terça-feira, 12 de agosto de 2014

23 anos do "Black Album" dos Metallica

O dia 12 de Agosto de 2014 marca os 23 anos do lançamento de um grande disco da história do Rock: O "Black Álbum", dos Metallica.
O “Black Álbum” foi o quinto disco da banda e mostrou um estilo de música mais lento e comercial que os trabalhos anteriores. Por isso, alguns fãs dos Metallica fizeram críticas e alegaram que era uma "banda vendida". As sessões de gravação tiveram um processo longo e difícil, durando mais de um ano devido a conflitos entre os integrantes. Apesar das discussões, o álbum tornou-se o mais bem sucedido dos Metallica, atingindo o topo da Billboard. Também teve bastante sucesso com a crítica especializada, tendo ganho também um Grammy.
As letras de "Black Album", escritas pelo vocalista James Hetfield, são muito mais pessoais e introspectivas. Um dos maiores sucessos do grupo é "Nothing Else Matters" ("Nada Mais Importa"). Expressa a ligação de Hetfield com uma namorada enquanto ele estava na estrada. Em "The God That Failed", fala da morte da mãe, vítima de cancro. Ela acreditava que apenas a sua fé a curaria, recusando ajuda médica. A música fala sobre promessas quebradas.
Este álbum acabava também com a tradição dos Metallica em ter uma faixa instrumental e de longa duração. Um disco imperdível!!

domingo, 10 de agosto de 2014

Especial Ian Anderson, dos Jethro Tull

O Rock n’ Roll celebra neste dia 10 de Agosto, o aniversário de um dos seus grandes nomes: Ian Anderson, cantor, compositor, guitarrista e flautista britânico, o líder da banda Jethro Tull. Completa 67 anos.
Ian Scott Anderson nasceu na cidade de Dunfermline, na EscóciaComo flautista, Ian Anderson é autodidacta. Em 1963, formou os The Blades com os seus amigos de escola. Este era um grupo de soul e blues, com Anderson nos vocais e harmónica. Em 1967, Ian Anderson mudou-se para a cidade de Blackpool e formou os Jethro Tull, banda de rock progressivo, que misturou hard rock, folk, toques de blues, jazz e letras profundas. Depois disso, Ian abandonou a sua pretensão de tocar guitarra eléctrica, supostamente por sentir que nunca seria "tão bom como Eric Clapton". Trocou a sua guitarra por uma flauta, mas continuou a tocar viola, utilizando-o como instrumento melódico. Com o decorrer de sua carreira, Anderson foi adicionando saxofone, bandolim, teclado e outros instrumentos ao seu arsenal. Além do aniversário de Ian Anderson, 2014 marca os 43 anos de lançamento do histórico disco "Aqualung", em 19 de março de 1971.
Uma curiosidadeJethro Tull foi um agricultor inglês pioneiro, do século 18, considerado um dos criadores da agricultura científica. Viveu no período da Revolução Industrial e criou o semeador mecânico em 1701.

Michael Jackson lança o primeiro disco solo: "Off the Wall"

Há 35 anos… dia 10 de Agosto de 1979.


