quarta-feira, 23 de setembro de 2015

ABBA


Bastou-lhes algo como uma década para merecer o título de segunda banda mais célebre, depois dos Beatles.


Ainda depois de 400 milhões de discos vendidos globalmente, a exportação mais bem sucedida da Suécia continua a usufruir de uma popularidade consistente, lucrando com dois a quatro milhões de discos anualmente. Acrónimo dos dois casais ( A gnetha, B jörn, B enny e A nni-Frid), os ABBA conquistaram o público mundial com os seus refrões orelhudos harmonizados pelas duas vozes femininas. Afiguram-se como o primeiro colectivo pop da Europa continental a alcançar êxito massificado nos países anglófonos como o Reino Unido, E.U.A., Canadá e Austrália - nação que testemunhou o despoletar de um clima eufórico planetário de todos o que nutrissem uma paixão desmesurada pela banda, conhecido como Abbamania . Decididamente, os ABBA são um marco histórico que vai para além do contributo para a música pop.  
Tanto Benny Andersson como Björn Ulvaeus eram membros de pequenos projectos folk suecos, The Hep Stars e Hootenanny Singers, respectivamente, ainda antes de se conhecerem. Porventura, as duas bandas cruzavam-se enquanto andavam pela estrada em digressão e Benny e Björn decidem tentar escrever letras em conjunto e o single "It Isn't Easy" dos Hep Stars foi o primeiro resultado. A partir daqui é-nos apresentado outro elemento-chave dos ABBA: Stig Anderson, o manager . Este, enquanto exclusivo dos Hootenanny Singers e fundador da editora Polar Music , vê potencial na colaboração de ambos os músicos e encoraja-os a compor mais. Isto tudo já no término da década do "Flower Power".
Posterior a isso, Benny conhece pela primeira vez a sua futura esposa, a norueguesa Frida Lyngstad , no Concurso do Festival da Canção da Suécia em 1969. No caso de Agnetha Fältskog foi diferente: desde de tenra idade que cantava profissionalmente e logo aprovada pelos críticos dentro do género schlager (tradução alemã do género easy-listening ) e, em virtude da notoriedade nacional, deu de caras com Frida num programa de TV e Björn num concerto. Entretanto, a dupla masculina já tinha lançado um álbum inteiramente em sueco ( Lycka , de 1970), assim como a ala feminina solidificava, individualmente, as suas carreiras. No ano de 1971, ambos os pares já se encontravam oficialmente casados.
Uma tentativa em combinar o talento dos quatro surgiu quando passavam férias no Chipre, onde cantar nas praias não passava de um divertimento. Depois da colaboração dos back vocals no registo de Andersson e Ulvaeus, Fältskog e Lyngstad emprestam as suas vozes ao primeiro êxito nacional da banda "Hej, Gamble Man" - o primeiro registo creditado pelos quatro, na alturas em que se denominavam de Festfolk. A previsão de Stig Anderson - "Um dia vocês os dois irão escrever um canção que se tornará num sucesso mundial" - serviu de incentivo para que a banda concorresse ao Melodifestivalen (fase de apuramento sueco para o Festival da Eurovisão) em 1972, ainda que tivessem sido rejeitados duas vezes no ano anterior. É, então, a partir daqui que o projecto se forma. Sob a chancela da Polar Music, o single "People Need Love" antecede ao primeiríssimo registo de originais do quarteto (ainda com a designação Björn & Benny, Agnetha & Anni-Frid), Ring Ring , que data de 1973. Foi graças a este passo que a projecção além-Escandinávia se tornou palpável. 
Nesse Verão, após o consenso quanto ao nome oficial, Stig Andersen revela a sua astúcia ao querer usar do Melodifestivalen e da Eurovisão como via para o reconhecimento da banda pela indústria musical. Coincidência ou não, um convite da televisão sueca na participação no Festival de '74 é feito e o colectivo não nega. A desavergonhada batida de "Waterloo" (com os membros aprontados por uma estética inspirada na cena glam de Inglaterra), para além de ter sido uma lufada de ar fresco no panorama e padrões da Eurovisão, estarreceu positivamente público e crítica presente ou não no Brighton Dome, em Londres. Talvez tivesse sido isso que despertou a consciência britânica para o engenho e modernismo do grupo sueco. É neste ponto que os ABBA conquistam a Europa e preparam o terreno na América com a 145.ª posição do LP Waterloo na Billborad Hot Chart .
Depois da digressão por países europeus como a Dinamarca, RFA, Áustria, Suíça e Escócia, fruto do impacto da Eurovisão, um novo álbum, de seu nome ABBA , provoca a histeria que mais tarde viria a caracterizar o quarteto, em grande parte devido a "SOS" e, sobretudo, a "Mammia Mia" que obteve o n.º 1 em três grandes mercados discográficos: Reino Unido, RFA e a extraordinária recepção da Austrália, no ano de 1975. Numa enorme luta comercial com os Queen, a banda lá atingiu o n.º 1 no Reino Unido com a sua primeira compilação de êxitos. Chegamos, portanto, ao estatuto de super estrelato dos ABBA com o lançamento de Arrival , no ano de 1976, sintoma das maiores sensações de todas - "Dancing Queen" - que coagiu o público americano a render-se às proezas do projecto. Posto isto, um leque de consecutivos primeiros lugares granjeava cada vez mais a população mundial e a imagem de marca do colectivo ganhava contornos definitivos com o logótipo desenhado por Rune Söderqvist.
Desde Oslo aos esgotados últimos concertos no londrino Royal Halbert Hall, uma nova tour respondia ao furor massivo, ao mesmo tempo que um filme, ABBA: The Movie , contava as peripécias durante a digressão australiana (público excepcional pela atitude fervorosa a uma banda não anglófona). Seguiu-se o lírica e musicalmente ambicioso The Album (que sustentou outras façanhas como "Take a Chance on Me" ou "Thank You for the Music") e a transformação de um teatro antigo de Estocolmo no Polar Music Studio, em 1978. O estúdio, usado posteriormente por outras bandas notáveis como Led Zeppelin e Genesis, foi palco para novas inspirações do grupo, mas foram as imediações do Criteia Studios, em Miami, que deu origem ao esforço de Voulez-Vous , em 1979. Contudo, os singles do mesmo não acompanharam o logrado dos anteriores, dado, possivelmente, o comunicado mediático do divórcio de Björn e Agnetha.
Os Estados Unidos e Canadá viram a sua primeira e única oportunidade de ver o quarteto nos últimos 4 meses de 1979. Porém, uma porção considerável de fãs constatou que o colectivo apresentava-se mais num registo de banda de estúdio do que uma banda ao vivo. Ainda assim, a histeria teimava em não cessar quando o grupo, agendado para nove concertos, é cercado entusiasticamente por uma comitiva de seguidores no Aeroporto Internacional de Narita, Japão, em 1980. No mesmo ano, Super Trouper é editado, cujo conteúdo denunciou a faceta actualizada da banda ao embarcar no advir dos sintetizadores na pop da época. Possibilitou o último n.º 1 do Reino Unido com o single da faixa-título. As últimas prestações dos ABBA (que contou ainda com o álbum The Visitors ) foram modestas, já com Ulvaeus casado pela segunda vez e Benny e Frida à beira de um colapso matrimonial. No entanto, Stig Anderson podia orgulhar-se da sua persistência (e milhões, vá) no seu 50.º aniversário em 1981, quando, olhava para trás e examinava o império ABBA até à data.
Um anúncio de uma separação oficial nunca foi feita, mas podia verificar-se que a alma do grupo estava a degradar-se diariamente e o próprio já se considerava dissolvido. A verdade é que os ABBA são das poucas bandas que, depois de uma primeira separação, nunca mais regressaram ao activo. A última vez que foram mediaticamente vistos foi na estreia internacional do filme Mamma Mia! , em Gotemburgo. A sua herança monumental reflecte-se, em primeiro lugar, na abertura à evidência internacional de outros actos musicais que não fossem  radicados nos E.U.A ou Reino Unido , e, depois, nos reconhecimentos e prémios (a eleição de "Waterloo" como melhor canção da Eurovisão é um dos muitos exemplos), nos tributos e versões de incalculáveis bandas pop (e não só!) e obras não exclusivamente musicais (como o musical do West End londrino, Mamma Mia! ), na estética implementada e nos revivalismos actualmente assistidos. Podem não ter uma estrela no passeio da fama, mas um museu dedicado religiosamente à sua obra e vida, com localização planeada em Estocolmo, emergiu como hipótese para 2009.

