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quinta-feira, 17 de março de 2016

Pattie Boyd, uma das mulheres mais sortudas da história do rock, completa 72 anos.

Pattie Boyd,  modelo e actriz foi casada com George Harrison e Eric Clapton e ganhou músicas incríveis da parte dos dois guitarristas. Uma delas é “Something”, que faz parte do álbum “Abbey Road” dos Beatles e outra é “Layla”, gravada para o disco “Layla and Other Assorted Love Songs”, da banda Derek and The Dominos.
George conheceu Pattie nas gravações do filme “A Hard Day’s Night”, em que ela foi figurante, e os dois casaram em 1966, tendo Paul McCartney como padrinho. A história de como os dois se conheceram, teria tudo a ver com a letra do hit. Contudo, George afirmou certa vez, que não tinha ninguém em mente quando compôs a música, o que foi contrariado no livro de 2007, “Wonderful Tonight: George Harrison, Eric Clapton and Me”, de Pattie Boyd. A ex-mulher do guitarrista conta na publicação que Harrison escreveu “Something” para ela, mas que o casamento dos dois já estava em crise na altura.
Primeira canção de George a ser lançada como lado A de um single dos Beatles, “Something” só perde para Yesterday em número de regravações de músicas do quarteto britânico. Uma das versões é do cantor Frank Sinatra, que chegou a declarar, que esta era a canção de amor mais bonita dos últimos cinquenta anos.
Se George Harrison negou que “Something” foi inspirada em Pattie Boyd, já o seu grande amigo Eric Clapton assumiu que “Layla” e uma série de outras músicas que escreveu, diziam respeito à modelo. Clapton apaixonou-se por Pattie quando esta ainda era casada com o ex-beatle, e ao perceber que não poderia ficar com ela, escreveu grande parte das músicas que fazem parte do disco “Layla and Other Assorted Love Songs”, de 1970. Sete anos depois do lançamento do álbum, Pattie deixou George e casou-se com Clapton, que fez ainda muitas outras belas canções para ela, como “Wonderful Tonight” e “Pretty Blue Eyes”.

Apesar de todo o romance das composições, Pattie não tinha chegado ao “felizes para sempre”, já que o seu casamento com Clapton acabou em 1988, depois de diversas traições por parte do músico.
O facto de Eric Clapton se ter apaixonado pela então esposa de George Harrison, não afectou a amizade entre ambos. Continuaram a realizar diversos trabalhos em parceria, incluindo álbuns e turnés.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Beatles gravam “Something”

Há 45 anos… dia 2 de maio de 1969.

“Something” já estava no forno. A 25 de Fevereiro, 26º aniversário de George, os primeiros takes foram gravados. Um mês e pouco depois, a 16 de Abril, a primeira gravação oficial, durante a segunda sessão de produção do álbum Abbey Road. A sessão do dia 2 de maio, no entanto, seria a decisiva, segundo consta nos livros dos beatlemaníacos. Naquele dia, “Something” ficaria como a conhecemos hoje: a mais bonita canção de amor deles. De George Harrison!
Das 7 da noite até às 4 da manhã, a banda gravou 36 takes. Com George e John nas guitarras, Paul no baixo, Ringo na bateria e Billy Preston no piano, “Something” tomou forma. O piano de Preston deu um toque melódico ímpar e a guitarra de George chorou o seu mais lindo solo.
Não sem algum atrito à mistura, claro. A certa altura, George reclamou da linha de baixo de Paul, dizendo ao amigo que estava muito frenética e pesada. Uma elegante desforra de George, que escutara calado as infindáveis “observações” de Paul sobre a sua guitarra, em gravações das composições de Macca. Discussões à parte, ao fim de 36 takes, “Something” estava pronta. Naquela versão, havia um bonito solo de piano de John, que acabou por não ficar. Ele aproveitou-o na abertura da canção “Remember”, do seu primeiro disco a solo.
No dia 5 de maio, Paul e George voltaram aos estúdios da Abbey Road para dobrarem baixo e guitarra. A 11 e 16 de julho, George fez os vocais novamente e Billy Preston acrescentou linhas de piano. George Martin, o produtor, acrescentou os belíssimos arranjos de acompanhamento em 15 de Agosto. Nesse dia, George gravou o solo de novo, ao vivo, junto com a orquestra, já que não havia canais disponíveis para registar. Foi a única canção de George lançada como single. Um single especial, com dois “Lado A”, com “Come Together”, de John, no mesmo single. Saiu no dia 6 de outubro nos EUA, no dia 31 no Reino Unido e alcançou o topo das tabelas em terras do Tio Sam (e o quarto lugar em Terras de Sua Majestade).
“Something” é a segunda música dos Beatles mais regravada, a seguir a “Yesterday”. A versão de James Brown era a que George mais gostava. Apesar dos boatos da época, reforçados pela própria Patty, George não compôs “Something” a pensar nela. Mas seja lá como for: será sempre uma canção de amor. Patty receberia homenagens musicais depois, do futuro marido Eric Clapton, que lhe dedicou “Layla” e “Wonderful Tonight”.