“Chega o momento na vida de um jovem em que ele deve colocar um belo e confortável smoking, brilhantes meias brancas e seguir o seu próprio caminho. Para Michael Jackson, esse momento foi há 35 anos atrás, a 10 de Agosto de 1979. Foi quando, semanas antes do seu 21º aniversário, Jackson lançou Off the Wall, o álbum que o alçou ao status de superstar adulto e pavimentou a estrada para a sua coroação como o Rei da Pop.”
Em cinco linhas (ou um parágrafo), Kenneth Partridge sintetizou o primeiro disco a solo de Michael Jackson. No brilhante e divertido texto publicado no site da Billboard, analisa faixa a faixa o álbum divisor de águas da carreira do moonwalker. O disco da maturidade de um artista.
Hoje, 35 anos depois, Off the Wall é apontado por muitos como o melhor de Michael Jackson. De facto, está lá tudo: o funk, a pop, o rock, a disco, a soul. E, principalmente, o todo do artista. Ele está lá por inteiro, exposto, essencial, transparente e cristalino. Brilha como as suas meias brancas. Fascina como o movimento improvável da sua dança. Encanta como a beleza da sua voz. O primeiro álbum pós-Motown/Jackson 5-The Jacksons teve o toque de Midas do génio Quincy Jones. O trabalho como produtor musical do filme “The Wiz” aproximou-o de Michael, que interpretou o Espantalho e foi o único a salvar-se do mar de críticas ao longa duração. Jones viu naquele jovem talentoso uma vontade de libertação, de autonomia, de liberdade. Uma saída para fora do muro. Aceitou comandar o primeiro passo maduro da carreira de Michael. Foi, e ainda é, sucesso absoluto. Mais de 20 milhões de cópias vendidas, prémios e mais prémios, resenhas positivas e exultantes, enfim, êxito completo. As duas músicas iniciais, “Don’t Stop ‘Til You Get Enough” e “Rock with You”, continuam a embalar festinhas por esse mundo fora com muita competência. “Burn This Disco Out”, que fecha o disco, é outra bomba para levantar qualquer pista. A exemplo de “Rock with You” e de “Off the Wall”, é obra-prima de Rod Temperton, letrista britânico que escreveria nada mais nada menos que “Thriller”. Só isso!
As baladas “Girlfriend” (de Paul McCartney!) e “She’s Out of My Life” revelam o lado triste e bonito de Michael. Baladas que expõem um pouco dos fantasmas tão presentes em toda a sua vida, “companhias” fiéis a partir de um certo momento. Infeliz e tristemente. Continuando, temos ainda “Working Day and Night”, uma disco acelerada que mete toda a gente a dançar, e “Get on the Floor”, auto-explicativa! Ah, para fechar tem também uma música de Stevie Wonder, “I Can’t Help It”.
Tudo está lá, realmente. Que álbum! Off the Wall é o melhor e o mais essencial de Michael Jackson.
Ele lançaria o seu mais bem sucedido trabalho três anos depois. Thriller coroaria definitivamente Michael como o Rei da Pop.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Os 48 anos de “Revolver” dos Beatles

Hoje, dia 05 de agosto, completam-se 48 anos do lançamento de um dos maiores discos da história da música: o álbum "Revolver", dos Beatles. Uma verdadeira obra prima!
Lançado no ano de 1966, é um dos meus discos favoritos dos Beatles, pois o som da banda começou a ficar mais encorpado, saindo das maravilhosas canções do estilo “ie-ie-ie” da juventude, e ficando mais maduro.
"Revolver" é o sétimo álbum do quarteto de Liverpool e atingiu o primeiro lugar nas tabelas do Reino Unido e dos Estados Unidos. O disco marca a adesão oficial dos Beatles ao Psicadelismo. 
Para esta data especial, vou trinchar este álbum fantástico. Todas as músicas são óptimas! Três delas, têm a assinatura de George Harrison e as outras, da dupla Paul McCartney e John Lennon.

Começando por “Taxman”. Letra de George Harrison. A canção é uma grande crítica ao capitalismo exagerado. A letra mostra uma reclamação às pesadas taxas de impostos pagos pelos cidadãos britânicos.

A segunda música é um dos maiores clássicos dos Beatles, “Eleanor Rigby”. Fala sobre a solidão das pessoas mais velhas e que ninguém lhes dá atenção. A música começa assim: “Ah, look at all the lonely people”.

A próxima música é “I’m Only Sleeping”... Teria sido composta para descrever um estado de "viagem" por drogas. Além disso, a música dizia para não "me acordar", já que a pessoa estaria em estado de euforia.

“Love You To” é a quarta faixa do álbum. Mais uma letra de George Harrison e tem os sons de cítaras, incorporando um estilo bem indiano.