sábado, 12 de setembro de 2015

'Wish You Were Here' dos Pink Floyd faz hoje 40 anos


Faz hoje precisamente 40 anos que os Pink Floyd lançaram o seu nono álbum de estúdio, "Wish You Were Here".

Inspirado por vários concertos que deu na Europa, o grupo de rock progressivo "instalou-se" nos míticos estúdios Abbey Road, em Londres, para gravar aquele que é considerado um disco de referência na história da música. "Wish You Were Here" foi rapidamente aclamado pela crítica musical e está na 209.ª posição na lista dos "500 Melhores Álbuns de Sempre" da Rolling Stone. David Gilmour e Richard Wright já o referiram como sendo o seu álbum preferido de sempre. "Wish You Were Here" atingiu a primeira posição na tabela da Billboard, vendendo mais de seis milhões de cópias só nos Estados Unidos, onde foi galardoado com o Disco de Ouro a 17 de Setembro de 1975 e com sextupla Platina a 16 de Maio de 1997. No mundo inteiro, o álbum vendeu mais de 13 milhões de unidades.

No disco encontramos referências a temas como a ausência, o funcionamento da indústria musical e a deterioração do estado de saúde de Syd Barrett, um dos fundadores dos Pink Floyd. A música 'Shine On You Crazy Diamond' é-lhe dedicada e começa com oito minutos e trinta segundos de preâmbulo instrumental. De recordar que quando o tema estava a ser gravado, Barrett apareceu no estúdio mas nenhum dos colegas de banda o conseguiu reconhecer. Devido aos problemas relacionados com o consumo de droga, o músico estava sem cabelo e bastante gordo. O discurso do artista era, também, completamente desprovido de sentido, garantem os colegas de banda. Syd apareceu na cerimónia de casamento de Gilmour protagonizando um dos mais estranhos momentos na história do grupo: desapareceu sem se despedir de ninguém, nunca mais foi visto nem souberam notícias suas, até ao dia da sua morte, a 7 de Julho de 2006.

