cowboys From Hell, possivelmente mais em mp3’s do que em CD’s.

Se «The Sleep» concluía o álbum, «The Art of Shredding» é o adeus em formato de encore arrebatador, deixando tudo e todos com vontade de mais! Mais Pantera! Considerados pela crítica como a melhor banda ao vivo, dentro do género obviamente, começam o seu trabalho logo no estúdio criando um seguimento na sua playlist ao que facilmente poderíamos apontar como setlist. 12 temas o compõe, e de forma pessoal aponto pelo menos 7 como temas obrigatórios!Todos temos uma década ao nível cultural em que nos identificamos, a minha será sem dúvida a de 90, e este pedaço de «barulho» é algo do que se fez de melhor nessa altura!É incrível como apenas 4 anos depois de Master of Puppets o Metal tenha mudado desta forma!

sábado, 3 de março de 2018

"Master of Puppets" dos Metallica, lançado a 3 de março de 1986.

Depois da evolução visível de Kill’m’All para Ride the Lightning, Metallica eram os Messias do Metal. A energia que Lars Ulrich, Kirk Hammett, Cliff Burton e James Hetfield transmitiam nos seus temas era algo como nunca dantes se tinha visto.
Em 1986 o auge era atingido. Para muitos o ponto máximo do Heavy Metal - Master of Puppets vinha a público.

Até à data álbuns de culto tinham sido lançados como Number of the Beast , Ace of Spades , Paranoid, British Steel, etc… Mas o mundo mesmo assim não estava preparado para a carga pesada do álbum que viria a ser de culto do Trash-Metal. Se Ride the Lightning pregava a partida aos ouvintes com a famosa introdução de «Fight Fire With Fire», «Battery» demonstra que este tipo de estrutura viria a ditar alguns dos temas mais pesados da carreira da banda ( «Blackened» de …And Justice For All por exemplo).Uma introdução pouco comum aos restantes mortais do metal dos anos 80, prova o estatuto de Deuses. Toquem o que tocarem sai sempre bem!Um dos melhores temas da banda ao vivo, “ cannot kill the battery” dita a velocidade de Lars Ulrich, possivelmente no seu melhor. Um tema que relembra os tempos de Kill’m’All mas que revela a experiência ganha com o crescimento mediático da banda.O momento mais do que obrigatório, a par de «Seek And Destroy», é daqueles temas que consegue por em comunhão fans old-school com os curiosos ouvintes do radiofónico Black Album – dando nome ao álbum, «Master of Puppets» é a maior epopeia da história do metal!Um Riff arrebatador logo ao passar dos primeiros segundos impossibilita qualquer ser humano que se preze de se tornar um autentico selvagem! Air guitar, mosh, crowd surf, circle pit, slam dancing, headbanging- meu deus! - dá para tudo!! James Hetfields diz ao publico para obedecermos ao nosso mestre - Assim o faremos! Mais do que viciante, sem dúvida um dos melhores temas da banda de San Francisco! A par do solo inicial de «One», este tema consegue encaixar na perfeição um momento de génio de Kirk Hammond. Se alguém ainda punha em causa a saída de Dave Mustaine, penso que agora Kirk acimentava o seu lugar na banda. É belo, é poético, é sentido. Como é que alguém se dá ao luxo de misturar tamanha delicadeza com tamanha violência?!8 minutos sensivelmente, e penso que ninguém seria capaz de tirar um segundo que fosse. Um final a trezentos á hora. «Creeping Death» ditava algo deste género mas mesmo assim, «Master of Puppets» consegue ainda deixar-me de queixo caído.A par de «Harvester of Sorrow», este tema seguinde prime pela importância dada ao peso e não á velocidade que tanto marca a cena Trash-metal.«The Thing That Should Not Be» é claustrofóbico, é diferente, é único. Da primeira vez que ouvi esta música confesso que fiquei confuso, o sentimento que me transmitiu não era óbvio ao ponto de conseguir formar uma opinião de seguida. A complexidade deste tema é subtil, não aparenta mas é um tema que não está lá para encher chouriços.É a primeira quebra do ritmo alucinante que os primeiros temas deixam como cauda dum meteorito gigantesco.
Carregando no Foward encontraremos um dos momentos mais tocantes da discografia dos Metallica. Para além de ícones do Metal, a banda será para a eternidade lembrada pelas suas baladas de fast pace. Depois de «Fade to Black» e abrindo caminho para «One», «Welcome Home (Sanatarium)» leva-nos para um mundo que ninguém está interessado em conhecer de perto. Um mundo onde “ The time stands still”, um mundo de medos e receios.O sentimento de abandono total.Os primeiros toques do sr. Hetfield nos agudos da sua guitarra marcam um compasso de nostalgia total. A raiva crescente culmina num sentido – “ just leave me alone!”. Mais um clássico da banda, que de forma alguma poderá ser esquecido no tempo. O solo final, o break de bateria – Metallica - está carimbado ! Ainda hoje podemos encontrar esta estrutura característica em temas como «The Day That Never Comes» do recente Death Magnetic.