A quinta música é fantástica: “Here, There and Everywhere”, escrita por Paul McCartney. E o próprio Paul afirmou que a canção é uma das suas preferidas da banda, a mesma opinião do produtor dos Beatles, George Martin.

Outro hino dos Beatles: "Yellow Submarine"… Nesta viagem, a banda convida as pessoas a embarcarem no submarino amarelo da fantasia, num mundo perfeito, encontrando uma solução para tudo.

A música “She Said She Said”, teria sido escrita durante o uso de drogas… John Lennon, supostamente, inspirou-se na sua experiência com LSD. Há um trecho que diz "I know what it's like to be dead" ("Eu sei como é estar morto").

Em “Good Day Sunshine”, os Beatles dão um bom dia à luz do sol, à luz da vida!

“And Your Bird Can Sing” é outra canção que eu gosto muito. O solo de guitarra é demais.

A décima faixa do disco é “For No One”... Paul McCartney escreveu-a para a sua namorada na altura (Jane Asher).

Na seqüência, vem a música “Doctor Robert" ... mais uma supostamente escrita sobre a influência de drogas. Fala sobre um médico que receitava anfetaminas aos seus pacientes famosos. 

A faixa 12 tem "I Want To Tell You", é a terceira música deste álbum composta por George Harrison. Fala sobre a sua dificuldade em se expressar num momento em que ele vivia uma avalanche de pensamentos

A penúltima música é uma das minhas favoritas de toda a obra dos Beatles. “Got to Get You Into My Life”. Anos depois, o Paul McCartney reconheceria que a canção falava da sua experiência com a canabis e foi feita inspirada na soul music americana.

Para encerrar, a viagem de "Tomorrow Never Knows". Aliás, uma das primeiras do estilo psicadélico que faria sucesso nos anos seguintes com outras bandas. John Lennon disse que a sua fonte de inspiração foi a leitura do “Livro Tibetano dos Mortos”. Na época ele teria usado LSD.

São catorze músicas em 35 minutos neste disco de pura arte, produzidas há 48 anos, sem os recursos técnicos existentes actualmente... Mas nada actual se aproxima do som produzido pelos Beatles neste genial “Revolver”. Um álbum para quem realmente ama a boa música!!

sábado, 2 de agosto de 2014

43 anos de uma obra prima dos "The Who"

O mês de Agosto de 2014 marca os 43 anos de um disco inesquecível na história do Rock n’ Roll: “Who’s Next”, dos The WhoO álbum foi lançado no dia 02 de agosto de 1971 e é considerado um dos melhores da banda. O líder do grupo, Pete Townshend, considera-o o melhor. O canal de TV VH1 classificou "Who’s Next" como o 13° “Melhor Álbum de Todos os Tempos”. E a revista Rolling Stone colocou-o em 28° na lista dos "500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos".
Os The Who nunca tinham alcançado o primeiro lugar nas tabelas com um disco. Mas "Who's Next" foi o primeiro, e curiosamente, foi fruto de uma crise: surgiu após o fracasso do projecto "Lifehouse", uma ópera rock que Pete Townshend pretendia organizar. Mas o projeto tornou-se inviável e isso provocou um enorme desentendimento entre Pete e o produtor dos The Who, Kit Lambert, levando o guitarrista à beira de um colapso nervoso, quase suicida. Assim, os The Who regressaram a estúdio com o produtor Glyn Johns em Inglaterra e começaram tudo do zero. Algumas músicas demo de Pete Townshend para Lifehouse também foram evoluídas e lançadas, transformando-se em grandes sucessos do rock. O álbum “Who’s Next” começa com a clássica “Baba O'Riley”, que é a junção dos nomes do guru de Townshend, Meher Baba, e do compositor Terry Riley, que mistura sintetizador e guitarra. Grande música!
O álbum surgiu numa época em que grandes avanços foram feitos em termos de engenharia de som, e pouco antes da introdução de sintetizadores musicais. O resultado foi um som espantoso para a época, e praticamente inédito no rock. 
A capa do disco traz uma fotografia da banda, acabando de urinar num imenso bloco de cimento; a foto seria uma referência ao monólito descoberto na Lua, no filme "2001: Uma Odisséia no Espaço", lançado em 1968, pelo director Stanley Kubrick.
A atitude, assim como o título do disco, seriam uma recusa simbólica da banda de passar o resto da sua carreira a tocar "Tommy", o quarto álbum de estúdio dos The Who, de 1969. Não deixem de ouvir as músicas de "Who's Next"... Uma obra fantástica... Pura viagem do rock n' roll !!!!

