quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
Porque é que amamos tanto o rock?
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
O dia em que os Pearl Jam contaram a história de Jeremy Delle
Daddy didn’t give attention
Oh, to the fact that mommy didn’t care
King Jeremy the wicked
Oh, ruled his world”
Jeremy spoke in class today
Jeremy spoke in class today”
From the blackboard
Jeremy spoke in class today”
sábado, 5 de dezembro de 2020
BOB DYLAN, o sociólogo da música
| Self Portrait (1970), de Bob Dylan, capa do álbum homónimo que despoletou críticas negativas. |
- Blood on The Tracks (1975)
- Desire (1976)
- Time out of Mind (1997)
- Love and Theft (2001)
domingo, 6 de setembro de 2020
“S&M2”: MAIS DO QUE UM CONCERTO, HISTÓRIA...
Nas noites de seis e oito de setembro de 2019, o recente inaugurado Chase Center, em São Francisco na Califórnia, recebeu o 20.º aniversário do concerto “S&M” dos Metallica. A banda composta por Lars Ulrich, James Hetfield, Kirk Hammett e Robert Trujillo, decidiu compensar os fãs da melhor forma, tocando dois novos concertos com a Orquestra Sinfónica de São Francisco. O resultado não podia ser mais empolgante, revelando assim uma banda mais madura e novidades comparativamente à setlist de há 20 anos atrás. A banda norte-americana veio reafirmar que na música tudo é possível, e é possível de se o fazer bem.
Na sua estreia mundial, “S&M2” começa com uma contextualização de todos os preparativos do evento, onde é feita uma retrospectiva do que foi o projecto “S&M” em 1999, na altura dirigido pelo compositor Michael Kamen. Os artistas revelam que para este novo concerto todos os arranjos e preparativos foram pensados sempre em sintonia com a banda, podendo assim criar uma obra sincera e, em especial, para a Metallica Family. De realçar também o papel social da banda, que apresenta algumas iniciativas da sua instituição “All Within My Hands (https://www.allwithinmyhands.org/welcome.html), que tem como objectivo principal ajudar pessoas na sua formação académica e profissional, tendo já comparticipado centenas de comunidades e escolas.
Mas vamos à musica! Com Michael Tilson Thomas a liderar a ‘segunda banda’, a abertura do concerto faz-se com a clássica The Ecstacy Of Gold, de Ennio Morricone, que os Metallica utilizam como abertura dos seus concertos (em cassete) desde 1984. Esta foi protagonizada pela famosa cena do filme “O Bom, o Mau e o Vilão” (Sergio Leone, 1966) e teve uma performance épica, num crescendo que faz arrepiar os mais insensíveis. Seguiu-se The Call Of Ktulu, do álbum Ride The Lightning (1984), famosa já pela sua interpretação com orquestra em 1999, não desapontando quem já tinha saudades desta versão, e afirmando que o resto do espetáculo só poderia correr bem.
E assim foi, sem espaço para respirar, For Whom The Bell Tolls, do mesmo álbum de 1984, chega para pôr o público a cantar, pois a sua energia vai mais além do silêncio exigido em frente ao grande ecrã. The Day That Never Comes, do álbum Death Magnetic (2008), é a primeira nova experiência em comparação a “S&M” e ganha uma nova força nos seus riffs, pois a orquestra eleva a intensidade de uma música que, segundo Lars, é inspirada numa relação pai-filho.
Após ter sido inevitável tocar guitarra invisível, as luzes do palco ainda se estavam a apagar e já a banda avançava para The Memory Remains (Reload, 1997), outra repetente de há 20 anos, que não trouxe nada de propriamente novo, mas que serviu para pôr muita gente na sala de cinema a cantar e a levantar os braços.
Seguiram-se duas novidades do último álbum, Hardwired… to Self-Destruct (2016), Confusion e Moth Into Flame, que vieram reafirmar que os Metallica ainda sabem ‘fazer heavy-metal’, sendo que por momentos nos esquecemos do background clássico que acompanha a banda.
