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quarta-feira, 1 de março de 2023

“The Dark Side of The Moon”: a obra-prima dos Pink Floyd celebra 50 anos

Capa do disco “The Dark Side of the Moon” da autoria de Storm Thorgerson e George Hardie

No dia 1 de Março de 1973, os Pink Floyd lançavam o trabalho de originais que viria a revolucionar uma era musical. The Dark Side of The Moon, seria assim o nome do oitavo álbum de estúdio do conjunto britânico que teve um impacto gigantesco. Com recordes de vendas quebrados em todo o mundo, estimando-se que tenham sido vendidas cerca de 45 milhões de cópias até hoje, The Dark Side of The Moon é muito mais do que um álbum de música que projectaria os Pink Floyd para um patamar estratosférico. Trata-se também de uma explosão musical com letras fortes que abordam temas profundos como tempo, dinheiro, ambição, depressão, loucura e morte. O rock progressivo, com uma forte componente psicadélica e inovadora, envolvendo outros estilos musicais, veio a demonstrar na perfeição o potencial do conjunto. Esta combinação resultou numa das maiores obras-primas musicais alguma vez produzidas até hoje, sendo ainda uma referência meio século após o seu lançamento.

Na altura os Pink Floyd contavam com o quarteto já bem conhecido desde alguns anos, constituído pelo baixista Roger Waters, o guitarrista David Gilmour, o teclista Richard Wright e o baterista Nick Mason. Já sem Syd Barrett, o mentor e fundador da banda que fora afastado dado os seus problemas com o LSD, apresentado uma saúde mental completamente deteriorada pelo seu consumo excessivo, o conjunto procurava insaciavelmente o álbum que viesse a dar o clique na sua carreira. Potencial e talento não lhes faltava, e já eram reconhecidos como uma banda promissora. Porém, as vendas dos álbuns anteriores pouco rendiam, nunca passando do meio das tabelas de vendas. Nos concertos apareciam maioritariamente fãs fiéis ao estilo da banda, embora na altura já tivessem um número de seguidores bastante considerável. 

Faltava qualquer coisa aos Pink Floyd para que se pudessem finalmente afirmar como uma das maiores bandas do momento. O trabalho árduo do conjunto, que lançava álbuns de originais todos os anos, não era suficiente. O rock psicadélico, que com o tempo e com a adição de outras nuances viria a transcender para um rock progressivo, captava a atenção de um grupo restrito de apreciadores do estilo. Era necessário algo mais, e estava difícil de encontrar uma fonte de inspiração capaz de os projectar para patamares nunca antes vistos. Porém, foi mesmo no lado negro da lua, onde os Pink Floyd finalmente encontrariam inspiração para o trabalho que teria esse mesmo nome: The Dark Side Of The Moon. O título inspirador advém do facto do movimento de rotação e de translação da Lua em torno da Terra coincidirem, sendo ambos 28 dias. Deste modo apenas conseguimos ver uma das faces iluminada pelo Sol, sendo que a outra é designada por lado escuro ou lado negro da lua.

Para além desta conotação ao espaço, com enorme foco no nosso satélite natural, outro elemento científico também surge. A capa, feita pelo designer gráfico Storm Thorgerson, exibe um triângulo num fundo negro, inspirado nas pirâmides do antigo Egipto, representado um prisma onde a luz branca é difractada nas diferentes cores que a compõem. Esta experiência foi realizada pela primeira vez por Isaac Newton, conhecido físico britânico que deixou um enorme legado na ciência, havendo assim uma alusão aos efeitos de luz que já eram bastante característicos dos concertos dos Pink Floyd, e também à diversidade da banda. A imagem, embora simples mas extremamente carismática, tornou-se num sucesso de marketing, não só com o álbum, mas também com t-shirts, posters, e os outros acessórios com a imagem exposta. Durante vários anos existiu uma teoria de que a grande inspiração de The Dark Side of The Moon terá sido cinematográfica, nomeadamente com O Feiticeiro de Oz  (The Wizard of Oz), filme de 1939 que ficou para sempre na história da sétima arte. Se passássemos o filme em simultâneo com o disco, havia cenas do filme que coincidiam com passagens das canções, efeito que ficou conhecido como Dark Side of The Rainbow. Esta história terá sido desmentida pelos membros do conjunto, não passando de coincidências que, por ordem do acaso, aconteceram.

O álbum viria a ser gravado nos estúdios Abbey Road, pela editora Harvest Records entre Maio de 1972 e Fevereiro de 1973, e em parceria com o engenheiro de som Alan Parsons e com a editora norte-americana Capitol Records. Os estúdios Abbey Road foram sempre fortemente associados aos Beatles pois foi o local onde gravaram a maioria dos seus trabalhos originais, para além de também ser o título de um dos seus álbuns de estúdio, o que também viria a impulsionar o sucesso deste trabalho dos Pink Floyd. Nunca fugindo à grande inspiração do quarteto naquele que foi o seu grande mentor, Syd Barrett, algumas das letras das canções de The Dark Side Of The Moon retratam a loucura e a depressão que lhe foram diagnosticadas. Já praticamente afastado da música, após a sua saída da banda e de uma carreira a solo de pouco sucesso, Syd ficaria sempre como o grande inspirador dos Pink Floyd e o sucesso do conjunto jamais faria com que isso fosse esquecido. A sua verdadeira homenagem viria dois anos mais tarde com Wish You Were Here, um álbum inteiramente dedicado a Syd Barrett, o tributo merecido após o sucesso de The Dark Side Of The Moon.

As letras foram todas escritas por Roger Waters, tornando-o à época no principal mentor dos Pink Floyd que, ao combinar com a excelência de cada um dos membros, fez com que a banda britânica voasse para um estatuto lendário na música rock. As canções já teriam sido compostas há algum tempo e a tour do álbum iniciar-se-ia logo no início de 1972, numa altura em que a gravação em estúdio ainda nem sequer tinha começado. Tal tour, intitulada “The Dark Side of The Moon – A pieced for assorted lunatics“, viria a ser uma espécie de primeiro ensaio ao álbum que estava prestes a ser editado. As canções apresentavam-se ainda num estilo embrionário, mas captariam a atenção do público que ansiava pela gravação de um álbum de originais com o material apresentado em palco. Assim, viria a surgir The Dark Side of The Moon, um álbum que marcaria a década de 70 e que se manteria bem vivo nos anos vindouros. Sobreviveria a toda uma conjuntura de novas variantes no rock que acabariam por dominar as décadas seguintes após o seu lançamento, continuando ainda a ser uma referência musical nos dias de hoje.

Embora em pleno século XXI este seja um álbum audível em qualquer serviço de streaming, em 1973 foi gravado e comercializado em disco vinil. Começando pelo lado A do disco, Speak to Me é a faixa que dá início a The Dark Side of The Moon, tendo sido composta pelo baterista Nick Mason. Trata-se de uma mistura de diversos sons iniciando-se com um batimento cardíaco que rapidamente se mistura com tiquetaques de relógios, efeitos de máquinas registadoras, hélices e risos, introduzindo alguns dos efeitos presentes nas canções futuramente apresentadas. Terminando com um grito interpretado por uma voz feminina, Speak to Me encerra com uma espécie de Big Bang musical, dando a indicação de que uma origem foi assim encontrada.

Essa origem surge com a canção Breathe (In The Air), marcado por um tom calmo, conjugando uma mistura harmoniosa entre os instrumentos da banda. No seio dessa harmonia surge a voz de David Gilmour ao cantar os versos “Breathe in the air / Don’t be afraid to care”, que acaba assim por dar o título a esta canção. Com uma letra simples mas bastante marcante, Breathe (In The Air) acaba por iniciar uma obra musical que prometeria ter tudo para dar certo, revelando um enorme equilíbrio entre os quatro membros do conjunto. Embora o rock progressivo com a forte matriz psicadélica estejam presentes, Richard Wright admitiu que ter-se-á inspirado no álbum Kind of Blue de Miles Davis, quando estava a compôr a canção.

On The Run, terceira faixa, é puramente instrumental, envolvendo sons electrónicos gerados por dois sintetizadores (um Synthi e posteriormente um VCS 3) em modo acelerado, que juntos criam uma espécie de efeito de doppler. Este fenómeno físico ocorre quando ocorre quando uma fonte de onda (neste caso o som) e o observador estão em movimento um em relação ao outro. Toda a faixa dá a sensação de movimento, como se a fonte de som se afastasse e aproximasse do ouvinte, dando a sensação de que se trata eventualmente de uma viagem espacial. Inicialmente denominada por The Travel Sequence, apresentando-se numa versão bastante diferente, esta tratava-se de uma melodia mais progressiva e não tanto electrónica como a versão hoje conhecida. São também audíveis sons de hélices, risos e frases soltas, assemelhando-se a um passageiro em pleno aeroporto. A canção termina com uma gargalhada e com o estrondo de um avião a despenhar-se.

De seguida ouvem-se tiquetaques que passado alguns segundos se elevam para o som de despertadores e campainhas de relógios em sintonia, que surgem com Time. O baixo de Roger Waters acaba por gerar um compasso dos segundos, que acompanha uma percussão fabulosa de tambores, executada por Nick Mason durante os primeiros minutos. Quando a percussão passa subitamente dos tambores para a bateria, David Gilmour volta a projectar a sua voz numa das canções mais emblemáticas no álbum, com um dueto feito a meias com Richard Wright. Após o dueto, um magnífico solo de guitarra de David Gilmour acompanhado pelos restantes instrumentos e pelos coros de apoio toma conta desta canção, vislumbrando o potencial musical do conjunto britânico. Voltando novamente a um registo igual ao do dueto inicial, com as duas vozes a dar continuidade a canção, Time termina com a continuação de Breathe (designada por Reprise). Aqui, a voz de David Gilmour começa por entoar “Home, home again / I like to be here when I can”, terminando da mesma forma que a versão original de Breathe (In The Air).