sábado, 22 de março de 2014

My Sweet Lord... A história definitiva do plágio (Parte II)

He's So Fine é uma composição de 1963, do compositor Ronnie Mack – já falecido - e gravada pelo grupo negro americano, The Chiffons. Ninguém se deve sentir mal por não as conhecer. A música não foi um hit e, curiosamente, ganhou até mais notoriedade e execução depois da acusação de plágio envolvendo My Sweet Lord. Os direitos autorais pertenciam à Bright Tunes Editora.
The Chiffons
Nem de longe, nem de perto se pode comparar "He's So Fine" com "My Sweet Lord", em termos de qualidade da composição. George sentiu o drama ao escutá-la. Compreendeu com clareza que tinha copiado algumas notas da canção das Chiffons, e percebeu que teria problemas. Sobretudo, considerando o êxito que My Sweet Lord teve. O caso ganhou repercussão, e a Editora Bright Tunes entrou com uma acção na justiça. George veio a público e defendeu-se. Admitia o plágio, embora julgasse que o mesmo não era intencional. Penitenciou-se em programas de rádio e TV, alegando que, se tivesse estado mais atento, teria promovido pequenas modificações nos arranjos, o que evitaria as comparações e complicações. 

George também explicava que My Sweet Lord era uma western song que adaptava para o popular, o "Maha Mantra" cântico sagrado que ele costumava entoar nas suas meditações. A 07 de setembro de 1976 aconteceu o desenlace em torno do caso. Irritadíssimo, George Harrison teve que ir a tribunal defender-se das acusações de plágio. No seu livro "I Me Mine", ele revela sarcasticamente que o juiz que cuidou do caso dividiu a questão em duas partes: "Motif A and Motif B." O tal "Motivo A" indicava plágio nas notas iniciais e no trecho onde canta, "my sweet Lord." O "Motivo B" apontava plágio em cerca de cinco notas do trecho em que canta, "really want to see you." 

George contou que se fartou de ouvir em tribunal repetidas vezes as gravações de "My Sweet Lord" e "He's So Fine" para comparações. Em sua defesa, o ex-beatle chegou a dizer ao juiz que, 99 por cento da música popular vinha de uma ou outra nota ou acorde que já tinha sido criado. De nada serviu e foi condenado por plágio não consciente. Valor da indemnização, 587 mil dólares. George recorreu para não pagar, e o caso estendeu-se durante alguns anos nos tribunais. Todas as batalhas foram perdidas, e a 26 de fevereiro de 1981, quase dez anos após o lançamento de My Sweet Lord, a indemnização foi finalmente paga.

sexta-feira, 21 de março de 2014

My Sweet Lord... A história definitiva do plágio (Parte I)

My Sweet Lord tornou-se um clássico assim que chegou às tabelas de êxitos e lojas de discos por esse mundo fora. Não aconteceu por acaso. O seu arranjo simples, vigoroso e envolvente, aliado à mensagem pacifista e divina que transmite, arrebatou um mundo que assistia ao final de um doce sonho. 

A canção chegou num momento em que as lágrimas teimavam em não secar. Chorávamos a morte de Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin, ao mesmo tempo em que lamentávamos o the end da maior de todas as bandas, Os Beatles. Estaria também o rock and roll a agonizar? Indagavam os pessimistas... 