Segue-se The Outlaw Torn (Load, 1996), uma velha conhecida de “S&M”, que faz de James Hetfield um narrador capaz de preencher uma música de nove minutos com drama e claro, com a ajuda de uns arranjos, fazem desta uma versão mais interessante comparativamente à original de estúdio. No Leaf Clover e Halo On Fire vieram fechar a primeira parte do concerto, sendo que a última, podendo haver uma troca na setlist, seria a preterida.
| James Hetfield |
O segundo ato começa com a orquestra norte-americana e Michael Tilson Thomas a conduzir a peça Scythian Suite, Op.20, Second Movement, de Sergei Sergeyevich Prokofiev, compositor russo do século XX. De seguida, algo totalmente novo. O compositor introduziu a próxima peça, Iron Foundry, como “o ponto onde a música clássica e o heavy metal se encontram“. Numa composição que tenta desmistificar as máquinas e a tecnologia, a banda aventura-se em ritmos arrojados, onde a distorção da guitarra de Kirk Hammett é o elemento mais estranho e inovador desta excelente colaboração avant-garde.
O espetáculo continua com uma arrebatadora versão de The Unforgiven III, de Death Magnetic, onde James Hetfield dá voz à dramática melodia da Orquestra de São Francisco – uma actuação soberba, capaz de arrancar aplausos na sala de cinema. Segue-se All Within My Hands, a música que dá nome à instituição acima referida, e a única música do polémico álbum de 2003, St. Anger, num registo acústico e íntimo, que ganha uma beleza adicional graças à secção de cordas por parte da orquestra.
Depois fiquei de boca aberta com o que aconteceu, pois isto sim, é uma homenagem. Scott Pingel, o baixista principal da Orquestra Sinfónica de São Francisco, trouxe à Terra Cliff Burton, antigo mestre da viola baixo dos Metallica e falecido em 1986, com a música (Anesthesia) Pulling Teeth, do primeiro álbum da banda, Kill ‘em All (1983). Um solo arrebatador com sons hipnóticos vindos do baixo de Pingel que trouxeram muitas saudades de Cliff, tendo Lars completado a versão original da música entrando a meio para fazer a parte que lhe competia, tal e qual como há 36 anos atrás.
Entramos assim nos clássicos, todos eles já conhecidos do concerto de há 20 anos. Wherever I May Roam e One, pertencentes ao Black Album (1991) e ao …And Justice for All (1988) respetivamente, reavivaram as memórias dos anos de ouro da banda, que mais uma vez beneficiam de toda uma orquestra que torna os temas mais intensos, acompanhados por efeitos visuais já familiares para quem já viu os Metallica ao vivo.
Master Of Puppets, do álbum de 1986 com o mesmo nome, valeu um efeito de ‘micro-loucura’ na sala de cinema, sendo que esta pequena ópera fez questão de ser uma das melhores performances de sempre no que toca à parceria ‘heavy-metal – música clássica’.
O final do concerto dá-se com as obrigatórias Nothing Else Matters e Enter Sandman, ambas do Black Album. Estas não deixaram ninguém indiferente, dando mesmo a sensação de termos sido transportados para o Chase Center. Os arranjos orquestrais para a Nothing Else Matters conseguem catapultar a música para algo intenso e bom de se ouvir, fazendo-nos esquecer as mil e uma vezes que ouvimos este tema na rádio, que nos leva a pensar “Fogo, já estou farto desta música. Mas é uma excelente canção”. Enter Sandman fecha um concerto incrível à la Metallica, a mesma que encerrou o concerto deste ano no Estádio do Restelo, no feriado de um de Maio.
“S&M2” foi capaz de reaproximar a banda de novo ao seu lado mais experimental, convencendo os fãs de que projectos novos serão sempre bem-vindos. Vi um conjunto de músicos que estiveram sempre conectados na mesma corrente, independentemente do seu instrumento ou função. Vi cumplicidade e alegria por parte dos Metallica, que sempre se demonstraram abertos a novas formas de expandir a sua arte. Vi um projecto com cabeça, tronco e membros.
Tudo isto foi possível também graças ao realizador Wayne Isham e à sua equipa de produção, que soube através da imagem dar relevância aos personagens principais (músicos), e ao seu imprescindível público, que veio de todo o mundo (sim, a bandeira portuguesa estava lá e mereceu um plano de destaque, que arrancou automaticamente muitas palmas na sala de cinema) para apoiar a banda, uma família. “Together Again”, assim foi e ainda bem que ficou gravado, pois merecemos ouvir isto tudo de novo.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
Morreu o cantor belga Art Sullivan
sábado, 14 de dezembro de 2019
Sobreviver no Mundo da Música...