'Welcome To The Machine' é um dos temas que aponta o dedo à indústria musical. De referir que até à data os Pink Floyd não tinham uma relação muito harmoniosa com a imprensa. 'Have a Cigar' critica os patrões da indústria musical também. Os temas 'Raving and Drooling' e 'Gotta Be Crazy' já estavam prontos mas não foram incluídos no álbum porque o grupo entendeu que não se integravam no conceito onde queriam encaixar o restante trabalho. As canções foram, depois, integradas em "Animals".

Assim como no álbum anterior, "The Dark Side of the Moon", os Pink Floyd recorreram a sintetizadores e efeitos na produção do trabalho de 1975. O sucesso deste disco colocou uma grande pressão na banda que se reflectiu a dado ponto durante as gravações de "Wish You Were Here", principalmente nas atitudes do baterista Nick Mason, cujo malogrado casamento o deixara completamente apático.

O primeiro concerto de apresentação de "Wish You Were Here" realizou-se em Knebworth, no Reino Unido, em Julho de 1975, curiosamente dois meses antes do disco ser posto à venda. Tal feito causou grandes problemas à editora EMI que, devido à enorme procura pelo trabalho discográfico, não estava a conseguir produzir à velocidade a que os fãs procuravam pelo vinil.

A imagem da capa do álbum foi inspirada na ideia de que a humanidade tende a esconder os seus verdadeiros sentimentos, com medo de "se queimar" e, assim, dois homens de negócio foram retratados a apertar as mãos, com um deles a pegar fogo. Foram fotografados dois figurantes, Ronnie Rondell e Danny Rodgers, sendo que um deles estava a usar uma roupa ignífuga, coberta por um fato completo. A foto foi tirada nos estúdios da Warner Bros. em Los Angeles.

"Wish You Were Here" foi remasterizado e relançado em vários formatos. No Reino Unido e nos Estados Unidos, o álbum foi relançado em 1976, e, em 1980, foi publicada uma edição de luxo no Reino Unido. Nos Estados Unidos o álbum chegou em 1983 no formato CD e, no Reino Unido, o CD chegou em 1985.

Recorde, mais abaixo, o tema que deu nome ao álbum, através de um vídeo caseiro

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Há 25 anos, a guitarra que reabilitou o blues partiu

Stevie Ray Vaughan, 1954-1990.


Na manhã de 26 de Agosto de 1990, Stevie Ray Vaughan partilhou com a sua banda e crew um pesadelo que o assombrara na noite passada. Nesse pesadelo Vaughan via o seu próprio funeral e milhares de enlutados, confessando-se aterrorizado e, ao mesmo tempo, quase sereno. Os Double Trouble estavam no backstage de um par de concertos, em que foram a banda de abertura a Eric Clapton. Stevie Ray Vaughan, como sempre, liderou a banda no concerto no Alpine Valley Music Theatre, em East Troy, Wisconsin.

As condições meteorológicas nessa noite eram pouco favoráveis a voar, mas uma caravana de blues não pode parar. A meio de nevoeiro nocturno, os músicos subiram nos helicópteros que os transportariam para Chicago. O modelo Bell 206B JetRanger, prefixo N16933, da Omniflight Helicopters, transportaria Stevie Ray. Por volta da meia-noite e cinquenta (hora local), o helicóptero procurou levantar voo, guinou bruscamente para a esquerda e colidiu contra uma colina. Os destroços foram encontrados pela polícia por volta das 04h30. Foi pedido a Eric Clapton e Jimmie Vaughan que identificassem os corpos. Clapton identificou Bobby Brooks, Nigel Browne e Colin Smythe, o seu agente, segurança e assistente do tour manager, respectivamente.




Vaughan tinha 35 anos. A sua técnica ressuscitou o blues, deu-lhe um som mais agressivo, e mudou o som da guitarra eléctrica dentro do género. Com alma de bluesman, mas versatilidade enorme, Vaughan gravou com David Bowie, Zucchero, Stevie Wonder ou Dylan. Jimmie Vaughan identificou o seu irmão mais novo, vítima de múltiplas fracturas no crânio e lesões irreparáveis no coração. Jimmie, destroçado, identificou Stevie Ray às “Crossroads”.

sábado, 1 de agosto de 2015

1 de Agosto de 1981: “Uma Revolução chamada MTV”





































A ideia de um canal dedicado à música não era nova quando surgiu a MTV. De facto, pode considerar-se o "Sight of Sound" como a génese daquele canal musical, quando em 1977 a Warner Communications e a American Express, através da joint-venture Warner Amex Cable criaram o primeiro sistema de TV por cabo interactivo (QUBE).
Do pacote de canais comercializados encontrava-se o "Sight of Sound", que permitia aos telespectadores votarem nas canções e artistas preferidos. O sucesso foi tal que a Warner Cable Amex Cable decidiu abrir o canal a outros operadores de cabo com nome e formato novos (Videoclip).