The Great Gig in The Sky surge com um piano tocado por Richard Wright, com os instrumentos a emergirem levemente, seguindo-se da frase entoada por Gerry O’Driscoll, o porteiro dos estúdios Abbey Road “And I am not frightened of dying. Any time will do, I don’t mind. Why should I be frightened of dying? There’s no reason for it – you’ve got to go sometime”. Após estas palavras, uma explosão musical ocorre com a poderosa voz de Claire H. Torry projectada em forma de cântico, sendo esta uma canção que não apresenta qualquer conteúdo lírico por detrás. Inicialmente denominada por “The Mortality Sequence“, numa versão sem vocais, e depois para “The Religion Song“, The Great Gig in The Sky remete para um cântico religioso ou até mesmo fúnebre. Na segunda metade da canção apenas são audíveis o piano de Richard Wright e a voz de Claire H. Torry, sem quaisquer outros instrumentos, terminando o lado A do formato vinil de The Dark Side of The Moon.

O lado B começa com o som de uma máquina registadora antiga que se mistura com o som de moedas a cair, dando início a Money. O compasso marcado pelo baixo de Roger Waters torna-se também numa imagem de marca da sexta faixa de The Dark Side of The Moon, provavelmente a mais emblemática do álbum. Interpretada pela voz de David Gilmour, exibindo uma letra que lança fortes críticas ao capitalismo e à sociedade de consumo, visível logo nos versos iniciais “Money, get away / You get a good job with more pay, and you’re okay”, esta tornou-se numa das mais poderosas canções de toda uma era musical. Após a primeira parte vocal, surge um solo de saxofone interpretado por Dick Parry, músico que viria também a colaborar com os Pink Floyd em trabalhos posteriores, e que daria também um grande contributo a este álbum. A sua performance termina com a bateria acelerada de Nick Mason que dá início a uma sinfonia efervescente, conjugando os diferentes instrumentos, com especial destaque para o solo de guitarra de David Gilmour. Voltando novamente à parte vocal de Gilmour, a canção termina com uma conversa e com frases soltas. Ironicamente, Money viria a ser a canção que tornaria os Pink Floyd milionários, sendo uma das canções mais efusivas de todo o repertório da banda que gerou furor sempre que passava nas estações de rádio e sempre que era exibida nos concertos.

Num registo mais suave, e introduzida por um órgão tocado por Richard Wright, surge a canção Us and Them que conta também com o saxofone de Dick Parry bem assente. Esta canção fora inicialmente denominada por The Violent Sequence quando foi composta por Richard Wright para o filme Zabriskie Point (Deserto de Almas), realizado por Michelangelo Antonioni em 1970. Com uma letra que descreve a natureza das consequências da guerra, criticando o materialismo e o consumismo, Us and Them consegue envolver o rock progressivo dos Pink Floyd com uma forte componente de jazz. A canção é novamente interpretada pela voz de David Gilmour, tendo no refrão o contributo da voz de Richard Wright. Antes do solo de saxofone, surge um diálogo interpretado por Roger Meinfold, um roadie que acompanhou a banda durante as tours dos anos 70. Seguem-se os coros vocais e os instrumentos em enorme harmonia, voltando novamente à componente vocal que encerra a canção mais longa do álbum com quase oito minutos de duração.

O rock psicadélico inerente nos Pink Floyd torna-se evidente com Any Colour You Like, uma faixa puramente instrumental cujo título remete para as cores do espectro de luz difractado na capa. Trata-se de uma harmoniosa conjunção dos instrumentos do conjunto, onde o sintetizador VCS 3 tocado por Richard Wright toma conta da primeira metade da canção enquanto que a segunda metade é dominada pela guitarra de David Gilmour. Acaba por ser uma mistura de rock psicadélico com jazz, funk e electrónica, dando também corpo ao álbum.

Após esta envolvente surge Brain Damage, canção interpretada pela voz de Roger Waters. A canção fora inicialmente denomida por “Lunatic” devido aos versos que decorrem ao longo da melodia “The Lunatic is on the grass […] The Lunatic is in my head”. É aqui que também surge o nome do álbum, com cada quadra a terminar com a frase “I’ll see on the Dark Side of The Moon”, nesta alegre melodia que acaba também por deixar uma marca forte neste trabalho. Durante a melodia são audíveis várias gargalhas de Peter Watts, pai da actriz Naomi Watts, o engenheiro de som que trabalhou nas gravações deste álbum, sendo esta uma canção que retrata a loucura no sentido literal da palavra.

O álbum não poderia deixar de terminar sem um fenómeno astronómico, neste caso com um eclipse. Eclipse é décima e última faixa do álbum e dá continuidade a Brain Damage. Novamente interpretada pela voz de Roger Waters, esta canção trata-se de uma espécie de lengalenga que se inicia com “All that you touch / All that you see / All that you taste or you feel” e que segue sempre com a palavra “All” no início de cada verso. Aumentando de intensidade com o tempo, onde os instrumentos e os coros de apoio vão ganhando notoriedade, esta canção termina com uma espécie de premissa filosófica: “And everything under the sun is in tune, but the sun is eclipsed by the moon”. Ainda em adição, outra frase poderosa proferida por Gerry O’Driscoll surge após o término da melodia: “There’s no Dark Side of The Moon really, In matter of fact is all dark.”. A canção termina com o batimento cardíaco inicialmente introduzido em Speak to Me, e que assim conclui aquele que é o lado negro da lua apresentado pelos Pink Floyd: The Dark Side of The Moon.

Mais do que um álbum de música, que contém nuances musicais muito para além do rock psicadélico e progressivo característico dos Pink Floyd, The Dark Side Of The Moon apresenta um conteúdo lírico de enorme impacto numa década de grandes transformações, não só musicais, mas também sociais. Dado o sucesso, houve alguma disputa no que toca aos créditos do álbum, relativamente à hegemonia que Roger Waters teria sobre a banda nos anos seguintes e dos atritos com os restantes membros. Também surgiram controvérsias relativamente ao pagamento dos engenheiros de som e dos músicos contratados para a sua gravação. Tendo em conta a explosão que The Dark Side of The Moon teria, a conta bancária dos membros dos Pink Floyd ficaria bem recheada e a compensação aos colaboradores não terá sido proporcional ao sucesso. Controvérsias que ainda perduram, mas que apenas vieram a comprovar que o sucesso também sai caro e que só se consegue alcançar através de um trabalho conjunto, acabando por ser mais ingrato para uns do que para outros.

Meio século depois, The Dark Side Of The Moon é um álbum considerado por muitos como uma das obras musicais mais vanguardistas de sempre, continuando a ser uma referência e um exemplo para a maioria dos intérpretes da música rock nos dias de hoje. E de facto, The Dark Side Of The Moon permanece actual, conseguindo ter o mesmo impacto como tivera em 1973 quando foi dado a conhecer ao mundo. Ainda está por definir qual o limite da longevidade deste álbum que acabou por ser um autêntico estouro daquilo que foram os Pink Floyd, colocando-os para sempre com o estatuto de uma das maiores bandas de todos os tempos. O triângulo, com o feixe de luz a incidir do lado esquerdo e as cores do arco-íris difractadas do lado direito, continua a ser um símbolo clássico da música rock. As canções, e sobretudo as letras do álbum, permanecem actuais, sendo um exemplo de maturidade, ousadia e acima de tudo de grande criatividade. Ao fim e ao cabo, não existe propriamente um lado negro da lua pois, sendo um corpo celeste sem luz própria, acaba por reflectir a luz do sol. Mas é no lado mais brilhante da música, onde estão as grandes peças musicais que se conseguem aproximar da eternidade, que conseguimos encontrar em grande plano The Dark Side Of The Moon dos Pink Floyd.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Derek and the Dominos - Layla and Other Assorted Love Songs (publicado a 9 de novembro de 1970)

Se há álbum de amor, coração partido e respetivo carpir de mágoas, então, a escolher um, seria Layla and Other Assorted Love Songs sem pensar muito, se calhar nem duas vezes…

Layla, pseudónimo para Pattie Harrison, mulher do Beatle George, inspirou um disco composto na sua maioria por Eric Clapton, numa das piores fases da sua vida. Eric sempre fora um músico que não gostava de ficar parado. As suas incursões por várias bandas ao longo da sua carreira foram disso exemplo, senão vejamos: Yardbirds, John Mayall’s Bluesbreakers, Cream, Blind Faith e ainda a perninha na banda de Delaney & Bonnie. Todas estas participações fizeram que fosse considerado um dos melhores guitarristas da sua geração, no entanto, continuava a preferir esconder-se no meio de uma banda do que lançar-se às feras a solo.

Derek and the Dominos começa a germinar em meados de 1969 com o ruir dos Blind Faith, formado por Clapton, Steve Windwood, Ginger Baker e Ric Grech e com a ajuda dos novos amigos Delaney e Bonnie que contava com os músicos Bobby Whitlock, teclista, Carl Radle no baixo e o baterista Jim Gordon. A Clapton, Whitlock, Radle e Gordon associou-se o guitarrista dos Allman Brothers, Duane.

Delaney incentivou Clapton a começar a acreditar nele próprio e a cantar as suas próprias canções. O primeiro resultado saiu no Verão de 1970 com o disco homónimo, contando com uma grande colaboração de Delaney. No entanto, Eric ainda não se sentia confortável a solo pelo que voltou a pedir o “anonimato” e pedir ajuda.