terça-feira, 15 de julho de 2014

A Curta Carreira de Ian Curtis, dos Joy Division

Se fosse vivo, neste dia 15 de julho, Ian Curtis, o vocalista dos Joy Division, completaria 58 anos.
Ian nasceu em Manchester, Inglaterra, em 1956. Aos 20 anos, após assistir a uma apresentação dos Sex Pistols, resolveu que queria estar no palco e não no meio do público. Junto com Bernard Summer, Peter Hook e Stephen Morris formaram os Joy Division, em 1976.
Ian Curtis sofria de epilepsia e por causa disso desenvolveu um estilo de dança que deixava em dúvida o público que assistia aos concertos dos Joy, se ele dançava ou se estaria a ter um ataque epiléptico. Ele era também uma pessoa depressiva e as músicas dos Joy Division reflectiam isso mesmo. Temas como dor emocional, morte, violência e alienação, entre outros eram recorrentes nas canções do grupo. O primeiro single dos Joy Division foi “Transmission”, de 1979.
Ian Curtis suicidou-se no dia 18 de maio de 1980, aos 23 anos, após assistir ao filme "Stroszek", de Werner Herzog , enforcando-se na sua cozinha.
Meses antes da sua morte, já tinha tentado suicidar-se com uma overdose, ao tomar vários medicamentos para controle da epilepsia. Na lápide de Ian Curtis está a inscrição "Love will tears us apart" (O amor vai-nos separar), título da música mais conhecida da banda.

Após a morte de Ian Curtis, os membros remanescentes criaram os New Order, mas com um estilo musical totalmente diferente dos Joy...
Em 2007, foi lançado o filme "Control", inspirado no livro de Deborah Curtis, ex-esposa de Ian Curtis, e que conta a história do ex-líder e vocalista dos Joy Division.
Como curiosidade, o nome Joy Division foi insipirado no livro "House of Dolls". Segundo o livro, Joy Division (Divisão de Alegria) era o nome da área onde as mulheres judias eram mantidas prisioneiras e "oferecidas" sexualmente aos oficiais nazis.
Há quem especule que além de todas estas prováveis razões, ainda a ideia romântica de "morrer jovem e entrar para a história" o seduzisse. Considerando os seus problemas de saúde, o seu caso extra-conjugal que aparentemente o perturbara, a depressão que se evidenciava, não só nas suas letras, mas também no seu comportamento, é razoável imaginar que se tivesse permitido deixar a vida legando para nós a sua arte, o seu melhor.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Paul McCartney completou 72 anos

São poucos os músicos que merecem algumas considerações escritas sobre um novo ano de longevidade. Lembro-me, por exemplo, de um Bob Dylan, o velho bardo que mantém intactas todas as suas faculdades criativas.
Paul McCartney insere-se facilmente na categoria de artista relevante e que conseguiu ultrapassar a barreira de co-compositor de sucesso para o retomar na sua caminhada a solo. É certo que detém o melhor catálogo de canções do mundo, mas os seus registos individuais também merecem destaque. Recordo-me da brilhante ode apressada, Got To Get You Into My Life, a elegância de For No One e, claro, daquele assombroso lado B do álbum Abbey Road. Individualmente existem outros bons momentos: a comovente Maybe I´m Amazed, a bondiana Live and Let Die e, permitam-me, a subvalorizada No More Lonely Nights.
Para todos os efeitos, Paul é um sobrevivente e, conjuntamente com Ringo Starr, é o representante de um grande pedaço da nossa mais querida memória musical. Esperemos que a sua próxima (derradeira ?) digressão mundial contemple Portugal com uma data no seu itinerário. Até lá, muitos parabéns James Paul McCartney!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Faz hoje 30 anos que António Variações partiu...