A propósito do terceiro aniversário da morte de George Michael no próximo dia de Natal, dei comigo a observar a quantidade de estrelas da música já falecidas, o que aparentemente é normal pois todos havemos de morrer um dia, e quais as causas do seu falecimento. O que verificamos num primeiro olhar é que até à década de 1990, salvo raras excepções, a grande maioria morreu novo(a) tendo-se verificado que, a partir daí, andavam por cá mais uns anos. Por outro lado, as causas de morte até à mesma década eram invariavelmente atribuídas ao consumo excessivo de drogas, causando a típica overdose, sendo que a partir da década de 2000 as causas foram sendo essencialmente devido a problemas de saúde, com forte incidência no cancro. Transversal a todo o período de observação, da década de 1960 à actualidade, é a morte por problemas cardíacos, o que não é de estranhar devido ao estilo de vida que a grande maioria destes artistas tinha (têm).
Se fizermos a nossa observação por gerações, verificamos que na década de 1960 o obituário não foi muito grande uma vez que, para além do fenómeno da música à escala global estar a crescer, as grandes estrelas ainda usavam calções (ou saias), ou encontravam-se no início das suas carreiras, ou só mais tarde se viriam a revelar como tal. Ainda assim, figuras como Stuart Sutcliffe (21, baixista original dos Beatles), Patsy Cline (30), Bill Black (39, músico de Elvis Presley) ou Brian Jones (27, guitarrista dos Rolling Stones) faleceram por esta altura onde os acidentes eram frequentes e a medicina ainda estava a desenvolver conhecimento.
Já na década de 1970, muita coisa aconteceu. Se exceptuarmos a morte dos três elementos dos Lynyrd Skynyrd, Ronnie Van Zant (29) Steve Gaines (28) e Cassie Gaines (29) num acidente aéreo, e Elvis Presley por ataque cardíaco (apesar do abuso de drogas e barbitúricos), a lista de mortes por overdose é bastante extensa, estando nela incluídos grandes nomes da história do rock. Por ordem cronológica, começamos por três artistas pertencentes ao “Clube dos 27” (conjunto de artistas do panorama musical que faleceram com 27 anos de idade): Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison, com a curiosidade de o nome de todos começar por J. Continuamos com Gram Parsons (26, ex-guitarrista dos The Byrds), Paul Kossoff (25, guitarrista dos Free), Tommy Bolin (25, guitarrista dos Deep Purple), Keith Moon (32, baterista dos The Who) e Sid Vicious (21, baixista dos Sex Pistols), para além de muitos outros que se despediram deste mundo com uma overdose. Curiosa a morte de Leslie Harvey (27, guitarrista dos Stone the Crows) que foi electrocutado num microfone que não estava devidamente instalado, ou de Terry Kath (31, vocalista e guitarrista dos Chicago) que faleceu quando premiu o gatilho de uma pistola apontada à sua cabeça e que ele pensava estar…descarregada!
Durante a década de 1980 morreram figuras de grande vulto do mundo da música por motivos variados. Logo no início da década perdemos Bon Scott (33, vocalista dos AC/DC), Ian Curtis (23, vocalista dos Joy Division), John Bonham (32, baterista dos Led Zeppelin), John Lennon (40, vocalista e guitarrista dos Beatles), Bill Haley (55), Bob Marley (36) e James Honeyman-Scott (25, guitarrista dos The Pretenders). Todos eles só até ao final de 1982 e por razões variadas desde overdose, suicídio, doença ou assassinato. Em 1984 e 1987 morreram também Marvin Gaye (44) e Peter Tosh (42), ambos assassinados a tiro, um pelo próprio pai que estava com uma overdose… de álcool, e o outro durante uma tentativa de assalto, respectivamente. Andy Gibb (30, Bee Gees), Nico (49, vocalista dos Velvet Underground) e o grande Roy Orbison (52) deixaram-nos também nesta década, todos por motivos de saúde.
A lista relativa à década de 1990 é extensa e nela figuram alguns nomes que ainda hoje recordamos com saudade. Foi em Novembro de 1991 que Freddie Mercury (45, vocalista dos Queen), de seu nome de baptismo Farrokh Bulsara, nos deixou, após lutar contra um vírus que hoje seria possível controlar, o HIV (SIDA). Também não podemos deixar de lembrar o espírito irreverente de Frank Zappa (52) que faleceu vítima de cancro da próstata ou Kurt Cobain (27, vocalista dos Nirvana) que decidiu pôr termo à sua vida com uma caçadeira. Tom Fogerty (48, guitarrista dos Creedence Clearwater Revival), Steve Clark (30, guitarrista dos Def Leppard), Eric Carr (41, baterista dos Kiss), Rory Gallagher (47), Jeff Buckley (30) e John Denver (53), entre outros partiram também deste mundo por razões variadas, mas ainda com uma forte incidência em overdoses e problemas de saúde. Não é possível terminar esta década sem recordar o australiano Michael Hutchence (37, vocalista dos INXS) que morreu vítima de enforcamento em circunstâncias que ainda hoje não são muito claras.