Não sendo um disco quase a solo como muitas pessoas o referenciam, Layla and Other Assorted Love Songs é uma extensa carta de amor e dor de Clapton, em parceria com os restantes elementos da banda.

O disco é essencialmente marcado pelos blues. Algumas músicas mais melódicas: “Bell Bottom Blues”, “I Am Yours”, outras mais puro blues: “Nobody Knows You When You’re Down and Out”, “Have You Ever Loved a Woman?” e ainda outras mais rock: “Keep on Growing”, “Anyday”, “Why Does Love Got to be So Sad?”, mas nunca fugindo ao mesmo tom e tema do álbum.

A cereja em cima do bolo chega com a versão de “It’s Too Late” de Chuck Willis, tocada de forma tão emocional por parte de Clapton que é impossível ficar indiferente e Layla, o clímax do disco.

No entanto, é um disco/grupo que fica marcado por tragédias, abuso de drogas e desilusões, vindo a terminar ao fim de pouco tempo.

Durante as gravações do disco, Clapton ficou atordoado com a morte do seu “rival” Jimi Hendrix, decidindo incluir a versão de “Little Wing” que tinham gravado uns dias antes, acabando por tornar-se numa das melhores músicas do disco.

Após alguns concertos pelos EUA recheados de drogas e álcool, a banda preparava-se para a sua primeira tour a sério, quando mais uma tragédia se abateu. Duane Allman morre num acidente de moto. A estas tragédias juntou-se o facto de o álbum não ter sido um êxito. Clapton levou este facto a peito e decidiu que estava na altura de se assumir, sair da zona segura escondido atrás de bandas. Derek sempre fora Eric Clapton e Layla era Pattie Harrison.

Nunca chegou a haver segundo disco, a banda simplesmente dissolveu-se entre sessões de gravação. Carl Radle viria a falecer em 1980 devido a problemas no fígado, potenciados pelo abuso de drogas e álcool.

Jim Gordon, sofredor de esquizofrenia não diagnosticada matou a sua mãe com um martelo em 1983, vindo, no ano seguinte, a ser internado numa instituição mental onde ainda hoje permanece.

Bobby Whitlock lançou, pouco tempo depois do fim da banda, um álbum a solo com algum sucesso e tem tido uma carreira decente.

Clapton, esse, viria a tornar-se num recluso, entregue às drogas e, ainda, sem Pattie (viria a conquistar o seu amor apenas em 1974, escrevendo “Wonderful Tonight”, anos mais tarde, em sua autoria), apenas aparecendo, ainda que uma sombra de si próprio, durante o concerto para Bangladesh, organizado por Harrison e no Rainbow Concert, organizado por Pete Townshend para ajudar Clapton a reconstruir a sua vida.

Anos mais tarde, a história viria a dar valor e a colocar Layla and Other Assorted Love Songs num pedestal como um dos discos mais importantes da história da música.


sábado, 13 de agosto de 2022

Lynyrd Skynyrd - Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd (publicado a 13 de agosto de 1973)

Oriundos de Jacksonville, Florida, e ostentando por toda a parte a bandeira sulista, os Lynyrd Skynyrd são uma das bandas mais importantes do rock sulista em particular e da música americana em geral. Ao contrário dos Allman Brothers que tendiam em improvisar nas suas músicas, estendendo-as por vários minutos, os Lynyrd eram muito mais focados no seu tipo de música blues, rock e country.

"Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd", primeiro disco da banda com a formação original até à morte de vários elementos, incluindo o guitarrista e vocalista Ronnie Van Zant, de acidente de avião, em 1977. Composto por apenas oito músicas, destacam-se a mítica “Free Bird”, com o seu longo solo de várias guitarras e as baladas “Tuesday’s Gone” e “Simple Man”.

Um disco essencial ao lado do seu seguidor "Second Helping", que contém a lendária “Sweet Home Alabama”.

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Pink Floyd - Obscured by Clouds (publicado a 2 de junho de 1972)

Não sendo precisamente o típico álbum de Pink Floyd, Obscured by Clouds, banda sonora para o filme La Valée, de Barbet Schroeder, é uma espécie de tesouro escondido.

Obscured By Clouds é um disco mais calmo, pausado, com imagens pastorais, um pouco ao estilo do que a banda estava a fazer, nomeadamente em Atom Heart Mother e Meddle. Músicas como “Burning Bridges” e “Wot’s…Uh the Deal ” trazem das melhores interpretações voz-guitarra de David Gilmour.

É em Obscured by Clouds que Roger Waters começa a dar os primeiros passos para a sua visão mais intimista e psicótica em relação ao mundo. “Free Four”, encoberta por uma melodia mais pop a fazer lembrar os Kinks ou T-Rex, esconde no seu interior letras sobre morte, envelhecimento, cinismo e tristeza que iriam ser muito exploradas nos discos seguintes da banda. Juntando alguns números instrumentais bem conseguidos, este disco, esquecido pela crítica e público, consegue ser mais do que uma banda sonora a um filme mediano, acabando por singrar por si próprio.

sexta-feira, 19 de março de 2021

O primeiro álbum de Bob Dylan foi lançado há 59 anos


A 19 de Março de 1962, um jovem músico de seu nome Robert Allen Zimmerman, conhecido hoje por Bob Dylan, um dos músicos mais influentes da música folk, country, blues e até rock, lançava o seu primeiro álbum de estúdio intitulado com o seu nome artístico. Celebrando-se hoje, além do dia do pai, os 59 anos deste álbum, nada melhor do que uma abordagem à obra que apadrinhou todo um vasto trabalho musical, lírico e literário daquele que foi o pai de uma geração de artistas, desde os que surgiram durante a sua afirmação como músico, até àqueles que procuram afirmar-se nos dias de hoje. Tudo se deve ao engenho de moldar poemas e textos em canções e melodias, e a um extenso leque de combinações de acordes de guitarra acompanhados pelo constante timbre estridente da sua harmónica, características que só um músico como Bob Dylan possui.

O álbum Bob Dylan não é propriamente um álbum “à Dylan” como geralmente se conhece, com letras e acordes de guitarra de uma identidade extrema. Trata-se de um álbum maioritariamente composto por covers curtos de temas da música folk e blues, desenvolvidos em anos anteriores, e com alguma exploração de novos conteúdos. A interpretação de “House of  The Risin’ Sun“, anterior à versão mais célebre de 1964 por parte dos britânicos Animals, é a música mais longa e talvez a que mais se destacou numa altura em que Bob Dylan não passava de um jovem músico que passeava com a sua guitarra e harmónica à procura de uma carreira musical como tantos outros jovens no início da década de 60. Porém, as músicas neste álbum compostas pelo próprio, “Song to Woody“ e “Talkin’ New York“, mostram que Bob Dylan poderia ser uma promessa na música e na composição de letras. E, na verdade, é que, até agora, Bob Dylan lançou 38 álbuns de estúdio, escreveu mais de 400 canções, venceu 13 prémios grammy (e é o artista que até hoje foi nomeado em maior número de categorias), um Óscar da academia e um Globo de Ouro para melhor canção original para o filme Wonder Boys e, mais recentemente, o Prémio Nobel da Literatura pela criação de modos de expressão poética na música americana. Falar hoje no primeiro álbum de Bob Dylan é falar da primeira obra de uma figura que à medida que o tempo avança se aproxima do estatuto de génio, tornando-se numa figura espiritual no mundo da música e da arte. Contudo, é importante realçar que o início da carreira de Bob Dylan foi repleto de obstáculos, até porque, de acordo com a crítica da época, o seu primeiro álbum não fora nada do outro mundo.

A aventura musical de Bob Dylan começa em 1959 quando, o ainda Robert Allen Zimmerman, partiu para Minneapolis para estudar na universidade de Minnesota. Foi aqui que o seu interesse inicial pelo rock n’ roll, que fizera um enorme sucesso durante a década de 50, começou a tender para o folk e também para o country. Durante o tempo que passou em Dinkytown, adoptou o tão ilustre nome artístico Bob Dylan, inspirando-se no seu poeta preferido, Dylan Thomas. Contudo, Bob Dylan abandonou a universidade logo após o seu primeiro ano e no início de 1961 viajou para Nova Iorque com a esperança de ver um dos seus ídolos musicais da música folk, Woody Guthrie, que estava internado no hospital psiquiátrico de Greystone Park devido ao agravamento da doença de Huntington que lhe fora diagnosticada. As visitas constantes deste ainda jovem músico a uma das suas grandes referências musicais foram suficientes para criar inspiração e alimentar um desejo ainda maior pelo ingresso numa carreira musical. A própria música “Song To Woody“ é inspirada em Woody Guthrie, assim como “Talkin’ New York” é inspirada na cidade que o acolhera musicalmente.