Nascia então a MTV - Music Television.

O primeiro videoclip foi “Vídeo Killed the Radio Star”, dos The Buggles, escolha oportuníssima anunciando a entrada da indústria musical numa nova era.


A MTV nunca quis ser apenas um canal de música. Desde o seu aparecimento em Agosto de 1981 que cedo se afirmou como um canal que iria revolucionar a forma de comunicar em televisão, criando um novo espaço para a divulgação do, até então, menosprezado videoclip. Som e imagem eram agora um só.


Mas de sucesso comercial a fenómeno cultural vai um grande passo e a MTV teve o mérito de alcançá-lo, e porquê?

A emissão, quase ininterrupta, de música com destaque para os videoclips fez surgir um novo mercado anteriormente dominado pela rádio. Se até aqui bastava uma música passar na rádio para ser conhecida, a partir desta altura ela teria de ser vista na televisão. Mais importante do que ser-se ouvido era ser-se visto.

O videoclip passa a ser encarado como um importante meio promocional, sendo explorado profissional e comercialmente por uma nova geração de músicos cujas carreiras foram construídas para e à custa da MTV.


Na primeira metade da década de 80 uma banda interiorizou este espírito mais do que todas as outras: os Duran Duran. Michael Jackson e Madonna foram igualmente perspicazes na abordagem ao videoclip.


Durante cerca de vinte anos, foram estas as regras da promoção musical até ao aparecimento da Internet. A livre partilha de música e vídeos tem vindo aos poucos a pôr em causa este conceito. A televisão olha agora com desconfiança para uma Internet mais informal e adaptável à mudança.


Mas em 1981 era a MTV quem protagonizava a mudança: o conceito era novo, o “look” apelativo a até os apresentadores denominavam-se VJs (ou seja, DJs de vídeos).

A adesão dos jovens norte-americanos e, quatro anos mais tarde, dos europeus, a um canal que falava a sua linguagem foi imediata, o apelo era irresistível. Com o passar dos anos cada vez mais jovens em todo o mundo tinham acesso às emissões da MTV, com o surgimento de canais específicos para cada país ou dedicados a diversos géneros musicais (temáticos).

MTV Look: “ O estilo prevalece sobre o conteúdo e a técnica sobre o argumento “


O “MTV Look“ era de facto uma imagem de marca. Especialista na promoção da imagem de outros, a MTV sabia muito bem como promover a sua própria imagem.

Este conceito era de tal forma popular que houve quem o soubesse explorar da melhor maneira e aplicá-lo a uma série policial feita à medida da geração MTV. O resultado foi “Miami Vice“ (série de TV) e o autor da proeza Michael Mann, o mesmo de “Collateral”, “The Aviator” e “Miami Vice” (filme), entre outros.

Esta popular série policial protagonizada por Don Johnson e Philip Michael Thomas (transmitida entre 84 e 90), tornou-se na coqueluche das séries de TV ao captar na perfeição a atmosfera 80`s em todo o seu esplendor.

Nada foi deixado ao acaso: o estilo, o ritmo e um colorido muito próprio aliados à música do teclista Jan Hammer, materializaram-se num ambiente que se pretendia de “glamour” e sofisticação, plenamente conseguido.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Estreia do filme "The Wall" aconteceu há 33 anos

É um hall de hotel monótono, cinzento e robótico que nos conduzirá ao que talvez tenha sido um dos melhores filmes com base musical alguma vez feito.

“The Wall” leva-nos à Inglaterra oprimida dos anos 50/60 onde um Bob Geldof mais novo e menos mediático, dá vida a um jovem rapaz de nome Pink.

Conduzidos pelas músicas do álbum dos Pink Floyd, “The Wall”, e com os poucos diálogos, o realizador Alan Marshall conseguiu transmitir toda uma opressão e humilhação vividas pela população inglesa desde muito cedo.

Pink vive num quarto de hotel escuro e sujo, após ter caído na rede das drogas trazidas pela fama do rock n’ roll. A apatia e solidão que sentia , levam-no a lembranças longínquas e esquecidas, que nos retratam a sua vida desde muito novo, havendo um jogo de saltos entre o passado e o presente, o que também torna o filme apetecível.

Após a morte do pai na Segunda Guerra Mundial, passamos a seguir a sua infância nos anos 50, onde é arduamente humilhado por escrever poemas e na qual é possível ver o seu sofrimento por ter uma mãe viúva sempre protectora.

É então que o nosso protagonista cresce, se torna uma estrela de rock e cai numa depressão profunda que o leva à loucura e a alucinar que era um ditador.

Tudo isto é magicamente envolvido e representado pelas músicas dos Pink Floyd , que assentam que nem uma luva em toda a vida de Pink. 
 
Esta magnificência cinematográfica, foi escrita por Roger Waters, o grande mentor da banda mais aclamada de todos os tempos.

Senhoras e senhores: “The Wall”.