Faz hoje 30 anos que António Variações partiu...
1944 -1984

António Variações faleceu no dia de Santo António faz hoje 23 anos. Se ainda fosse vivo teria 62 anos, mais o menos a idade de Mick Jagger, David Bowie ou Freddie Mercury. Esta precoce partida acabaria por deixar um enorme vazio na música popular portuguesa, infelizmente pouco reconhecido nos anos que se seguiram à sua morte. Mas a curta carreira de Variações não diminui a sua importância e qualidade enquanto artista e a prova disso é que, com apenas dois álbuns, conseguiu o que muitos só conseguiriam com mais álbuns e anos de carreira. Daí que não me pareça injusto considerar Variações como um dos nomes maiores da música portuguesa do último quarto do século XX.
Este especial sobre a vida e obra de Variações está dividido em cinco partes, que cobrem os aspectos mais importantes do percurso do autor/cantor desde as suas origens até ao legado que deixou na música portuguesa. Temos assim Origens e chegada a Lisboa; Principais influências e viagens; Espectáculos, discos e fama; A força da diferença e Legado. Escolhi algumas músicas que, pelo seu significado, melhor se enquadravam com cada uma das partes.

1 – Origens e chegada a LisboaA 3 de Dezembro de 1944 nasce António Joaquim Rodrigues Ribeiro na Freguesia de Fiscal - Amares, Braga, filho de camponeses. Terminada a escola primária e depois de recusar a profissão de carpinteiro, imposta pelos pais, ruma a Lisboa, onde já se encontravam dois irmãos e alguns familiares. Trabalha com empregado de balcão, empregado de escritório e barbeiro. Esta última profissão irá aperfeiçoar, tornando-se mais tarde cabeleireiro. Estuda de noite. A ideia de um dia vir a ser um fadista famoso acompanha-o de pequeno, quando cantava no quintal da casa de família. Sem nunca renegar às suas origens, a chegada a Lisboa abre-lhe os horizontes, mas por pouco tempo, já que cedo se apercebe da pobreza social e cultural da capital. Olhei para trás, Linha – vida e Anjinho da guarda são os temas que mais retratam esta etapa da sua vida.

2 – Principais influências e viagens
A procura de novas realidades leva-o até Londres em 1975 onde fica cerca de um ano. Parte depois para Amesterdão onde vive cerca de três anos e aprende a profissão de cabeleireiro. Nesta cidade faz amizades que mais tarde visita com regularidade. De volta a Lisboa, estabelece-se como o primeiro cabeleireiro unisexo do país, abrindo mais tarde uma barbearia na Rua de S. José. Terá afirmado um dia que apesar de gostar da sua profissão, não a considerava uma paixão e que o mais importante era ter rendimentos para viver e gozar férias no mês de Agosto. Visita Nova Iorque e regressa à Holanda. O espírito aberto e de cidadão do mundo estão presentes nos temas Estou além e Minha cara sem fronteiras.
As figuras da Mãe, Amália e Fernando Pessoa constituem as suas principais referências e fonte de inspiração para algumas das suas músicas, tais como Deolinda de Jesus, Povo que lavas no rio, Voz – Amália – de nós e Canção.
Apesar de influenciado por outras realidades culturais, facilmente encontra um equilíbrio entre o que se poderá denominar vanguarda e tradicional. É neste contexto que terá ficado célebre a expressão “ entre Nova Iorque e a Sé de Braga “, que mais não significava do que fazer a fusão entre a música moderna que se fazia lá fora (ao nível da sonoridade) e a música popular portuguesa (mais presente na letra), sem esquecer a música tradicional (Fado), pela maneira como o próprio António cantava.
1º LP Anjo da Guarda (1983)