Foi então em Nova Iorque que Bob Dylan começou a tocar em vários clubes do bairro de Greenwich Village, ganhando alguma visibilidade e reputação graças a um artigo publicado no The New York Times sobre as suas actuações, durante uma reportagem sobre o Gerde’s Folk City, o clube onde grandes nomes da música passaram de forma a obter a sua afirmação. Dylan suscitou interesse musical por parte da cantora Carolyn Hester que o convidou a tocar harmónica na gravação do seu terceiro álbum, o que levou a que o seu talento chamasse também à atenção do produtor John H. Hammond que contratou Dylan para a prestigiada editora norte-americana Columbia Records. As interpretações incluídas neste seu primeiro trabalho para a Columbia resultariam no seu primeiro álbum composto essencialmente por material de música folk e blues, juntamente com os tais dois originais de sua autoria. O sonho de lançar um trabalho musical estava então concretizado, no entanto o fraco sucesso comercial do álbum, que apenas vendera pouco mais de duas mil cópias no primeiro ano, foi o suficiente para que o seu talento começasse a ser posto em causa. Bob Dylan começou a ser visto como uma aposta fracassada para a editora americana, tendo mesmo sido posta em cima da mesa a hipótese de rescindir o seu contrato. Apesar de tudo, o produtor John H. Hammond fez questão de defender Bob Dylan perante as dúvidas da editora, contando também com o apoio de outro grande nome da música country que havia assinado pela Columbia meses antes, o ilustre Johnny Cash. A aposta em Dylan em pouco tempo passaria de um tiro no pé para uma jogada de mestre: a Columbia teria lucros extraordinários graças ao progresso comercial explosivo dos álbuns de Bob Dylan que surgiam espontaneamente ano após ano.

Este foi então o primeiro degrau numa escadaria de sucesso que é a carreira de Bob Dylan. Só no decorrer da década de 60, os degraus seguintes foram compostos por álbuns de êxito gradual, nomeadamente The Freewheelin’ Bob Dylan (1963), The Times They Are a-Changin’ (1964), Another Side of Bob Dylan (1964), Bringing It All Back Home (1965), Highway 61 Revisited (1965), Blonde on Blonde (1966), John Wesley Harding (1967) e Nashville Skyline (1969), todos eles repletos de canções que ficaram para a história da música norte-americana e internacional. Apesar de um início um pouco obstinado, os tempos mudavam e a carreira de Bob Dylan rolava gradualmente para o sucesso como uma pedra rolante, chegando mesmo a bater às portas do paraíso, soprando ventos e até tornados musicais que inspirariam outros tantos músicos. Hoje falamos deste álbum como a primeira obra daquele que é um dos mais influentes artistas sempre. O álbum que, apesar do seu fraco sucesso de vendas, foi a primeira obra-prima do mestre Dylan, uma pérola musical e até poética que representa o melhor que um jovem em ascensão artística conseguiu alguma vez produzir.

domingo, 6 de setembro de 2020

“S&M2”: MAIS DO QUE UM CONCERTO, HISTÓRIA...

 

Nas noites de seis e oito de setembro de 2019, o recente inaugurado Chase Center, em São Francisco na Califórnia, recebeu o 20.º aniversário do concerto “S&M” dos Metallica. A banda composta por Lars Ulrich, James Hetfield, Kirk Hammett e Robert Trujillo, decidiu compensar os fãs da melhor forma, tocando dois novos concertos com a Orquestra Sinfónica de São Francisco. O resultado não podia ser mais empolgante, revelando assim uma banda mais madura e novidades comparativamente à setlist de há 20 anos atrás. A banda norte-americana veio reafirmar que na música tudo é possível, e é possível de se o fazer bem.

Na sua estreia mundial, “S&M2” começa com uma contextualização de todos os preparativos do evento, onde é feita uma retrospectiva do que foi o projecto “S&M” em 1999, na altura dirigido pelo compositor Michael Kamen. Os artistas revelam que para este novo concerto todos os arranjos e preparativos foram pensados sempre em sintonia com a banda, podendo assim criar uma obra sincera e, em especial, para a Metallica Family. De realçar também o papel social da banda, que apresenta algumas iniciativas da sua instituição “All Within My Hands (https://www.allwithinmyhands.org/welcome.html), que tem como objectivo principal ajudar pessoas na sua formação académica e profissional, tendo já comparticipado centenas de comunidades e escolas.

Mas vamos à musica! Com Michael Tilson Thomas a liderar a ‘segunda banda’, a abertura do concerto faz-se com a clássica The Ecstacy Of Gold, de Ennio Morricone, que os Metallica utilizam como abertura dos seus concertos (em cassete) desde 1984. Esta foi protagonizada pela famosa cena do filme “O Bom, o Mau e o Vilão” (Sergio Leone, 1966) e teve uma performance épica, num crescendo que faz arrepiar os mais insensíveis. Seguiu-se The Call Of Ktulu, do álbum Ride The Lightning (1984), famosa já pela sua interpretação com orquestra em 1999, não desapontando quem já tinha saudades desta versão, e afirmando que o resto do espetáculo só poderia correr bem.

E assim foi, sem espaço para respirar, For Whom The Bell Tolls, do mesmo álbum de 1984, chega para pôr o público a cantar, pois a sua energia vai mais além do silêncio exigido em frente ao grande ecrã. The Day That Never Comes, do álbum Death Magnetic (2008), é a primeira nova experiência em comparação a “S&M” e ganha uma nova força nos seus riffs, pois a orquestra eleva a intensidade de uma música que, segundo Lars, é inspirada numa relação pai-filho.

Após ter sido inevitável tocar guitarra invisível, as luzes do palco ainda se estavam a apagar e já a banda avançava para The Memory Remains (Reload, 1997), outra repetente de há 20 anos, que não trouxe nada de propriamente novo, mas que serviu para pôr muita gente na sala de cinema a cantar e a levantar os braços.

Seguiram-se duas novidades do último álbum, Hardwired… to Self-Destruct (2016), Confusion e Moth Into Flame, que vieram reafirmar que os Metallica ainda sabem ‘fazer heavy-metal’, sendo que por momentos nos esquecemos do background clássico que acompanha a banda.

Segue-se The Outlaw Torn (Load, 1996), uma velha conhecida de “S&M”, que faz de James Hetfield um narrador capaz de preencher uma música de nove minutos com drama e claro, com a ajuda de uns arranjos, fazem desta uma versão mais interessante comparativamente à original de estúdio. No Leaf Clover e Halo On Fire vieram fechar a primeira parte do concerto, sendo que a última, podendo haver uma troca na setlist, seria a preterida.

James Hetfield

O segundo ato começa com a orquestra norte-americana e Michael Tilson Thomas a conduzir a peça Scythian Suite, Op.20, Second Movement, de Sergei Sergeyevich Prokofiev, compositor russo do século XX. De seguida, algo totalmente novo. O compositor introduziu a próxima peça, Iron Foundry, como “o ponto onde a música clássica e o heavy metal se encontram“. Numa composição que tenta desmistificar as máquinas e a tecnologia, a banda aventura-se em ritmos arrojados, onde a distorção da guitarra de Kirk Hammett é o elemento mais estranho e inovador desta excelente colaboração avant-garde.

O espetáculo continua com uma arrebatadora versão de The Unforgiven III, de Death Magnetic, onde James Hetfield dá voz à dramática melodia da Orquestra de São Francisco – uma actuação soberba, capaz de arrancar aplausos na sala de cinema. Segue-se All Within My Hands, a música que dá nome à instituição acima referida, e a única música do polémico álbum de 2003, St. Anger, num registo acústico e íntimo, que ganha uma beleza adicional graças à secção de cordas por parte da orquestra.

Depois fiquei de boca aberta com o que aconteceu, pois isto sim, é uma homenagem. Scott Pingel, o baixista principal da Orquestra Sinfónica de São Francisco, trouxe à Terra Cliff Burton, antigo mestre da viola baixo dos Metallica e falecido em 1986, com a música (Anesthesia) Pulling Teeth, do primeiro álbum da banda, Kill ‘em All (1983). Um solo arrebatador com sons hipnóticos vindos do baixo de Pingel que trouxeram muitas saudades de Cliff, tendo Lars completado a versão original da música entrando a meio para fazer a parte que lhe competia, tal e qual como há 36 anos atrás.

Entramos assim nos clássicos, todos eles já conhecidos do concerto de há 20 anos. Wherever I May Roam e One, pertencentes ao Black Album (1991) e ao …And Justice for All (1988) respetivamente, reavivaram as memórias dos anos de ouro da banda, que mais uma vez beneficiam de toda uma orquestra que torna os temas mais intensos, acompanhados por efeitos visuais já familiares para quem já viu os Metallica ao vivo.

Master Of Puppets, do álbum de 1986 com o mesmo nome, valeu um efeito de ‘micro-loucura’ na sala de cinema, sendo que esta pequena ópera fez questão de ser uma das melhores performances de sempre no que toca à parceria ‘heavy-metal – música clássica’.

O final do concerto dá-se com as obrigatórias Nothing Else Matters e Enter Sandman, ambas do Black Album. Estas não deixaram ninguém indiferente, dando mesmo a sensação de termos sido transportados para o Chase Center. Os arranjos orquestrais para a Nothing Else Matters conseguem catapultar a música para algo intenso e bom de se ouvir, fazendo-nos esquecer as mil e uma vezes que ouvimos este tema na rádio, que nos leva a pensar “Fogo, já estou farto desta música. Mas é uma excelente canção”. Enter Sandman fecha um concerto incrível à la Metallica, a mesma que encerrou o concerto deste ano no Estádio do Restelo, no feriado de um de Maio.

“S&M2” foi capaz de reaproximar a banda de novo ao seu lado mais experimental, convencendo os fãs de que projectos novos serão sempre bem-vindos. Vi um conjunto de músicos que estiveram sempre conectados na mesma corrente, independentemente do seu instrumento ou função. Vi cumplicidade e alegria por parte dos Metallica, que sempre se demonstraram abertos a novas formas de expandir a sua arte. Vi um projecto com cabeça, tronco e membros.