«Disposable Heroes» marca uma vertente menos utópica, digna do imaginário do mundo do Metal, e toma contornos políticos. Heróis descartáveis, é assim que os Metallica representam soldados a mando, carne para canhão.Ridicularizam as causas da guerra e não temem a caracterização violenta de tais cenários. Os primeiros segundos deste tema elevam-nos a um caos total. “Are you out there?” pergunta repetidamente James nos concertos antes de abrir caminho a um dos riffs mais elementares de trash. Kirk Hammond e Lars Ulrich tomam as rédeas.” …bodies fill the fields i see…” Assim começa a letra só por si pesada.
Confesso que este tema é dos meus favoritos, tendo só uma vez o privilégio de o assistir uma vez apenas, em 2007 no festival Super Bock Super Rock.
É inevitável fazer mais uma vez o reparo, Lars no topo de forma, quer a nível de velocidade como de criatividade – nem sempre bem aceite.

Quando o momento mais fraco de todo um álbum continua a estar ao nível, é porque estamos na presença de algo único. «Lepper Messiah» diz-nos que é tempo de “kiss your ass good-bye”. Mas primeiro damos graças a algo superior por nos ter ofertado o trabalho de Cliff Burton. «Orion» recorda-nos o potencial do melhor baixista da história do Heavy-Metal.Ainda hoje um momento celebrizado por Rob Trujillo, assim como Jason Newsted o fazia em honra do seu antecessor. Um trabalho de baixo distorcido como só Burton se atrevera a explorar. O instrumental com maior carga emotiva, celebrizado a quando do fatal acidente que vitimara o seu autor.Ao vivo, e os fans mais atentos certamente confirmarão, a banda de San Francisco aproveita para dar uma falsa partida de palco aquando do infernal «Master of Puppets» dando tempo a soltar um dos temas com introdução como anteriormente expliquei… Pois bem, não temam por mais alto na música que se segue. Este tema fez-se para homens de barba rija, é pesado, é rápido, é violento. Não foi feito para parecer harmonioso ou com uma certa complexidade de estrutura. Foi feito para celebrar o caos total.«Damage Inc» tem um dos melhores compassos de bateria que poderão ouvir ao longo da vossa vida! “ Blood will follow blood!” faz temer os pais de todo o jovem adolescente que berra tais palavras no seu quarto como senão houvesse amanhã! E o solo final? Estaria Kirk Hammond em Ecstasy? A velocidade desde solo é fenomenal, que dupla infalível! Lars sempre ao ataque deve dar graças ao facto de não acabar com uma trombose tal é a velocidade das suas batidas! Sem dúvida alguma um dos temas mais pesados dos Metallica que fecham assim o álbum mais respeitado da história do Trash-Metal.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

23 anos do "Black Album" dos Metallica

O dia 12 de Agosto de 2014 marca os 23 anos do lançamento de um grande disco da história do Rock: O "Black Álbum", dos Metallica.
O “Black Álbum” foi o quinto disco da banda e mostrou um estilo de música mais lento e comercial que os trabalhos anteriores. Por isso, alguns fãs dos Metallica fizeram críticas e alegaram que era uma "banda vendida". As sessões de gravação tiveram um processo longo e difícil, durando mais de um ano devido a conflitos entre os integrantes. Apesar das discussões, o álbum tornou-se o mais bem sucedido dos Metallica, atingindo o topo da Billboard. Também teve bastante sucesso com a crítica especializada, tendo ganho também um Grammy.
As letras de "Black Album", escritas pelo vocalista James Hetfield, são muito mais pessoais e introspectivas. Um dos maiores sucessos do grupo é "Nothing Else Matters" ("Nada Mais Importa"). Expressa a ligação de Hetfield com uma namorada enquanto ele estava na estrada. Em "The God That Failed", fala da morte da mãe, vítima de cancro. Ela acreditava que apenas a sua fé a curaria, recusando ajuda médica. A música fala sobre promessas quebradas.
Este álbum acabava também com a tradição dos Metallica em ter uma faixa instrumental e de longa duração. Um disco imperdível!!