Confira o trailer : 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Live aid... foi há 30 anos!

O mundo uniu-se há 30 anos


Há 30 anos o mundo parou. A causa era nobre. A música também. O público aderiu. E fez-se história. “Culpados”? Bob Geldof e Midge Ure. Evento? Live aid.
O mega-concerto foi organizado por Bob Geldof (Boomtown Rats) e Midge Ure (Ultravox) , com o objectivo de angariar fundos para a Etiópia e. Os concertos foram divididos entre o Estádio de Wembley em Londres e no JFK , na Filadélfia. Alguns artistas marcaram presença em Sydney , Moscovo e no Japão para actuar e mostrar a sua solidariedade para com a Etiópia. O concerto foi a transmissão televisiva por satélite mais ambiciosa já tentada até então.
Este espectáculo à escala global continuou o projecto de Geldof e Ure , a canção “Do They Know It´s Christmas?” , gravado em Novembro de 1984 por um conjunto de músicos britânicos e irlandeses , com o nome “Band Aid”.


As origens

Reza a história “que tudo começou em 1984 [quando] estava a ver um noticiário sobre a fome na Etiópia. E achei que tinha de fazer alguma coisa”, explicou Bob Geldof em 1999 à BBC, citada pela Blitz. Pouco tempo depois o músico punha mãos à obra. “E então juntei uma serie de amigos músicos e gravei uma canção chamada "Do they know it´s Christmas?"
Chamamos ao grupo Band Aid e angariámos dinheiro para as vítimas da fome na Etiópia. Mas depois percebi que isso não iria ser suficiente .E então organizei um concerto. Chamou-se Live Aid", que há precisamente 25 anos começava assim...


Mas o que levou à criação do Live aid ?


"A ideia do Live Aid surgiu quando estava no Sudão. E havia rumores de que os alimentos de ajuda de emergência estavam retidos nas docas de Port Sudan."
"Quando lá fui, disseram-me que a principal razão para essa retenção era um cartel , um cartel de camionagem , que controlava Port Sudan.Então , percebi que a única maneira de romper esse cartel era fazer oposição. Por isso regressei a Inglaterra e lancei-me na organização do Live aid", explicou Bob Geldof em 1999 à BBC , citado pela Blitz.

A transmissão

A 13 de Julho de 1985 um mega concerto, com palco dividido entre entre o Estádio de Wembley (72 mil pessoas) em Londres , e no Estádio JFK (99 mil pessoas) na Filadélfia , fazia história e ajudava a Etiópia. O Live aid estava no ar e invadia os lares à escala global. 
Na Europa o sinal foi transmitido pela BBC , que para além de mostrar as actuações dos artistas e trouxe ao longo do dia várias entrevistas e reportagens entre os espectáculos, com o comando de Andy Kershaw e Dick Clarck. Já a ABC ficou encarregue pela transmissão nos EUA.
Uma das entrevistas ( David Bowie) :
Actuações marcantes

Freddie Mercury


Em 2005 o channel 4 britânico nomeou a actuação dos Queen no Live aid como o “Melhor concerto de Sempre”. O alinhamento adoptado pelo grupo não deixava alternativa: “Bohemian Raphsody”, “Radio Gaga”, “We Will Rock You” e “We are the champions”. Depois só foi juntar carisma de Mercury à qualidade das canções e a soma só poderia ser a completa rendição do público, até hoje...

David Bowie
Na interpretação de “Heroes” Bowie fez história ao dedicar a música ao seu filho, e também "a todos os nosso filhos, e aos filhos do mundo".

U2
A longa interpretação da canção Bad ficou para a história ,numa altura que se já fazia sentir “ a febre” dos U2. Uma das imagens mais marcantes foi quando Bono saltou do palco para dançar com uma jovem do público. Em 2005 soube-se que o frontman salvou a rapariga de ser esmagada pelo público.

Os resultados


O grupo Chumbawamba lançou um álbum intitulado "Pictures of Starving Children Sell Records" ("Fotos de crianças Famintas Vendem Discos") em 1986.

Com este mega concerto angariou-se 150 milhões de libras. Mas o processo não foi muito fácil. Para além da recolha do dinheiro dos bilhetes ,a BBC organizou uma operação de recolha de fundos por telefone. No entanto , quase sete horas depois do inicio do evento a desilusão foi geral quando se apercebeu que até ao momento só se tinham recolhido pouco mais de um milhão de libras.
Geldof ficou bastante descontente e no final da intervenção dos Queen apelou à solidariedade do público, ousando utilizar a palvra “fuck” na altura perante a plateia. Resultado: as doações aumentaram para 300 libras por segundo.
Até aos dias de hoje discute-se se o dinheiro foi bem utilizado na totalidade (a BBC continua a recolher informações, diz a blitz, que apontam que parte do dinheiro foi apropriado por rebeldes que usaram os fundos para comprar armas e não alimentar as populações) ....
Uma curiosidade:A banda Chumbawamba lançou um álbum intitulado "Pictures of Starving Children Sell Records" ("Fotos de crianças Famintas Vendem Discos") em 1986.
Polémicas à parte, o facto é que o Live aid uniu o mundo por uma causa maior … e fez história.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Morreu JAMES HORNER, o Mago das Bandas Sonoras