Tudo isto foi possível também graças ao realizador Wayne Isham e à sua equipa de produção, que soube através da imagem dar relevância aos personagens principais (músicos), e ao seu imprescindível público, que veio de todo o mundo (sim, a bandeira portuguesa estava lá e mereceu um plano de destaque, que arrancou automaticamente muitas palmas na sala de cinema) para apoiar a banda, uma família. “Together Again”, assim foi e ainda bem que ficou gravado, pois merecemos ouvir isto tudo de novo.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Morreu o cantor belga Art Sullivan

Art Sullivan vendeu mais de dez milhões de discos nos anos 70 do século passado e foi um fenómeno de popularidade em Portugal.
O cantor morreu na noite do dia 26 de dezembro, de cancro do pâncreas, aos 69 anos. O músico belga teve vários sucessos nos anos 70 do século passado e vendeu mais de 10 milhões de discos. Se nem sempre foi reconhecido no seu país natal, houve outros que o adoptaram, como Portugal, a Alemanha ou a Polónia. Marc van Lidth de Jeude nasceu a 22 de Novembro de 1950, filhos de pais aristocratas — a mãe era prima da rainha Matilde. Descoberto pelo produtor belga Jacques Verdonck, editou a sua primeira canção em 1972, "Ensemble". Nos seis anos seguintes teve sucessos como "Petite fille aux yeux bleus", "Adieu sois heureuse", "Une larme d'amour" ou "Petite Demoiselle". Em 1978 pôs um ponto final na sua carreira, que só viria a retomar já neste século, mas sem editar música nova. Nos anos 1980 dedicou-se à produção audiovisual. Em 2010, numa entrevista à Lusa, quando lançou um álbum comemorativo de 35 anos de carreira, disse que deixou de cantar em 1978, por considerar “que não havia lugar” para a música que fazia. Sobre as suas canções, disse esperar que os mais novos as descobrissem e os mais velhos as recordassem. “Não tenho grandes pretensões culturais, faço música ligeira, canto uma canção simples que em três minutos faz sorrir e sonhar, e isso basta-me.
” Em 2013 explicou numa entrevista que voltou porque lhe pediram para editar as suas canções em CD. “Eu disse que sim, mas achava que ia vender 500 exemplares. Mas foi disco de ouro, de platina... Só em França vendeu 200.000 exemplares. Desde essa altura, voltei a fazer espectáculos e o meu público tem a possibilidade de regressar ao passado, de se projectar na sua adolescência.” Na mesma entrevista falou da sua relação com o público português e com o país: “Quando morrer, quero que as minhas cinzas sejam deitadas ao mar, em Cascais. Adoro Portugal, venho cá várias vezes por ano. Não é muito politicamente correcto, mas costumo dizer que a Bélgica é o meu amor e Portugal a minha amante.” Esteve em Portugal este Verão, num concerto na Expoeste, nas Caldas da Rainha. De acordo com a agência de notícias Belga, Art Sullivan contava festejar em 2020 os 45 anos de carreira, com dez “mega espetáculos”, em países como Argentina, Alemanha, Holanda e Polónia.

sábado, 30 de novembro de 2019

Pink Floyd: 40 anos de um muro nascido da alienação

40 anos após o seu lançamento, a 30 de novembro de 1979, relembramos um dos discos mais importantes do percurso dos Pink Floyd, composto numa altura da carreira dos britânicos em que tudo parecia estar a ruir à sua volta. O isolamento e o medo foram a base da sua construção, mas sobressai uma mensagem de esperança. Eis “The Wall”, numa época em que voltamos a falar de muros.

Hello?
Is there anybody in there?

Mas não estava. O mundo parecia, aos olhos de Roger Waters, um vazio imenso e inóspito para onde fora atirado em nome do estrelato, onde em cada esquina uma sanguessuga se dispunha a deixá-lo apenas ossos, onde a verdade havia sido substituída por uma década de luzes e de trips psicadélicas, de histórias sobre loucura e morte, de saudades de amizades passadas, de governos maquiavélicos. O mundo, para Roger Waters, deixara de ser um conforto. Pior ainda: o mundo era-lhe agora desconhecido.

O culpado, o muro. Não um muro físico, mas um muro psicológico, mental, que o escondia numa tentativa de o fazer sobreviver, mesmo que essa perspetiva fosse, a cada dia, menos gloriosa. Waters, e os Pink Floyd, tinham chegado às posições cimeiras a que todas as bandas almejam; mas o resultado, como num pacto faustiano, não veio sem os seus sacrifícios. A perda de Syd Barrett em 1968 fora a primeira. As dívidas excessivas vieram a seguir. O isolamento dos membros do grupo, que progressivamente o deixaram de ser na verdadeira aceção de “grupo”, teimavam em rasgar a pele e os corações. E Waters, que tomou as rédeas dos Pink Floyd na era pós-Barrett, mostrava-se cada vez menos disposto a abrir-se ao mundo, a abrir mão da sua criatividade para a juntar às dos outros.

É certo que este isolamento nos deu obras ainda hoje canónicas dentro do rock: “Dark Side of the Moon” (1973), “Wish You Were Here” (1975) e “Animals” (1977) são peças fundamentais para perceber o quão revolucionários foram os Pink Floyd, e Roger Waters, dentro da história do género. Mas também nos deu uma outra, dolorosa, por se assemelhar tanto ao diário que o baixista poderia ter mantido ao longo dessa década de 70, sob a forma de uma alegoria: “The Wall”.

A história começa com o muro e o muro começou a ser construído muito antes dos Pink Floyd. Em 1944, com apenas cinco meses de idade, Waters perderia o pai na II Grande Guerra, durante a chamada Operação Shingle, na Itália, onde mais de 43 mil soldados Aliados perderam a vida. O trauma cresceria durante a infância e seria figura omnipresente ao longo de quase toda a sua vida. Um trauma que depressa se transformaria num sentimento de traição. Eric Fletcher Waters, o pai, tinha-se declarado objetor de consciência no período da Guerra, mudando as suas posições pacifistas mais tarde e juntando-se ao exército britânico. A traição sentida está precisamente nisso: no facto de Eric ter abandonado os seus ideais, apenas para, em última análise, morrer.
Não foi a única traição. No final dos anos 70, os Pink Floyd estavam no topo do mundo – nem a explosão punk os conseguiu tirar do pedestal – mas o sucesso, como comprovado vezes sem conta, é uma faca de dois gumes. Mais discos e mais concertos esgotados significavam mais pessoas, mas não necessariamente uma compreensão da mensagem (filosófica, política) que os Pink Floyd e Waters tentavam fazer passar. Os britânicos tinham uma audiência, mas esta era surda. E o ponto de ebulição foi atingido em 1977, durante um concerto no Estádio Olímpico de Montreal, parte da digressão “In the Flesh”, na qual os Pink Floyd tocaram pela primeira vez em estádios.

«Odiei, porque [os concertos] se tinham transformado num evento social, e não numa relação normal e controlada entre músicos e o público. As filas da frente gritavam, abanavam, não prestavam de facto atenção ao que ouviam. Quem estava mais atrás, não conseguia ver nada...»

A alienação sentida entre Waters e público, derivada desta mesma ideia – que parece soar tão verdadeira ainda hoje... – levou o músico a fazer algo que até então seria impensável: cuspir num dos seus próprios fãs, uma espécie de equivalente musical do famoso pontapé de Eric Cantona num adepto do Crystal Palace. E, ao contrário do que pensavam os punks de 1977, sempre dispostos a escarrar para o palco, a saliva não era de todo um elogio. Waters terminava a construção do seu muro, a antítese da ideia de humanidade: ela não existe se nos isolarmos dos humanos. Mas havia que deitá-lo abaixo, voltar a subir à tona de água para respirar.

O primeiro passo, de forma algo paradoxal, foi o de reconstruir esse muro, musical e literariamente. “The Wall” é sobretudo a história de Roger Waters e de como ele foi sofrendo até não aguentar mais, ao longo da sua carreira. História essa que é personificada por Pink, artista rock que vê o pai morrer na Guerra, que sofre bullying por parte dos seus professores primários, que se torna numa estrela amante de todo o tipo de deboches e que se isola do mundo em agonia misantropa, imaginando-se fascista e genocida, até um julgamento criado na sua própria cabeça o levar a descobrir que (ainda) há verde na Terra.

Já nos Pink Floyd, havia o vermelho: em 1978, as finanças do grupo estavam de tal forma sumidas que era necessário compor imediatamente um disco. Culpa do Norton Warburg Group, empresa de gestão financeira a quem os britânicos haviam confiado o seu dinheiro e que o perdeu em diversos investimentos de risco. Não fosse por “The Wall” e os Pink Floyd poderiam muito bem decretado falência e terminado logo ali, há 40 anos. Mas compô-lo poderia ser uma tarefa complicada sem alguém que lhes mostrasse o caminho. E esse alguém foi o produtor Bob Ezrin, que havia trabalhado com nomes como Alice Cooper ou Lou Reed e que ajudou a banda, e Waters, a encontrarem-se.
O resultado é uma das obras mais densas da carreira dos Pink Floyd, e o disco a que commumente associamos a expressão “ópera rock” (mesmo que “Tommy”, dos Who, o preceda em dez anos). Uma hora e vinte minutos de magia e soberba musical, agrupando vários estilos distintos: rock espacial ('In the Flesh?'), pós-rock antes de o termo ser cunhado ('Another Brick in the Wall, Part 1'), disco ('Another Brick in the Wall, Part 2'), abordagens folk ('Mother'), ópera propriamente dita ('The Trial') e, claro, o lamento elétrico de 'Comfortably Numn', onde os solos de guitarra de David Gilmour tomam a dianteira e elevam todo “The Wall” ao estatuto de culto.