My Sweet Lord veio como uma resposta e um lamento. A inspiração chegou a George Harrison ao ouvir atentamente o trabalho do grupo Edwin Hawkins Singers para "Oh! Happy Day". Naquela composição o ponto central estava nos vocais gospel. George foi compondo ao seu estilo, munido de uma viola. Com a letra alinhavada, passou a avaliar como o mundo iria receber uma canção que falasse de Deus. Temia reações negativas, porque nunca compunha virado para esse tema. 

O que o instigava era a necessidade de levar aquilo em que acreditava, para o seu público. Harrison sabia que quando My Sweet Lord chegasse ao mercado, mudaria algo na sua carreira. E estava certíssimo. 

Quando o trabalho de estúdio teve inicio, George Harrison alterou a letra original – que falava só em "aleluia." O ex-beatle incluiu o termo "hare krishna" por acreditar que ambas expressões tinham o mesmo significado. O produtor Phill Spector e os músicos que participaram na gravação, disseram a George que aquele seria um hit mundial. Embora também pensasse dessa forma, George Harrison foi desapegado o suficiente, ao ponto de entregar o seu maior êxito a solo a Billy Preston. E Preston, por incrível que pareça, lançou My Sweet Lord antes dele! Felizmente para George, nada aconteceu com o compacto editado por Billy Preston, que fez uma versão equivocada da grande composição. 

Quando a música se fez ouvir nas estações de rádio, o êxito foi esse que conhecemos. Sucesso no mundo inteiro, número '1' em dezenas de países, e foi o grande trampolim para as vendas do super-álbum triplo All Things Must Pass. 

Porém, não tardou o início do drama paralelo à maciça aceitação de My Sweet Lord. A cabeça de George Harrison passou a ser martelada com informações que partiram inicialmente de amigos, e que depois chegou à mídia: a famosa composição, era plágio. E era mesmo.


sábado, 15 de março de 2014

George Harrison entra para o Rock and Roll Hall of Fame

Há 10 anos… dia 15 de Março de 2004.


George Harrison foi o “quiet beatle”. A “terceira via”. O “outsider”. O taxman que esperou o sol chegar para dizer something ao mundo. Fora do quarteto, pôde expressar toda a sua arte, sem barreiras, com direcção e sentido próprios. Verdade própria. George foi um grande ser humano. Pleno, espiritualizado, superior, como Martin Scorsese mostra no óptimo documentário “Living in the Material World”.

Em 2004, de algum lugar, ele viu a sua obra reverenciada. Com todo o merecimento.
“Há uma frase de um poeta indiano que George me leu um dia: ‘Abençoado é aquele em que a fama não brilha mais do que a sua verdade’. Aqui estamos, no Hall da Fama! Mas os homenageados não são escolhidos por causa da sua fama, mas sim pela expressão da sua verdade através da música. George dizia que escrevia músicas para significarem algo, mesmo muito tempo depois de compostas. Acredito que seja certo dizer que, apesar da sua imensa fama, a sua verdade nunca será apagada ou esquecida”.
Olivia Harrison não podia expressar de forma mais precisa sobre o homem, o ser humano e o artista George Harrison. Ao lado de Dhani, o filho (cópia de George!), recebeu a homenagem que conduziu o seu companheiro ao Rock and Roll Hall of Fame. No final, ainda fez questão de citar uma pessoa especial na vida do músico, presente naquela noite: Neil Aspinall, amigo de infância de George e Paul, que acabou por se tornar executivo e produtor dos Beatles e uma figura fundamental na trajectória da banda. Antes, Tom Petty e Jeff Lynne, grandes companheiros de música e de vida, leram emocionante discurso para levar George novamente ao hall da fama do rock. Ele já lá estava desde 1988, pelo trabalho com os Beatles. Em 2004, além de George, Bob Seger, Jackson Browne, Prince, The Dells, Taffic e ZZ Top foram outros homenageados da noite.
Para fechar com chave de ouro, Tom Petty, Dhani Harrison, Jeff Lynne, Prince, Keith Richards e outras feras subiram ao palco e tocaram “While My Guitar Gently Weeps”. Sensacional.
Cinco anos antes, coincidentemente no mesmo 15 de Março, Paul McCartney foi reverenciado com a segunda indução ao Rock and Roll Hall of Fame.