Hoje o mundo do cinema e da música foi abalado pela morte de James Horner. O nome pode não dizer nada à maioria das pessoas, mas se acrescentarmos que estamos perante, provavelmente, o maior criador de bandas sonoras do cinema dos últimos anos, aí o caso muda de figura. Um estúpido acidente de aeronave tirou a vida a um criador sublime, que deu uma dimensão especial e única a filmes como Titanic, Avatar, Braveheart, Beautiful Mind, Aliens, Field of Dreams. Várias vezes nomeado para óscar de melhor banda sonora, Horner havia de triunfar por duas vezes: em “Titanic”, com aquele fabuloso “My heart will go on” que Céline Dion fez subir ao Olimpo, e em “Avatar”, onde Horner introduziu doze temas maravilhosos que em muito enriqueceram o filme e o ajudaram a triunfar.
É curioso pensar o quanto a música de Horner contribuiu para o sucesso de Titanic. Parecem feitos um para o outro e não conseguimos imaginar toda a emoção romântica que sentimos ao ver Titanic sem a música de Horner. No entanto, só a persistência de Horner e Will Jennings conseguiram convencer o realizador Cameron a ouvir a versão-demonstração que Céline Dion gravara. Obviamente, Cameron só podia aproveitar aquele diamante único que Horner lhe punha nas mãos, como já fizera noutras ocasiões em que trabalharam juntos.
Horner tinha um dom especial para criar bandas sonoras épicas, glamourosas e sedutoras. Sabiam criar uma música que ia de encontro ao coração do filme, ajudando o espectador a vivê-lo com uma profundidade que, muitas vezes, tocava o sublime.
Acontece frequentemente não darmos o devido valor aos criadores das bandas sonoras dos filmes. Muitas vezes a realização, a interpretação dos actores, a excelência do argumento esmagam aquele material delicado e único que fez o filme melhor e mais completo. Poucas vezes fazemos a justiça devida aos criadores de música tão emocionante e de difícil criação, pois criar algo que encaixe perfeitamente num produto cinematográfico de grande qualidade não é tarefa fácil. Só está ao alcance dos melhores como era o caso de Horner. Quando voltarmos a deixar cair umas lágrimas ao rever o Titanic ou o Braveheart, era bom que nos lembrássemos que James Horner tem alguma responsabilidade nisso.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Editado a 17 de Junho de 1983: The Police – Synchronicity

POLICE.jpg The Police – Synchronicity
É o quinto e último álbum de estúdio dos The Police, lançado em 1983. Está na lista dos discos definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. É considerado o melhor trabalho da banda. Além de ter sido o projecto mais ousado do trio inglês, foi também o mais elaborado e caro. De toda a discografia dos Police, foi o que mais vendeu em todo o mundo. Nos Estados Unidos assumiu o primeiro lugar da Top 200, destronando Michael Jackson que se mantinha na liderança há quase 40 semanas com o disco “Thriller”.
Por esta altura, o clima entre Sting, Andy Summers e Stewart Copeland estava péssimo, tanto que acabaram com os Police logo a seguir à tournée de lançamento de “Synchronicity”. O nome do disco foi sugerido por Sting, que naquela época fazia psicologia analítica que é calcada, basicamente, em símbolos, arquétipos, sonhos e na Teoria da Sincronicidade, desenvolvida pelo psiquiatra e psicanalista suíço Carl Gustav Jung (1875-1961). Synchronicity foi produzido por Hugh Padgham.

terça-feira, 16 de junho de 2015

‘Like a Rolling Stone’: meio século de um marco na música popular

Bob Dylan gravou a sua canção mais célebre há 50 anos, e marcou um antes e um depois.