Para além do som, a imagem – não só a que era criada em cada ouvinte com recurso aos poemas de Waters, mas também a que, em 1982, chegou aos cinemas pela mão de Alan Parker e Gerald Scarfe, com Bob Geldof no papel principal. “The Wall”, o filme, foi três anos após o disco um enorme sucesso a nível da crítica, e quiçá o “culpado” de ainda hoje falarmos da música com tanto respeito e carinho. A fusão perfeita entre todos os modos de criação. Uma obra de arte total.

À altura, nem foi visto dessa forma: muitos críticos insurgiram-se contra o maximalismo e o pretensiosismo da obra (convenhamos que, no final dos anos 70, o punk olhava dessa forma para tudo o que não fosse feito a partir de três acordes), que só começou a ganhar um estatuto canónico nas décadas seguintes ao seu lançamento. Mas o que a crítica não via, via-o o público, que o levou ao número um das tabelas de vendas durante várias semanas. Ao álbum, e à canção que com o passar do tempo granjeou um estatuto ainda maior que o do álbum: 'Another Brick in the Wall, Part 2', que fora do seu contexto passou a ser interpretada por milhões de gargantas por todo o mundo como canção de protesto. We don't need no thoughts control...

Para além de todo o existencialismo presente na obra, e se calhar é essa a sua maior virtude, está o facto de também transmitir uma mensagem de esperança aliada a um conselho precioso: quanto mais nos isolamos do mundo, quantos mais muros construímos, mais abrimos espaço ao ódio quando deveríamos fazê-lo com o amor. O disco termina e começa com uma frase cortada a meio – Não foi por aqui que viemos? – atestando à natureza cíclica dos muros, um loop imenso de depressão e apatia. Mas essas podem ser vencidas, e os muros podem ser derrubados, e as lutas podem ser constantes e eternas para nos lembrar de que estamos vivos. A grande lição de um disco como “The Wall”, relembrando sempre que um muro físico nos tolda o senso comum (seja em Berlim, seja em Israel, seja nos Estados Unidos), é a de que a fragilidade e o medo existem para serem vencidos. 40 anos depois, não olvidemos essa mensagem.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Beatles lançaram "White Album" há 50 anos.

"White Album" foi editado a 22 de novembro de 1968.

"White Album", considerado o disco menos 'disciplinado' dos Beatles, foi lançado a 22 de novembro de 1968, há exatamente 50 anos. O álbum foi gravado entre maio e outubro e conta com canções compostas depois de "Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band" (1967).
Originalmente, o álbum da banda britânica não se chamava  "White Album", mas apenas "The Beatles". Ao contrário dos discos anteriores, que mostravam os membros do grupo na fotografia, a capa deste álbum era apenas um fundo branco com um título em letras pequenas, passando a ser conhecido como "o álbum branco".
“The White Album” foi o primeiro álbum dos Beatles lançado pela própria editora do grupo, a Apple Records. O registo duplo tornou-se um êxito, que entrou diretamente para o primeiro lugar do top de vendas do Reino Unido, mantendo-se durante oito semanas na liderança.
O disco também entrou para o número um da tabela de vendas dos Estados Unidos, onde se manteve durante nove semanas. Nos EUA, o álbum conquistou 19 Galardões de Platina e no ano 2000 entrou para o Hall of Fame dos Grammys.
"Back in the U.S.A.", " Ob-La-Di, Ob-La-Da", canção escrita por Paul McCartney que se tornou num dos sucessos da banda, "Happiness is a Warm Gun", "Martha My Dear" e "Blackbird" são algumas das 30 canções que fazem parte de "White Album".
Uma das críticas frequentes ao disco é que seria demasiado longo. George Martin, falecido produtor e diretor musical dos Beatles, revelou que tentou agradar à banda. "Fiz uma seleção das melhores canções. Queria colocá-las num LP único, mas eles não quiseram saber", contou.
John Lennon, por exemplo, insistiu em incluir “Revolution 9”, uma colagem de ruídos e efeitos sonoros que o músico elaborou ao lado da sua companheira, Yoko Ono.
"Durante 50 anos, o 'The White Album' convidou os ouvintes a aventurarem-se e a explorar a amplitude e a ambição da sua música, deliciando e inspirando novas gerações', frisa a Universal Music, que lançou este mês uma  reedição especial do disco.
"Os 30 temas do álbum foram novamente misturados pelo produtor Giles Martin e pelo engenheiro de som Sam Okell em stereo e 5.1 surround áudio, juntamente com 27 maquetes acústicas e 50 sessões de estúdio, a maioria delas nunca editadas até hoje", explica a editora.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

QUEEN: A Night at the Opera [21 de novembro de 1975]

Há 43 anos, os Queen lançavam o álbum "A Night at the Opera".

O título foi "roubado" a uma comédia delirante dos irmãos Marx, que tem apenas uma coisa em comum com o álbum: a loucura e o espírito irreverente e desejoso de quebrar todas as convenções possíveis e imagináveis. O epíteto surgiu depois dos quatro terem visto o filme num dia de gravações, mas é completamente diferente, a "ópera" dos QUEEN: um misto de poesia, alucinações, drama, tragédia, comédia e farsa, que se tornou, à época, no disco mais caro de sempre, no que diz respeito ao seu budget. Mas os custos elevados foram recompensados: a obra foi um sucesso de público e de crítica, e hoje permanece, para a opinião especializada, como um dos trabalhos mais originais da banda. E com toda a razão. «A Night at the Opera» é um grandioso "vulcão em erupção", e um dos momentos mais fervilhantemente criativos de inspiração do grupo. Desde o princípio até ao fim que os QUEEN revelam outras máscaras do seu imaginário, elaborando ligações complexas com os álbuns anteriores, criando elos para o futuro e demarcando novas etapas artísticas que só ficariam registadas neste disco. O êxito percorreu os dois lados do Atlântico: tanto no Reino Unido, onde os QUEEN ganhavam um culto crescente, e nos EUA, num número de vendas que lhes proporcionou o primeiro disco de platina no país, as novas histórias e mensagens da banda chegavam aos fãs e a novos ouvintes que se deliciaram, pela primeira vez, com o estilo único e sempre surpreendente que caracteriza cada uma das 12 faixas do disco. Entre rock mais ou menos ligeiro e orquestral, e o pop de tendências mais ou menos surreais, surge um espectáculo operático como nunca se ouviu antes nem depois, misturado com baladas, danças e filosofias. Ouvimos melhor o talento de cada um dos quatro membros do grupo, já que existe uma maior diversidade na autoria das canções e não uma centralização mais notória na dupla May-Mercury.

«Death on Two Legs (Dedicated to...)» é uma música com uma intenção (pouco) subliminar, que os primeiros segundos em piano tentam esconder - mas que rapidamente desaparecem para dar lugar a outra tonalidade melodiosa. Percebemos que Freddie Mercury está a insultar alguém, com toda a mistura de sons, vozes e instrumentos que escutamos ao longo da canção, contagiante. É uma música surpreendente em que os artistas se vingam dos managers dos quais se tinham finalmente libertado, que trouxeram alguns problemas económicos e angústias aos QUEEN. Segue-se-lhe uma música completamente diferente (e neste álbum, cada tema pouco ou nada tem em comum com os que se lhe antecedem), «Lazing on a Sunday Afternoon», um tema com um certo toque vintage que faz lembrar certos divertimentos do mundo do espectáculo burlesco do século XX. «I'm in Love with My Car» é mais uma grande amostra do rock de Roger Taylor, e «You're My Best Friend», de John Deacon, é não só um dos temas mais emblemáticos do álbum como também um dos mais alegres e orelhudos. «'39», de Brian May, é uma música fabulosa, um hino que segue os moldes do estilo skiffle (proeminente nos EUA em inícios do século), com elementos espirituais e filosóficos, totalmente fora das "convenções" que os QUEEN criaram no seu estilo e que as pessoas imediatamente caracterizam - quem diria que esta música é dos mesmos fulanos que fizeram o «Killer Queen», perguntariam os ouvintes de 75?
Depois temos ainda espaço para os (grandes) divertimentos proporcionados por «Sweet Lady» e «Seaside Rendezvous», de May e Mercury respectivamente, que reflectem ideias menos desenvolvidas anteriormente com uma nova frescura e abordagem. Mas há dois épicos no disco: um deles é o mais notável (e já lá chegaremos), e o outro é o mais esquecido «The Prophet's Song», uma música de May com algo de  rock progressivo, apocalíptico e sci-fi que os múltiplos coros e a voz-protagonista de Mercury acentuam de uma maneira espectacular, com uma história própria e uma comparação notável entre as várias fases da mesma, flutuando entre o desespero da Humanidade e a esperança e a salvação trazida pelo tal profeta da cantiga. Uma canção brilhante e excepcional, que estabelece ligação com a melodia mais bonita do álbum: «Love of My Life», o tema de todos os apaixonados, ontem, hoje, e amanhã, uma poética composição de Mercury que reflecte as desilusões e contradições do amor e das relações humanas - e que se revelou num enorme êxito nos concertos da banda. Depois, há mais um tema "folião" e divertido, «Good Company», uma composição simples, mas não menos interessante, inspirada e encantadora, de Brian May, ao som de um ukulele.