Também na década de 2000, nomes grandes da música nos deixaram, mais velhos e grande parte deles por causas naturais. Benjamin Orr (53, vocalista dos The Cars), Joey Ramone (49, vocalista dos Ramones), John Lee Hooker (83), George Harrison (58, guitarrista e vocalista dos Beatles), Joe Strummer (50, vocalista dos The Clash), Maurice Gibb (53, vocalista dos Bee Gees), Johnny Cash (71), Ray Charles (73), Johnny Ramone (55, guitarrista dos Ramones), Syd Barrett (60, vocalista e guitarrista dos Pink Floyd), James Brown (73) e Richard Wright (65, teclista dos Pink Floyd) morreram todos de causas naturais. Morreram também Dee Dee Ramone (50, baterista dos Ramones) e Ike Turner (76), estes já por overdose (comprovadamente menos que nas décadas anteriores!). Mas, como se já não bastasse a lista impressionante de colossos da música que desapareceram durante este período, em Junho de 2009 recebemos atónitos a notícia da morte do “Rei da Pop”, Michael Jackson , com apenas 50 anos de idade. Ainda hoje os contornos da sua morte estão envolvidos em mistério, tendo sido dada como aceite a teoria de que o seu médico “abusou” na dose de substância médica (anestésico) que utilizava para o pôr a dormir. Foi uma década dura para os amantes de música.
E entramos na década que agora está prestes a terminar, sendo que as notícias não são muito mais animadoras! Nestes quase dez anos deixaram-nos figuras como Ronnie James Dio (67), Gary Moore (58), David Jones (67, vocalista dos The Monkees), Robin Gibb (62, vocalista dos Bee Gees), Ray Manzarek (74, teclista dos The Doors), Lou Reed (71), Tommy Ramone (65, baterista dos Ramones), Joe Cocker (70), B.B. King (89), David Bowie (69), Chuck Berry (90), Tom Petty (66) e Malcolm Young (guitarrista dos AC/DC), todos por causas naturais ou doença. Faleceu em Julho de 2011 mais uma menina do “Clube dos 27”, Amy Winehouse, vítima de complicações causadas pelo consumo abusivo de álcool. Uma pena. Temos que recordar também duas figuras contemporâneas que nos deixaram cedo demais, corria o ano de 2016. Uma em Abril e a outra no dia de Natal. Prince Rogers Nelson faleceu com 57 anos vítima de uma overdose de analgésicos. O seu espírito criativo e capacidade de músico multifacetado perdurará para sempre nos anais da história da música dos anos 1980 até ao presente. Georgios Kyriacos Panayiouto, mais conhecido por George Michael, faleceu no seu “Last Christmas” com 53 anos vítima de uma insuficiência cardíaca. Também ele nos deixa um legado de musical que, tal como Prince, compunha e produzia. Com o desaparecimento de todas estas figuras, esta é também uma década muito dura para todos os que amam música.
Da observação destes dados é possível verificar que a sobrevivência no mundo da música é hoje em dia cada vez mais prolongada e, com um jeitinho, é possível chegar a velho(a) com alguma distinção e respeito dos seus pares e do público. Salvo algumas excepções, a maioria dos músicos tem vindo a ser cada vez mais selectivo na vida que leva. É claro, hoje em dia, que o consumo de drogas de forma desregrada não resulta, pois mais vale beber uns copos em família. Para além disso é aconselhável ter o acompanhamento médico necessário e recorrer a tratamentos que possam evitar males maiores. Em suma, temos hoje músicos mais maduros, pois evitam comportamentos de risco, o que é bom para todos nós, pois permite-nos ouvi-los por mais tempo!
sábado, 30 de novembro de 2019
Pink Floyd: 40 anos de um muro nascido da alienação
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
WOODSTOCK - TRÊS DIAS DE PAZ, MÚSICA E AMOR


