Uma baqueta cai com força sobre uma caixa e ao mesmo tempo um pé pontapeia um bombo. É o que detona. Imediatamente se abre todo um universo, criado por uma absorvente atmosfera eléctrica e com um órgão colossal de fundo. Passam-se apenas alguns segundos até que uma voz circense diga quatro palavras mágicas, as quatro primeiras de um relato divino: “Once upon a time...” Como nos contos. “Era uma vez....”. É o começo de Like a Rolling Stone, a melhor composição da história do rock, segundo boa parte da crítica especializada, a canção com que Bob Dylan mudou definitivamente o curso da música popular no mundo, o tema que acaba de cumprir meio século desde que foi gravado, entre 15 e 16 de junho de 1965. Como disse o poeta norte-americano David Henderson, não se tratava de uma canção, mas de “uma epopeia”. Uma epopeia que narrava as emoções incontroláveis do seu autor, mas que também afectou para sempre a visão do rock e a alma de toda uma nação.
Em 1965, os Estados Unidos encontravam-se num dos períodos mais agitados da sua história, enquanto Bob Dylan começava a distanciar-se do seu papel de porta-voz geracional da música folk, que via como uma camisa de forças que o oprimia. Tinham-se passado apenas quatro anos desde a sua vinda do seu povoado de Minnesota em busca de Woody Guthrie, tinha começado a tocar nos clubes de Greenwich Village com os pilares do movimento folk nova-iorquino, como Pete Seeger, Ramblin' Jack Elliott e Dave Van Ronk. Tinha passado pouco mais de um ano desde o lançamento de The Times They Are A-Changin' e os tempos começavam a mudar para todos, incluindo Dylan, que, fascinado pelo vibrante aroma juvenil e descontraído que os Beatles e os Rolling Stones desprendiam, decidiu fazer o contrário do que se esperava dele.
O primeiro passo (enorme artisticamente) foi Bringing It All Back Home, divulgado algumas semanas antes da gravação de Like a Rolling Stone. Com essa dupla face, uma acústica e outra eléctrica, Bringing It All Back Home, uma obra-prima datada de março de 1965, foi o disco que inaugurou a mudança de Dylan, uma esplêndida fenda pela qual se divisava algo muito diferente do que se conhecia do autor de Blowin’ in the wind. E esse algo era isso que Dylan na época descrevia com estas palavras: “É esse som mercurial selvagem e fino. É metálico, dourado e brilhante”. Bringing It All Back Home foi a primeira parte do que se conhece como a trilogia mercurial de Dylan, formada também pelos álbuns Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde. A trilogia do antes e do depois, pela qual se deu o caminho ao contrário: os Beatles, os Rolling Stones e, em definitivo, todos, se fixaram então em Dylan para saber por onde iriam os novos tempos. E Like a Rolling Stone foi, e continua a ser o máximo expoente desse som.

O crítico musical norte-americano Greil Marcus, um dos maiores estudiosos da obra de Bob Dylan, chama-o de “som total”. Um som que nasce do blues de Robert Johnson, mas que se expande em muitas direcções, como se contivesse um big-bang da música norte-americana dentro, entre os traços da guitarra rítmica e o baixo, a alta temperatura do órgão Hammond de Al Kooper, os potentes rastos da harmónica e a voz incisiva e desafiante de Bob Dylan. Como antes tinha acontecido com o canto apaixonado de That’s All Right de Elvis Presley, o som estridente de Tutti Frutti de Little Richard ou o riff de Johnny B. Goode de Chuck Berry, bastava essa estranha explosão sonora, essa conjunção de elementos vindos de todas as partes e de nenhuma, para reconhecer o inexplicável. Era uma forma de olhar para a frente sem esquecer os rastos deixados. Era inovação. Poderosa inovação com um mundo emocional próprio, mas também universal.
A sua avalanche sonora arrasta o ouvinte. Sem fôlego. Obriga a tomar partido. Like a Rolling Stone não é uma canção que se possa simplesmente ouvir. Não está concebida para ouvintes preguiçosos nem para turistas musicais. Convém recordar: uma baqueta cai sobre uma caixa e ao mesmo tempo um pé pontapeia o bombo e.., ¡boom! “Era uma vez…”. Como nos contos, o ouvinte é obrigado a adentrar o seu mundo, se não a canção expulsa-o. Como as grandes fábulas expulsam aqueles que só podem ver aquilo que os seus olhos alcançam.

Essa epopeia chamada Like a Rolling Stone, gravada nos estúdios da Colúmbia em Nova York, era um desafio para o ouvinte, mas também para a época. Os seus seis minutos de duração, com essa enxurrada instrumental, rompiam os esquemas das emissoras de rádio. Era a antítese do single, mas era de tudo ao mesmo tempo. Porque a canção mais pop de Dylan até então, era o menos pop de 1965. O seu criador dava passagem, com essa composição, a toda uma marca pessoal de canções que começaram no alto. Ou seja, aos primeiros compassos, já toda a banda estava no ápice sonoro e a partir daí não havia nem um respiro nem um passo em falso nesse fluxo incontrolável, até que se desvanecia. Isso aconteceria noutra canção célebre, como Hurricane e em várias outras. Como afirmou Greil Marcus, Dylan procurava com Like a Rolling Stone conquistar um território. E conseguiu. Era o território artístico e sentimental dos agitados anos sessenta, da ruptura geracional e do rock’n’roll. Quando a canção foi gravada nos Estados Unidos, embevecidos pelo beat dos Beatles e demais seguidores, fervilhavam todo o tipo de revoltas e confrontos. Em pleno conflito bélico no Vietname, a paranóia da Guerra Fria e corrida espacial com os russos, havia ocorrido o célebre Domingo Sangrento em Selma, depois das investidas policiais contra os manifestantes pelos direitos civis, e Martin Luther King tinha passado pela prisão enquanto o presidente Lyndon Johnson tentava mitigar tudo com a base para a lei que daria o voto aos negros. E a mídia não perdia um detalhe do processo contra Richard Hickock e Perry Smith (protagonistas do livro A Sangue Frio, de Truman Capote), presos por assassinar quatro membros da família de Herbert Clutter em Holcomb (Kansas), que acabaram enforcados. E em 1965 todos, e não só a rapariga da canção que antes se vestia tão bem e falava bem alto, pareciam pedras rolando na encruzilhada de sua própria história. Todos pareciam fazer-se a mesma pergunta do refrão: “How does it feel? (Como se sente?)”. Também Dylan, que estava imerso no seu próprio turbilhão de acontecimentos e problemas sentimentais.
Like a Rolling Stone completa meio século. Com toda a urgência e o seu orgulho ferido, a canção foi um marco. E continuará sendo. Porque, muitos anos depois da sua criação, já em outro século, continua a ser abrasiva. O seu fogo está intacto depois de se ouvir como aquela baqueta cai e um pé pontapeia um bombo. Howard Dounes conta na sua biografia sobre Bob Dylan, uma história ilustrativa a respeito. Durante esses dias de gravação, Dylan esteve numa festa e a cantora e compositora Maria Muldaur convidou-o a dançar quando o viu sentado sozinho a um canto, com as pernas cruzadas a mexer-se com nervosismo. Já lhe começavam a chover críticas na comunidade folk pela sua experimentação sonora, e por isso receberia o apelido de “Judas”, enquanto outros viam nele um Messias político que solucionaria todos os desajustes do país. Diante da proposta de Muldaur para dançar, Dylan levantou os olhos na direcção dela e respondeu: “Dançaria contigo, Maria, mas as minhas mãos ardem”. Essas mãos foram as mãos que criaram Like a Rolling Stone, uma canção para a história.