E eis que chegámos ao "outro" épico deste disco, e a música mais marcante, a nível cultural, social e popular, de «A Night at the Opera». O que se pode dizer sobre esta epopeia de dimensões cósmicas que não tenha já sido referido em milhentas outras ocasiões? É uma música que tem tudo e mais alguma coisa, e permanece uma das peças-chave do repertório dos QUEEN. É uma delícia para os ouvidos e uma viagem de descoberta "ultimate" pelas alucinações e devaneios de Freddie Mercury. Deu ao grupo prémios, honrarias e aclamações que ainda vão durar mais umas quantas décadas, influenciou muita gente e foi alvo de diversas "homenagens" (a mais popular da actualidade será a formidável recriação do videoclip original pelos Marretas). E por fim, temos «God Save the Queen», uma impecável versão rock instrumental do hino da Grã-Bretanha, que fecha uma saga de acontecimentos históricos e musicais maiores que o mundo... mas couberam todos num único disco.

Freddie Mercury dissera mais tarde que, em «A Night at the Opera», os QUEEN tiveram espaço para fazer coisas que não puderam concretizar em «QUEEN II» e «Sheer Heart Attack». "Fizemos coisas com a guitarra e com as vozes como nunca havíamos feito antes. Não houve qualquer limitação". A isto se juntou a inspiração elevada do grupo, que deu origem a várias composições - muitas delas presentes neste disco, e que são das mais refinadas da sua discografia, e outras acabaram por originar êxitos de álbuns posteriores (Mercury começava a pensar nessa altura num certo tema intitulado «We Are the Champions»). Foi o disco que trouxe à banda a grandiosidade, e definiu-os de uma vez por todas como uma das figuras mais marcantes da sua época na música. E todas estas condicionantes se reflectiram num álbum maravilhosamente construído, equilibrado, original, inovador e intemporal, que felizmente, continua tão forte, vivo, audaz e irresistível como há 43 anos. Nessa altura, todos estavam muito inspirados e contribuíram para este álbum genial de igual maneira. Surpreende a cada canção e a cada criação que os QUEEN transformam e retransformam em mil e uma metamorfoses, contradizendo-se constantemente nos seus temas e nas intenções de cada um - e isso, aqui, é algo muito importante, e incrível. Um disco imparável e excepcional, que marca o topo da primeira década de actividade dos QUEEN.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

The La’s lançam o seu primeiro e único álbum de título homónimo, no dia 01 de outubro de 1990

A história dos The La’s confunde-se com a do seu primeiro álbum. Exactamente por ter sido o seu único. The La’s, disco homónimo da banda de Liverpool, reeditado em 2001 com músicas extra, dá-nos a conhecer o projecto de um grupo tumultuoso que deveria ter continuado a escrever mais material, dada a qualidade significativa do seu primeiro e único disco.
Muitos poderão estar, neste momento, a comentar quem serão esses tais de La’s de quem podem nunca ter ouvido falar. Confesso que a primeira vez que ouvi falar desta banda inglesa foi na VH-1, quando este canal televisivo ainda tinha alguma qualidade, com o single «There She Goes». Esse mesmo que ouvimos há algum tempo, numa cover (mais uma) dos Sixpence None The Richer (copistas). «There She Goes» é o lado mais pop dos The La’s mas a sua qualidade é inequívoca.
Ao ouvirmos o álbum conseguimos ver de onde veio inspiração para algumas bandas britânicas, nomeadamente os Oasis de Noel e Liam Gallagher e The Coral, mais um grupo de Liverpool que conta já com três discos de grande qualidade.
Percebe-se, então, que os La’s tiveram um bom marco na história da música, apesar da sua curta carreira discográfica, um pouco ao estilo do que fizeram os Stone Roses com o seu primo álbum. Um chegar, ver e vencer e meter os papéis para a reforma. Fica-nos a sua música que, apesar de escassa, marcou uma série de bandas posteriores. Para fãs da Britpop e não só, recomenda-se a audição. Não se vão arrepender.

Morreu hoje Charles Aznavour (1924-2018)

Morreu, aos 94 anos, Charles Aznavour, figura maior da canção popular francesa, voz que cruzou gerações e autor a quem muitos outros deram novas vidas. Era muitas vezes comparado a Frank Sinatra pelo tom melancólico do seu canto e pelo charme que moldava a sua pose e imagem. Porém, ao invés de Sinatra, Charles Aznavour era um autor e, mesmo tendo interpretado alguns temas de outros autores, a esmagadora maioria da sua obra fez-se com gravações e interpretações em palco de canções que ele mesmo escreveu. Ao todo deverão ser na ordem das 1300 as composições que Charles Aznavour deixou e que constituem um importante corpo da história da canção popular francesa do século XX. Estava, porém, longe de pensar que um dia, voluntariamente, colocaria um ponto final numa carreira que ainda mantinha ativa uma agenda de palcos. Há dois anos, muitos certamente recordam a sua derradeira atuação portuguesa, no palco da Altice Arena. Agora tinha acabado de regressar de uma digressão pelo Japão e no último verão só não deu mais concertos porque uma queda lhe partiu um braço. O presidente francês Emmanuel Macron, depois de um primeiro tweet ter destacado as suas raízes arménias e o facto de “ter acompanhado as alegrias e dores de três gerações”, revelou já que o tinha convidado para atuar este mês em Erevan (na Arménia) no âmbito de um encontro de países francófonos…
A relação de Charles Aznavour com a música começou bem cedo quando, ainda bem pequeno, ainda sob o seu nome real Shahnourh Varinag Aznavourian, começou a cantar em pequenos espetáculos locais. Filho de emigrantes arménios, nasceu no bairro parisiense de Saint Germain des Près em 1924 e, durante a ocupação nazi, ele e a família ajudaram a esconder judeus no seu apartamento. Por essa altura tinha já desenvolvido uma admiração particular por nomes da canção francesa como Maurice Chevalier ou Charles Trenet. Tinha já um trabalho regular de escrita de canções (inicialmente em parceria com Pierre Roche) quando, depois da guerra, é notado por Edith Piaf que o chama para trabalhar a seu lado. Durante algum tempo Aznavour esteve sob a sua sombra, mas na década de 50 as canções que escreve para Gilbert Bécaud e as que ele mesmo começa a gravar nos seus discos dão-lhe visibilidade que o liberta e transporta para um espaço de protagonismo na música francesa que o acolhe como um dos grandes da segunda metade do século XX.
Grava inúmeros discos criando uma discografia que recua aos tempos dos 78 rotações e que acompanhou o LP quase desde os primeiros passos deste formato. Edita mais de cem álbuns e mais de 400 singles e EPs, construindo uma obra com dimensão internacional que, no plano das vendas, terá alcançado números na ordem dos 180 milhões de exemplares. Mas mais do que os números e a soma dos êxitos, a obra de Aznavour abriu caminhos importantes no plano das ideias. Foi dos primeiros a cantar questões de identidade num plano mainstream, colocando na sua voz as experiências de algumas minorias. Queria, como ele mesmo chegou a explicar, “quebrar tabus” como, por exemplo, o fez em Comme Iles Disent (originalmente incluído no álbum de 1972 Idiote Je T’Aime), onde canta sobre homofobia. A canção teria, nos anos 90, uma versão brilhante por Marc Almond, que a cantou em inglês (com o título What Makes a Man a Man) no concerto 12 Years Of Tears no Royal Albert Hall. Anos antes, em 1955, uma outra canção sua, Après L’Amour, tinha gerado um “caso” pelo modo como as palavras descreviam o ambiente entre um casal depois de um ato sexual.
A força das palavras, o fulgor do intérprete, são elementos na história de uma figura que talhou uma relação particular com Portugal através do seu relacionamento com Amália Rodrigues, para quem compôs Aïe Mourrir Pour Toi. As versões são parte de uma vasta história feita de canções, de discos, de filmes (que envolvem realizadores como Truffaut e Chabrol, entre outros), que fazem de Aznavour um daqueles seres maiores que a história da música não vai nunca esquecer.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

"Close To The Edge" dos YES, lançado a 13 de setembro de 1972

Rick Wakeman uma vez disse: “Quando gravamos esse álbum, os que já gostavam passaram a gostar mais…os restantes passaram a ter-nos um ódio de morte…” Uma frase que rotula perfeitamente a música dos Yes em particular, e o rock progressivo em geral. Quem detesta grandes demonstrações de virtuosismo e não suporta ouvir a voz angélica de Jon Anderson, sem ter no mínimo um ataque epiléptico…pode parar de ler por aqui. Os outros façam o favor de nos acompanhar até 1972, aos Advision Studios em Londres, onde cinco músicos de alto gabarito compunham um dos álbuns mais aventureiros da história do rock.
Jon Anderson, Steve Howe; Chris Squire; Rick Wakeman e Bill Bruford constituíam em 1972 a par dos Emerson Lake & Palmer; King Crimson e Genesis um dos maiores super-grupos do chamado Rock Sinfónico.
O disco abre com “Close to the Edge” uma suíte de quase 20 minutos, dividida em 4 movimentos. O som de pássaros misturado com uma poderosa entrada “jazz-rock” de bateria, baixo e guitarra dão “A Solid Time of Change” (1º movimento) uma das intros mais estranhas e poderosas de sempre. É sobre esta divagação multi-instrumental que Jon Anderson começa a cantar aos 5 minutos, no segundo movimento em “Total Mass Retain”. Somos imediatamente transportados para um universo para lá da via láctea, com letras inspiradas em povos e planetas já desaparecidos. A toada mantém-se num crescendo até “I Get Up, I Get Down”. Aqui descobrimos pela primeira vez um Wakeman inspiradíssimo que compõe uma sinfonia espacial em órgão de igreja acompanhado de um dos instrumentos que mais caracterizam o rock da época, o sintetizador Moog. O tema ganha uma proporção quase dramática interrompida subitamente pela secção rítmica de Bruford e Squire que nos introduz a última parte: “Seasons of a Man”. Os Yes voltam à carga com toda a força aproximando-se um pouco dos ambientes mais tarde criados pelos seus discípulos Dream Theater.
Em linguagem “viniliana“ acabava o lado A e começava o Lado B com “And You And I”. O grupo introduz-nos nas suas raízes folk, revelando-nos um Steve Howe bastante hábil nos temas acústicos que marcariam com sucesso o resto da carreira da banda. O tema evolui espantosamente para uma sinfonia que faz pensar o que seria se Stravinsky tivesse vivido dentro da cultura Hippie.
Em “Siberean Khatru” (último tema do disco) o grupo revela um lado mais bluesy e rockeiro com alguns ecos à moda de Jimi Hendrix. Menção honrosa aqui mais uma vez a Rick Wakeman, que consegue por o povo a “rock n rollar” ao som de um cravo do Séc. XVIII. Já não se fazem discos assim…

domingo, 26 de agosto de 2018

"Hey Jude" faz hoje 50 anos...