3 – Espectáculos, discos e fama
Para António a grande paixão era mesmo a música e tudo havia de fazer para concretizar o seu sonho. Mas de início as coisas não foram fáceis e pelo meio foi coleccionando algumas frustrações. Por exemplo, quando concorre para vocalista dos Corpo Diplomático (banda antecessora dos Heróis do Mar), chumba na audição. Mas nem tudo se perde, já que se torna cabeleireiro da banda. Em 1977 assina finalmente contrato com a Valentim de Carvalho, depois de apresentar uma maqueta com alguns temas. Foi para estúdio mas os resultados ficaram aquém das expectativas, dado não ter sido encontrado o registo certo.
Sabendo que a melhor forma de dar-se a conhecer era fazer espectáculos e esperar por uma nova oportunidade da editora, apresenta-se ao mundo artístico como António e Variações, nome da orquestra/grupo que pretendia criar. Daí o nome definitivo António Variações.
Em Março de 1981, sob o nome António (autor/intérprete), faz o primeiro espectáculo na discoteca Trumps que, devido ao ruído, provoca alguns problemas com a vizinhança. Não tendo as coisas corrido da melhor forma, regressa ao Trumps para um segundo espectáculo melhor organizado, e canta a música Toma o comprimido. Mais confiante depois de uma actuação bem sucedida convence Júlio Isidro (cliente da barbearia) a ouvir uma cassete com músicas suas. Não demorou muito até ser convidado, ainda nesse ano, a actuar, no programa O Passeio dos Alegres, onde cantou os temas Toma o comprimido e Não me consumas. O primeiro acabaria por se editado apenas em 2006 na colectânea A História de António Variações. Já o segundo seria editado pelo projecto Humanos em 2004.
Sem novidades da parte da Valentim de Carvalho e com um contrato assinado vai para quatro anos, no qual existia o compromisso para a gravação de um disco, fala com o irmão Jaime Ribeiro(advogado) no sentido de pressionar a editora. Em Julho de 1982 é finalmente chamado para entrar em estúdio e iniciar os ensaios para a gravação do primeiro maxi-single Povo que lavas no rio/Estou além. A admiração por Amália era tal que António chegou a fazer a primeira parte de um dos espectáculos da fadista, na Aula Magna, como forma de a homenagear.
Para além de O Passeio dos Alegres em 1981, actua também nos programas da RTP Musicaqui e Retrato de Família em 1982 e Frut`ó Chocolate e Ora Bem em 1983. Os seus videos passam no programa Vivamúsica em 1983.
Ainda neste ano é editado o primeiro LP Anjo da Guarda, com elementos dos GNR como músicos de apoio. O resultado supera todas as expectativas e temas como O corpo é que paga, É p`rá amanhã e Quando fala um português, tornam-se grandes êxitos. No Verão seguinte António Variações é muito solicitado para espectáculos ao vivo por todo o país.
No ano seguinte, durante as gravações do segundo LP Dar e Receber, António começa a evidenciar alguns problemas de saúde. Músicos e técnicos com quem trabalhava julgam tratarem-se de sintomas de fadiga devido ao número excessivo de espectáculos. Ainda assim consegue terminar o álbum que, desta vez, contou com o apoio dos Heróis do Mar. Ainda que bem sucedido, o êxito de Dar e Receber ficou aquém de Anjo da Guarda devido ao falecimento do músico a 13 de Junho de 1984, no Hospital da Cruz Vermelha. Com a sua morte, toda a promoção do álbum teve de ser cancelada. Ainda assim perduraram temas como Perdi a memória, Quem feio ama e Dar e receber. Sobre a sua morte entendo não ser tema que deva aprofundar, abstendo-me de qualquer comentário ou explicação.
2º LP Dar e Receber (1984)