domingo, 14 de junho de 2015

‘Yesterday’ faz 50 anos

A canção de Paul McCartney para os Beatles é recordista em número de versões na história.
Tudo começou numa manhã de Maio de 1965. Paul McCartney ficou com uma melodia na cabeça após um sonho e já não conseguiu esquecê-la. O que parecia ser uma brincadeira da sua mente, transformou-se numa das melodias mais conhecidas da história da pop pelas mãos dos The Beatles. Segundo palavras do próprio, era como uma velha melodia de jazz, como as que o seu pai costumava cantar e que o fazia regressar ao passado.
Já a letra, foi outra história. Conta a lenda que o seu autor cantarolava como primeiro verso “scrambled eggs, oh baby, how I love your legs” (“Ovos mexidos; oh meu amor, como gosto das tuas pernas”). Repetiu esta frase durante dias, mas no final, durante uma viagem a Portugal com a sua namorada daquela altura, Jane Asher, compôs os versos certos.

A canção foi finalmente gravada a 14 de Junho de 1965. Depois de uma passagem com John Lennon no órgão Hammond, o produtor George Martin sugeriu a McCartney usar um quarteto de cordas. McCartney inicialmente resistiu e respondeu: “Não quero ser um Mantovani – em referência ao compositor de música instrumental italiano, que costumava tocar naquela época em auditórios de Londres –“. Mas o certo é que sem esses acertos, a canção não teria sido a mesma.

Yesterday foi lançada no álbum Help!. Tem a honra de ser a canção com mais versões da história, de acordo com o Livro Guinness dos recordes. Entre as suas mais de 1.500 versões, são famosas as cantadas por Frank Sinatra, Aretha Franklin, Elvis Presley e Willie Nelson. Esse monólogo interior de McCartney tem uma melancolia mágica. É quase impossível não ser seduzido por ela.

Estas são cinco das versões mais célebres de todos os tempos:

1. ELVIS PRESLEY

O Rei do rock nunca se entendeu com os Beatles, os quais via como o fruto de uma geração, a da contra-cultura, com a qual não sintonizava. De facto, o encontro entre os Fab Four e Presley não foi frutífero, nada parecido com o que tiveram com Bob Dylan. Presley, entretanto, gostava de criar versões de algumas das baladas dos Beatles, ideais para a sua garganta galáctica.

2. WILLIE NELSON

O pai dos fora-da-lei do country traz Yesterday ao seu campo, fazendo uma das versões mais emocionantes de todos os tempos. Com a sua voz profunda e pletórica, Nelson coloca jeans na balada de McCartney, substituindo as cordas por uma guitarra simples, mas efectiva, como se tivesse sido escrita para ser cantada numa cantina do Texas.

3. FRANK SINATRA

A Voz sempre renegou o rock e afirmava que este ritmo corrompia os jovens. Mas não pôde resistir a cantar uma canção que estava no topo de todo um movimento musical. Com a sua grande roupagem pop, Yesterday era uma balada intergeracional e Sinatra soube conservar a sua poderosa carga melancólica na sua proposta de jazz vocal. As cordas continuam a ter um papel essencial, mas, nesta ocasião, desdobram-se num sentido jazzístico mais sugestivo e lento.

4. ARETHA FRANKLIN

A mais espectacular voz feminina da soul e, possivelmente, de toda a história da música popular, não podia deixar de colocar o seu espírito nesta canção eterna. Com o seu timbre divino e penetrante, Aretha Franklin veste Yesterday com as suas roupas de gala vocais. Entre o jazz e a soul, a sua versão é talvez a mais nostálgica de todas as gravadas por qualquer outro artista.

5. RAY CHARLES

Um dos pilares da música afro-americana deu à música o seu essencial toque ao piano, ao qual acrescentou o seu modo particular de cantar, muito mais lento.

Uma canção eterna....