É uma das mais conhecidas canções dos Beatles e uma das melhores composições de Paul McCartney. Esta é a sua história e como Lennon admitiu ser a melhor canção de Paul.
"Nahnahnahnahnahnahnahnahnah, hey Jude". Faz este domingo 50 anos que os Beatles lançaram Hey Jude, uma das suas canções mais reconhecíveis e um dos primeiros hinos de estádio da história.
Saída da cabeça de Paul McCartney – nesta altura já eram raras as composições que juntavam os esforços de John Lennon e Paul McCartney desde o início -, a canção serve inúmeros propósitos, desde canções no final de festas académicas, canções escolhidas em karaokes, viagens de carro e para acabar noites em discotecas onde o saudosismo é rei. Ah! E para ouvir apenas e simplesmente porque sim.
Mas olhemos para o carácter inovador de Hey Jude. Milhões de pessoas desde o século XIX conseguem trautear a melodia do quarto movimento da nona sinfonia de Beethoven (comummente apelidado de Hino da Alegria). Mas não serão assim tantos aqueles que sabem as palavras do poema cantado pelo coro de cor. E mesmo temas mais recentes como "We Are The Champions" ou "We Will Rock You" (ambos dos Queen) são mundialmente conhecidos e entoados em eventos que juntam milhares. Mas também não serão todos os que sabem de cor a letra destas canções. Os Beatles aliaram a simples melodia do Hey Jude com um factor diferenciador: os "nananananas". Esta sílaba facilmente pode ser repetida por pessoas do mundo inteiro, o que torna mais fácil entoar o tema dos Fab Four. Mas daí advém uma ironia. Embora seja provavelmente a mais fácil canção dos Beatles de entoar por milhares de fãs em uníssono, nunca foi tocada ao vivo. Composta em 1968, a canção foi editada nesse mesmo ano, já depois dos Beatles se terem retirado dos concertos ao vivo, alegadamente, por não se conseguirem ouvir a eles mesmos devido aos gritos dos fãs.

Composição a três
A canção "surgiu" a McCartney  como aconteceu com tantas outras dezenas. Uma melodia simples, com um tom luminoso. Acordes ao piano e a voz do músico para começar um tema que era dedicado ao filho de John Lennon, Julian Lennon. O pai tinha deixado Cynthia para se juntar a Yoko Ono e McCartney brincava muito com a criança.
Como lembra o jornal The Guardian, o facto de ir a conduzir obrigou McCartney a manter o tema simples, sem complicar demasiado a melodia, que acabaria por ficar, apesar do nome original da canção ter sofrido alterações: de Hey Jules para Hey Jude.
Embora já não compusessem juntos, Lennon e McCartney depositavam ainda um no outro a confiança para mostrar os temas. Se Lennon compunha algo, mostrava a Paul e vice-versa. E curiosidade, quando Hey Jude foi tocada pela primeira vez a Lennon, este terá afirmado de imediato: "É sobre mim!", ao que McCartney terá respondido: "Não, é sobre mim!". Afinal a canção já não era apenas para Julien.
Foi já depois de a canção ter passado pelo crivo de Lennon que foi mostrada aos restantes Beatles e, em vez de uma simples melodia ao piano passara a ser uma longa canção (com mais de sete minutos, um dos temas mais longos da carreira dos Beatles) com um crescendo instrumental e vocal, bateria e instrumentos musicais.
O produtor George Martin – o quinto Beatle por excelência – mostrou preocupações pela duração da canção, argumentando que os radialistas não a iriam passar até ao fim. "Passam se formos nós", respondeu Lennon. E estava certo, como provou a história.
Mas Martin não se iria calar e acabou mesmo por introduzir as suas ideias no tema: contratou uma orquestra e transformou uma canção "simples" num tema onde participaram mais de 40 pessoas (quatro Beatles e 36 membros de orquestra).
Será Hey Jude a melhor canção dos Beatles? É impossível afirmá-lo, numa banda que tem temas tão icónicos como Yesterday, In My Life, Tomorrow Never Knows ou Let it Be.
No Spotify, a canção mais ouvida da banda no dia 26 de Agosto de 2018 era Here Comes the Sun (tema de Harrison). O mesmo acontece no Apple Music. Mas a canção Hey Jude (duas vezes maior do que o tema de Harrison) aparece em quarto e quinto lugar, respectivamente, mostrando que é apreciada muito mais que QB. Já no YouTube, Here Comes the Sun soma mais de 14 milhões de visualizações no vídeo mais visto da gravação feita pela banda – a versão de Nina Simone tem 17 milhões -, enquanto Hey Jude tem mais de 119 milhões de visualizações.
Mas tomando como certa a opinião de um dos melhores compositores populares do século XX – John Lennon -, Hey Jude é a melhor canção de Paul McCartney. E isso não é dizer pouco.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

AC/DC publicam "Back in Black" no dia 25 de julho de 1980.

AC/DC passados mais de 30 anos continuam na linha da frente, esgotam estádios e atingem os tops mundiais. Quantos exemplos de bandas temos como esta que para além de sobreviver á trágica morte do seu vocalista consegue ainda atingir novos patamares?Esse patamar chama-se Back in Black. Depois de Let There Be Rock, Powerage e Highway to Hell nada fazia prever o auge de vendas que este iria obter. Hoje é um dos álbuns mais vendidos de sempre a par de Dark Side of The Moon de Pink Floyd e do famoso Thriller do falecido Rei da Pop- Michael Jackson.Vamos esquecer os números. Back in Black é o ponto de viragem na carreira dos AC/DC. A trágica morte de Bon Scott deu lugar a Brian Johnson e as semelhanças vocais foram bem aceites. A irmandade Young mais uma vez fez o resto.A capa marca o luto, «Hells Bells» toma uma dimensão épica nunca dantes visível na banda. Assim se abrem as hostes dum álbum bem mais maduro que o anterior.Ao som de sinos se abre este incrível tema, ainda hoje celebrado ao vivo com o famoso sino da banda.

«Shoot to Thrill» tira as dúvidas do primeiro tema, não eles não ficaram frouxos dum dia para o outro, o Rock’n’Roll que os distingue e que nos dá vontade de fazer air-guitar ainda continua de pé! Sem piedade no “…Pull the Trigger..” Angus Young dá uso á sua Gibson criando uma mistura de Riffs que não deixa criar saudades dos tempos de T.N.T.! Parabéns, estamos ainda no segundo tema e temos mais dois clássicos!O solo final é simplesmente majestoso!

O que fazem por dinheiro estes rapazes? Por incrível que pareça fazem música de qualidade! É com a rima «What do You Do For Money, Honey?» que se faz o refrão deste mesmo tema.«Givin’ The Dog a Bone» dá continuidade. Isto é AC/DC! Rock’n’Roll no seu estado mais puro.

O tema seguinte pede-nos algo desnecessário «Let Me Put My Love Into You» é algo que estes Australianos em 1980 já não precisavam! Um dos compassos mais conhecidos do mundo, par do Riff e da coreografia de Angus (Duck Walk), é sem dúvida o do tema que dá nome ao álbum. Como poderei descrevê-lo? – Como um dos temas mais marcantes da história do Rock! Sem sombra de dúvidas um dos melhores solos da carreira de Angus! Este que por sua vez é por vezes referenciado injustamente como o sr. dos três acordes, esquecendo o guitar hero dentro da farda colegial.

É impressionante como neste álbum os 7 minutos e 45 segundos da 6ª e 7ª música marcam toda uma geração! De «Back in Black» passamos para o grande êxito radiofónico dos anos 80- «You Shook Me All Night Long». Não há nada melhor do que fazer aquelas viagens pelas nacionais deste país, no meio do nada numa manhã de Verão, janela aberta, e AC/DC bem alto!Este é o tema que conquistou muitos corações á banda. Arrisco-me a dizer que era isto que faltava para completar o seu sucesso mediático.Dos metaleiros ás adolescentes com posters de Bon Jovi e Van Halen, AC/DC era uma referência. Hoje é um icon.

«Have a Drink on Me» não destoaria em nenhum bar de motards que se preze. «Shake A Leg» obriga o ouvinte a bater o pé. Sabem que mais? Aqui podemos encontrar diamante em bruto, o facto de temas como este ficarem para trás em concertos das banda só demonstra a fabulosa discografia da banda, é de facto um desperdício!Back in Black provou ser uma fábula, uma daquelas que nos transporta para um mundo de maravilhas. Mas fábula que se preze têm um final feliz seguido duma mensagem pedagógica- «Rock and Roll Ain’t Noise Pollution»- alguém quer melhor do que isto?
Fazendo trocadilho passo a explicar o sucesso de Back in Black :

AC/DC Ain’t Noise Pollution!!