4 – A força da diferença
Apesar de não possuir quaisquer conhecimentos técnicos de música, António sabia muito bem o que pretendia fazer. A célebre frase “ entre Nova Iorque e a Sé de Braga “ é disso o exemplo. O processo criativo era muito “ naif “. Tinha uma ideia e tomava nota (escrevia a letra). Por vezes trauteava e depois gravava em cassete que apresentava à banda para tentar fazer a música. O principal problema era conciliar as letras com as músicas, uma vez que não tinha a noção do tempo musical.
Apesar da sua extravagância (actuava em estúdio como se ao vivo se tratasse), quem com ele trabalhou considerou-o bastante flexível, acabando por aceitar a sua forma de estar. Só assim poderia deitar para fora tudo o que sentia. Como referiu um dos engenheiros de som, António era um “ verdadeiro artista “. A este estilo muito próprio, Carlos Maria Trindade dos Heróis do Mar e Madredeus terá definido como “ estilo António Variações “.
Apesar da imagem excêntrica (roupa colorida e barbas compridas), essa imagem apenas expressava um dos lados da sua personalidade. Segundo testemunhos de pessoas que com ele privaram, António era uma pessoa simples e divertida, embora reservada.
A maneira muito própria de ser e estar na vida não o incomodava, assumindo perante a sociedade a pessoa diferente que era. Muito independente, preservava o seu espaço, sendo o seu invulgar lar o espelho da sua personalidade. Definido por muitos como avançado no tempo, ambicionava por novas experiências o que o levou a viajar para ver mais do que Lisboa lhe podia dar. Destas viagens colheu as tendências que serviram para dar à música popular portuguesa uma roupagem moderna e tornar-se no que sempre quis ser, um artista reconhecido. Em Sempre ausente, Canção do engate e Erva daninha alastrar podemos ficar a conhecer melhor a sua personalidade.
Colectânea com o inédito Toma o comprimido (2006)

5 – Legado
Nos anos seguintes ao seu desaparecimento falar de Variações parecia ser assunto tabu. As circunstâncias que envolveram a sua morte e o atraso social e cultural do país na década de 80 fizeram com que um dos grandes nomes da música portuguesa caísse praticamente no esquecimento. Dificilmente algum músico assumia ter sido influenciado por Variações, ou mesmo o comum cidadão gostar das suas músicas. O pouco reconhecimento da sua obra foi pela primeira vez quebrado com o álbum Tu Aqui de Lena D`Água, editado em 1989, com cinco temas inéditos de Variações. Pelo meio ficaram algumas versões com destaque para Canção do engate dos Delfins. Por altura do décimo aniversário da sua morte foi editado um disco de tributo Variações – As canções de António, no qual participaram nomes como Mão Morta, Três Tristes Tigres, Resistência, Sitiados, Madredeus, Sérgio Godinho, Santos e Pecadores, Delfins, Isabel Silvestre e Ritual Tejo.
Nos anos 90 Fernando Pereira protagonizou uma das mais bens conseguidas homenagens com o espectáculo A Festa da Música de Variações. O filme/documentário Variações de Maria João Rocha, transmitido pela RTP 2 no programa Artes e Letras em 1996, revelou-nos muitas curiosidades e aspectos desconhecidos da vida do artista. No ano seguinte é editada colectânea O Melhor de António Variações e reeditados em CD os seus dois álbuns. De praticamente ignorada, a obra de Variações era finalmente reconhecida e com toda a justiça. Mas de todas as homenagens, a que teria maior impacto seria o projecto Humanos, no ano em que se assinalou os vinte anos da sua morte. Protagonizaram este super-grupo, nomes consagrados como David Fonseca e Manuela Azevedo (da área do rock) e Camané (Fado). Apesar de ter sido pensado em grande, este projecto excedeu em muito as expectativas mais optimistas. Os Humanos não se limitaram a ser meros intérpretes e assumiram-se como um projecto com vida própria e com todo o mérito. Não só acrescentaram valor às suas carreiras de músicos consagrados que já eram, como valorizaram a obra desconhecida de António Variações. Mudar de vida e Maria Albertina foram talvez as músicas mais ouvidas na rádio em 2005, Quero é viver foi um dos temas da novela Ninguém com tu, transmitida pela TVI e Rugas foi o tema escolhido para uma campanha publicitária de um conhecido banco. Passados vinte anos as músicas inéditas de Variações eram novamente cantadas por todos, prova da popularidade dos seus temas: situações comuns do dia a dia, preocupações e reflexões sobre o sentido da vida, com os quais qualquer cidadão se identifica, quando transpostos para refrões que facilmente ficavam no ouvido, garantiram a fórmula do sucesso.
Os números falam por si: mais de 100.000 discos vendidos e três concertos esgotados (dois no Coliseu de Lisboa e um no do Porto), mais a actuação no Sudoeste, um dos pontos altos deste festival. O projecto Humanos foi, sem dúvida, o maior acontecimento musical de 2005, em Portugal, a que se juntaram a edição de uma biografia António Variações - Entre Braga e Nova Iorque, de autoria da jornalista Maria Gonzada e de um CD duplo A História de António Variações, com algumas raridades entre as quais se destaca o inédito Toma o comprimido. Definitivamente estava colocada uma pedra em cima da injustiça e do preconceito que ainda pairavam sobre a vida e obra de António Variações.
Projecto Humanos (2004)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Da Vinci - Hiroxima (meu amor)

Os Da Vinci foram umas das mais interessantes bandas de música portuguesa dos anos 80. Alguém duvida? Os OMD (Orchestral Manouvers in the Dark) deram o mote em 1980, com "Enola Gay". A canção falava da bomba atómica largada sobre Hiroxima (ou Hiroshima), no final da II Guerra Mundial, transportada pelo bombardeiro B-29 chamado, precisamente, Enola Gay. Em 1982, os Da Vinci respondem aos OMD com este "Hiroxima (meu amor)".
Sim, porque a pop electrónica emergente dos anos 80 não passou ao lado de Portugal, e os Da Vinci, a par dos Heróis do Mar, mostravam à malta das guitarras quem percebia de sintetizadores em terras lusas. Se os Heróis do Mar ainda hoje transportam a bandeira da música portuguesa dos anos 80 (na verdade, um galhardete), os Da Vinci ficaram perdidos. Quer dizer, depois disso resolveram meter-se nos festivais e ficaram mais conhecidos pelo festivaleiro "Conquistador"... Mas antes disso, meus amigos, fizeram do que mais melódico há no início da década louca de 80. "Hiroxima (meu amor)" apetece ouvir. Portanto, façam favor de carregar no play do vídeo.







segunda-feira, 9 de junho de 2014

ROLLING STONES - "Some Girls", lançado há 36 anos

O ano de 1978 foi particularmente feliz para os Rolling Stones. Apaziguando o frenezim socialite de Mick Jagger e questões psicotrópicas com a autoridade de Keith Richards, os glimmer twins assinaram o seu primeiro grande disco desde "Exile On Main Street".
Nas rádios assistia-se ao domínio do disco sound e do punk e parecia que o mundo dos Stones tinha sido varrido, remetendo o grupo para o estatuto inexorável de old farts. Atentos às mudanças, construiram um disco coeso e com variados pontos de interesse.
As diversas correntes seriam abordadas em "Some Girls". Começando na abertura disco de "Miss You", abrilhantada pela harmónica de "Sugar Blue", o punk óbvio de "Respectable" e o country de "Far Away Eyes".  No "novo" disco dos Stones havia também espaço para uma grande balada: "Beast Of Burden".
Nas décadas seguintes, os Rolling Stones assinaram vários trabalhos de interesse: "Tattoo You", "Steel Wheels", "Voodoo Lounge" ou "A Bigger Bang", mas foi há 36 anos que provaram saber responder aos desafios das novas gerações musicais.